domingo, 1 de maio de 2011

Definindo identidades

Por Yochanan ben Avraham com colaboração de Aryeh ben Ohr

INTRODUÇÃO
Nos últimos anos temos presenciado um fenômeno, que só pode ser compreendido após uma verificação detalhada das escrituras. Estamos nos referindo ao abandono de milhares de cristãos de suas práticas tradicionais evangélicas e católicas, para adotarem um estilo de vida de acordo com a Torá. Tais acontecimentos já haviam sido anunciados pelos profetas do Tanach (chamado de Velho Testamento), onde é anunciado o retorno dos dispersos de Israel, principalmente os descendentes das dez tribos do norte, também conhecidas como Efraim, Israel ou casa de Yosef.
Este retorno dos descendentes à Torá, faz parte da restauração, ou melhor, do reerguimento do tabernáculo de David conforme anunciado pelo profeta Amós (9.11) e confirmado pelos emissários de Yeshua em Atos (15.16). Isto está ocorrendo graças ao despertamento que o Eterno tem operado no meio cristão, principalmente entre os evangélicos, pois estes estão sendo conduzidos a examinarem as escrituras e considerarem o contexto em que foram escritas e, por isso, passaram a entender a mensagem pró-Torá que a Brit Chadashá (equivocadamente chamada de Novo Testamento) transmite.

SURGE UM PROBLEMA
Ao se deparar com as discrepâncias que as interpretações cristãs apresentam e com as diversas lacunas que suas incoerências doutrinárias causam, o indivíduo que começa a restaurar a Fé, se vê em uma "encruzilhada", e fica a se perguntar: "Afinal...o que sou e para onde devo ir ??"
Antes de qualquer coisa, é preciso entender que o fato de se perceber que a religião cristã é um desvio dos ensinamentos de Yeshua HaMashiach e seus emissários  (Ver Mateus 5.17-19). Não significa necessariamente que a pessoa tenha que ser judia ! Infelizmente, por não entenderem este detalhe, muitas pessoas acabam abraçando o judaísmo e adotando uma identidade judaica sem serem judeus e passam a viver, por mais contraditório que pareça, um judaísmo que nada tem a ver com a Torá... São pessoas que não souberam diferenciar Judaísmo, Talmud e Kaballah da Torá, não distinguindo o que é tradição e o que é Mitzvá (mandamento), alguns destes chegam a adotar um comportamento que beira a esquizofrenia...

RESTAURAÇÃO OU MUDANÇA DE RELIGIÃO ?
Quando a mensagem de restauração de israel chega aos ouvidos de um cristão e este percebe que a doutrina cristã é falsa (pois nega a Torá), o "ex-cristão", na sua busca por uma doutrina bíblica verdadeira, acaba achando que tem que ser judeu pois percebe que a primazia de Israel nunca foi tirada ou substituida, e como consequência estabelece o judaísmo como o padrão a ser seguido e inicia-se uma espécie de "judeulatria", ou seja, "tudo o que é judaico é bom e deve ser praticado..." Infelizmente isto é feito sem nenhum exame detalhado das origens de certas práticas e tradições mantidas por este judaísmo, pois se examinassem perceberiam quantos elementos estranhos a Torá, relacionados até mesmo com a idolatria e misticismo pagão foram sincretizados e assumidos como judaicos/israelitas como por exemplo a Kaballah (misticismo sumeriano e babilônio), acessórios como a kipá (solideu) e até mesmo a chalá trançada (pão servido no Shabat) as tranças da chalá é um sincretismo com uma antiga crença germânica que atribuia poderes de expulsar demônios nas tranças de uma determinada entidade cultuada por aquele povo.
O exemplo mais claro destes sincretismos são evidenciados nas mitzvot (mandamentos) da mezuzah e o do tefilin em seus modelos tradicionais. Pois a mezuzah era a exposição dos asseret ha dibrot (dez ditos) nos umbrais das portas de maneira que pudessem ser lidos. No entanto, o judaísmo coloca um estojo com outras palavras (que não são os asseret ha dibrot) dentro deste, ou seja, impossível de serem lidos. Esta forma de fixar o estojo, é herdado do costume babilônio de fixar amuletos nas portas para impedir a entrada de demônios nos lares...Além do mais, o Shema, a profissão de Fé dos Hebreus, também foi adulterada como podemos comprovar no Talmud:

" Eles (os sacerdotes) recitavam os asseret ha dibrot (dez ditos/mandamentos), o Shemá, as seções: 'e sucederá que se diligentemente ouvirdes' e 'E YHWH disse'. 'Verdadeiro e firme'. O avodá a benção sacerdotal.' Rab. Yehudah disse em nome de Sh'muel: Fora do Templo, também o povo desejava fazer o mesmo, mas foram impedidos em razão dos 'minim'. Semelhantemente, foi ensinado: R. Natan diz: Eles buscaram fazer o mesmo fora do Templo, mas isso foi abolido em razão das insinuações dos 'minim'. Rabá bar Hanah teve uma idéia de instituir isto em Sura, mas R. Hisda lhe disse: Isto  foi há muito abolido em razão das insinuações dos minim. Amemar teve a idéia de instituí-lo em Nahardea, mas R. Ashi lhe disse: Isto foi há muito abolido em razão das insinuações dos 'minim'
(b.berachot 12 a)

"Seria apropriado ler os asseret ha dibrot (dez ditos/mandamentos) diariamente; e por que não fazemos ? Por causa do zelo dos 'minim', para que não digam: somente esses foram dados a Moshe no Sinai" (j.berachot 3c)

*Minim é um termo talmúdico para grupos considerados hereges, também utilizado para se referir aos seguidores de Yeshua.

Não é razoavel trocar uma mentira por outra, esta troca de "ismos" (cristianismo por judaísmo) se deve a necessidade de uma identidade, por isso estas pessoas acabam indo de um extremo a outro sem medirem as consequencias e implicações desta troca. Não é raro o caso de pessoas entrarem em profundas crises de identidade que chegam a culminar em ateísmo por não saberem discernir onde começa e onde termina as diferenças, e como forma de acalmar a tempestade ideológica em suas mentes confusas, adotam uma em detrimento da outra, tentando eliminar tudo o que possa lhe associar ou lembrar o passado.

Os dois principais erros que podemos definir neste processo são:
1º- Acreditar que para ser salvo tem que ser judeu
2º- Acreditar que aceitar Yeshua o faz judeu

É importante dizer que muitos dos que estão cometendo algum ou todos os erros acima apontados, não fazem por mal, fazem por falta de conhecimento.

"SUICÍDIO ESPIRITUAL"
Devido a esta mudança de religião e, automaticamente, de referências para sua nova identificação, o "ex-cristão" que adota o judaísmo (pensando que esta adotando a Torá), percebe que, segundo as normas do judaísmo tradicional, não pode ser aceito na comunidade judaica, principalmente por crer em Yeshua como Messias ! E por causa desta rejeição, sua identidade fica indefinida pois ele não quer voltar para as mentiras do cristianismo e aquilo que o encantou não o aceitará, então, como ninguém consegue se desenvolver socialmente sem saber quem é, ele acaba vendendo a "primogenitura" (prerrogativa de Efraim, ver Yirmeyahu/Jeremias 31.9) para ser aceito em Yehudah, ou seja, nega Yeshua como Mashiach, e ao negar Yeshua perdem a salvação.
Negar Yeshua como Messias é o comportamento mais comum de quem está passando por esta crise, são pessoas que não entenderam os propósitos de HaShem  quanto a dispersão e restauração do Reino de Israel, estes indivíduos não conseguem enxergar que os preceitos da Torá já eram observados muito antes de Israel existir !! Portanto, ninguém precisa se tornar Judeu para seguír estes preceitos, só para citar alguns exemplos temos Chanoch (Enoque) Noach (Noé) e Avraham (Abraão), homens que andaram com YHWH, e para andar com YHWH precisa-se estar em acordo com ELE (Amós 3.3), trilhar seus caminhos... e seus caminhos são revelados em Devarim (Deuteronômio) 30.16.

HEBREU, ISRAELITA, JUDEU OU ISRAELENSE ?
Hebreu:
Para simplificar as coisas, de modo que todos possam entender, o homem é feito de "algo físico" e "algo espiritual" que chamamos alma. O primeiro homem que o Eterno escolheu para fazer seu povo Israel não era israelita (pois israelitas ainda não existiam) e nem Yehudi (judeu) pois obviamente também não existiam, este homem chamava se Avram (Abrão) que posteriormente passou a ser chamar Avraham (Abraão). Este homem foi o primeiro a ser chamado de "Ha Ivri" (O Hebreu); a palavra "Ivri" significa: "que atravessa", "que cruza". Ou seja, enquanto o mundo estava de um lado, Avraham estava do outro, pois ele atravessou o Rio Eufrates deixando sua cultura, terra e parentes para ir após a ordem de YHWH. Podemos também ver Yonah ha navi (Jonas o profeta) se identificando desta forma: "Anochi Ivri" (Sou Hebreu) e temo a Adonay, O Elohim do céu, que fez o mar e a terra seca" (Yonah 1.9).
O Criador tinha posto uma "alma especial" em Avraham, a "alma hebraica", Avraham teve dois filhos, Ishmael e Yits'chak, mas só Yits'chak foi chamado Ivri (Hebreu), ou seja, somente em Yits'chak foi "depositada" a alma hebraica. Os descendentes de Avraham por parte de Yits'chak e Ya'akov (que passaria a se chamar Israel) foram chamados de Ivriim (Hebreus), cada um deles tinha uma alma hebraica. Em outras palavras, o termo Ivri é usado por todos os descendentes de Avraham "segundo a promessa", aqueles que abandonaram suas culturas, terras e parentelas para seguirem as instruções de YHWH.

Israelita:
Todos os descendentes físicos de Israel deveriam ser hebreus, mas infelizmente, não é assim que acontece, pois muitos destes deveriam estar "do outro lado do mundo", mas estão vivendo segundo o curso deste mundo. O termo hebreu não pode ser aplicado a um descendente de Israel que não vive de acordo com a Torá. As obras destes que "não atravessam o mundo" revelam que não possuem a "alma hebraica" foi o que Sha'ul ha sh'liach quis dizer em sua carta aos que estavam em Roma:

"Não que a palavra de YHWH haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas;
Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.
Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de YHWH, mas os filhos da promessa são contados como descendência.
Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho.
E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai;
Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de YHWH, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),
Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor.
Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú." Ruhomayah (Romanos) 9.6-13 

Judeu:
Para definir o termo judeu, ao contrário dos demais apresentados anteriormente, é preciso recorrermos a alguns acontecimentos da história de Israel para entendermos o que significa atualmente e o que significou no passado, pois "judeu" teve o seu sentido mudado com o passar do tempo.
No passado, o conceito de judeu relacionado com a religião não existia. este termo ganhou maior relevância por volta do ano 950 AEC (antes da era comum) a partir da divisão do Reino de Israel, quando este se dividiu em Reino do Sul e Reino do Norte.
O sul de Israel foi governado pelo filho de Sh'lomo (Salomão), Rechavam (Roboão) e passou a ser conhecido como Yehudah. Este Reino compreendia geograficamente as tribos de Biniamin (Benjamin) e yehudah (Judá) e era habitado  por pessoas de Efraim, Menashé, Shimon e Levi. conforme pode ser verificado em Melachim alef (1º Reis) 11.29-43;12.21-23; Divrei ha Yamim beit (2º crônicas) 10. 11,1,10,12; 14.8) dentre outras passagens.
Portanto a primeira vez que aparece na escritura o termo yehudim (judeus) é em melachim beit (2º Reis) 16.15-17, porém não havia nenhuma conotação religiosa ou tribal, mas regional, pois "judeu" era aquele que residia em Yehudah malchut (Reino de Yehudah). Isto pode ser entendido melhor quando lemos Ma'assei ha Sh'lichim (atos dos emissários) 22.3 quando Sha'ul ha Sh'liach se descreve como Yehudi (judeu) mesmo sendo um biniamita (benjamita) conforme vemos em Filip. 3.5. Ou seja, ele era judeu não por pertencer a religião agora conhecida como judaísmo, mas por ser descendente do Reino de Yehudah.

O povo de Yehudah.
Após a divisão de Israel, os dois reinos seguiram seus caminhos. Enquanto Efraim (Reino do Norte/Israel), devido sua apostasia, foi levado cativo pelos assírios por volta do ano 720 AEC e de onde muito poucos regressaram  ao seu país de origem. Yehudah, apesar de também ter sido exilado na Babilônia (597 AEC), se manteve, de certa forma, estável. É possível, inclusive, constatar que homens de Yehudah mantiveram-se fiéis a Torá como vemos em Daniel 3.8-27 e 6.2-23.
Yehudah pode retornar a sua terra como pode ser verificado nos livros de Nehemiah e Ezra, enquanto os descendentes das dez tribos (Efraim) foram assimilados pelas nações (Oshea/Oséias 7.8).
Como o número de efraimitas que retornaram do cativeiro assírio era pequeno, estes acabaram sendo absorvidos pelo Reino do Sul (Yehudah), isto pode ser comprovado na Brit Chadashá  nas bessorot (boas novas) de Lucas 2.36, ou seja, uma descendente de uma das dez tribos do Norte (Aser), vivendo em Yehudah.
É importante informar que após os dois exílios, assírio e babilônio respectivamente Efraim e Yehudah, os dois reinos nã existiam mais, porém, devido o regresso dos descendentes do reino de Yehudah e a predominância destes sobre os demais, o termo Yehudim permaneceu. O próprio território passou ser conhecido como "Judéia". No entanto, havia uma diferença entre os yehudim (judeus) residentes em Galil (Galiléia) chamados de galilim (galileus) e aqueles que habitavam as demais regiões da Judéia, chamados simplesmente de yehudim (judeus).
Ao entendermos isto, não seremos confundidos com o fato de Yeshua ser chamado de galileu, pois apesar de ter nascido em Beit Lechem (Belém) ele cresceu em Natzarat (Nazaré) na Galiléia.
Tendo por base o que foi dito até aqui, onde o judeu primitivo é definido como alguém que descendia ou residia no Reino de Yehudah (Judá), e não com um seguidor de uma religião, seria um erro grosseiro pensar que a placa fixada no madeiro onde Yeshua foi morto, cuja inscrição dizia: " Yeshua de Natzarat Rei dos Yehudim", estivesse se referindo a um "Rei da Religião"! Pois o título esta va proposto para o Rei de um povo...

Os judeus atuais e o judaísmo:
Se no passado o termo judeu era aplicado a alguém que residia ou descendia do reino de Judá, atualmente as coisas não são assim.
É preciso entender que, assim como o helenismo  indica um " modus vivendis" helênico (grego), judaísmo indica o "modus vivendis" judeu. Este "modus vivendis" judaico, que nada mais era do que aspectos culturais do povo judeu, começaram a ganhar contornos religiosos por volta dos anos 400 EC (era comum), pois uma das facções de Israel lançou o Talmud Yerushalmi (Yerushalaim), esta obra que era uma compilação dos mestres tradicionais do Século I ao Século V da Era Comum, "transformaram" aquilo que era uma tradição em dogmar e normas a serem cumpridas.
É verdade que desde o Século I estava havendo um sentimento religioso crescente, mas nada comparado ao que viria ser no Século V. E como sabemos, existiram em Yerushalayim os ts'dukim (saduceus), p'rushim (farizeus) e assaim (essênios) e uma série de movimentos e grupos com idéias e conceitos diferentes uns dos outros acerca da Torá, quanto a sua aplicação. E por causa deste conceito religioso gerado por algumas destas facções, qualquer um agora poderia ser judeu se convertendo ao judaísmo.
Ser judeu atualmente é pertencer a uma religião, se você quer ser judeu não pode crer em Yeshua e nem estar numa congregação messiânica, mas sim numa sinagoga judaica tradicional onde a religião judaica é praticada e, como sabemos, se alguém crêr em Yeshua como Messias, cedo ou tarde terá que negá-lo.

Israelense.
Este é o termo mais simples de ser definido, pois israelense é o cidadão que faz parte do moderno Estado de Israel, seja ele Muçulmano, cristão, ateu e etc.

CONCLUSÃO
É fundamental sabermos que, (por mais incrível que pareça), existe uma diferença entre seguir o judaísmo (religião inventada pelos descendentes do reino de Judá) e seguir a Torá. A diferença consiste em que o judaismos é baseado em conceitos de homens como Yeshayahu ha navi (Isaías o profeta) resume muito bem no capítulo 29.13 e 14:

"Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído;
Portanto eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá."

Não é em vão que o Eterno torna a advertir o povo contra esta fraude como podemas constatar em Yechezkel ha navi (Ezequiel o profeta) capítulo 20. 18 e 19:

"Mas disse eu a seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis os seus juízos, nem vos contamineis com os seus ídolos.
Eu sou o YHWH vosso Elohim ; andai nos meus estatutos, e guardai os meus juízos, e executai-os."

Prezado leitor, é necessário que retornemos à Torá, Israel não é uma religião, mas o povo escolhido pelo Eterno Elohim para ser testemunha de suas maravilhas.

domingo, 10 de abril de 2011

Israel, a verdadeira noiva do Mashiach

Por Yochanan ben Avraham com colaboração de Hadassa bat Israel.

Certamente, o título deste artigo confrontará muitas pessoas devido ao conceito que muitos religiosos possuem acerca deste assunto. Contudo, pretendemos apresentar argumentos bíblicos e históricos que comprovam a veracidade da afirmação.

Por causa de um conceito equivocado sobre quem é a noiva do Mashiach (palavra hebraica para “ungido”, mas traduzida por muitos como Messias) muitos são impedidos de conhecerem e, consequentemente, viverem a verdade bíblica. Esperamos que, de alguma forma, possamos despertar alguns para que possam adentrar o Caminho que o Eterno estabeleceu desde os primórdios.

Uma união anunciada desde o princípio.

Façamos uma breve leitura no livro de Bereshit (Gênesis) 2.19 – 23:

... Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.
 Então YHWH Elohim fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que YHWH Elohim lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem.
 “Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.”

Notem a expressão de Adám ao se deparar com aquela que seria sua companheira, que diz: “osso de meus ossos e carne de minha carne !” Esta expressão não é única em todo relato bíblico, que marca o início de um relacionamento, mas antes de mostrar-lhes a outra ocasião em que esta expressão é feita, vamos considerar algumas coisas:

Paralelos entre o Mashiach e Adám.

Sha’ul, escrevendo aos coríntios, utiliza um argumento muito interessante em sua primeira epístola leiamos Curintayah alef (I coríntios) 15.45 – 49:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adám, foi feito alma vivente; o último Adám em espírito vivificante.
Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.
O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.
Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.”

Neste texto, é inegável o paralelo que Sha’ul ha sh’liach (Sha’ul o emissário) faz para explicar a diferença entre Adám e Yeshua. Ou seja, o primeiro Adám dependia de Elohim para ter vida, mas o “último Adám” (Yeshua), concedia a vida.


O Mashiach, seus ossos e sua carne.

Entendendo que, de certa forma, Adám pré-figurava ao Mashiach, e que Adám necessitava de uma auxiliadora, vamos analisar a segunda vez em que a expressão “osso de meus ossos e carne de minha carne” é utilizada para marcar o início de um relacionamento. Leiamos Sh’muel beit (II Samuel) 5.1 – 5:

“Então todas as tribos de Israel vieram a David, em Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, somos teus ossos e tua carne.
E também outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel, e tu serás príncipe sobre Israel.
Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, em Hebrom; e o rei David fez com eles acordo em Hebrom, perante o SENHOR; e ungiram a David rei sobre Israel.
Da idade de trinta anos era David quando começou a reinar; quarenta anos reinou.
“Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses, e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.”

É interessante analisarmos a situação acima descrita, pois ela relata a coroação de David como Rei sobre todo Israel (Doze tribos reunidas), pois pela primeira vez Israel possuía um Reino de consenso popular, já que o Rei que antecedeu a David, (Saul), não conseguiu isto (I SM 10.22-27).
Lembrando que a palavra hebraica para ungido é Mashiach, vamos agora analisar o seguinte:
Israel (todas as doze tribos) declara a seu Mashiach (ungido): “Somos teus ossos e tua carne !” no início do reinado de David e não é novidade para ninguém que “David ha Melech” (O Rei David), é uma figura do Mashiach que viria. Sendo assim, da mesma forma que Chavá (Eva) foi o osso e a carne de Adám, Israel (doze tribos) se declarou o osso e a carne do Mashiach. Portanto, a auxiliadora idônea do Ungido !!

Linhagem da mulher x Linhagem da serpente.

Também no livro de Bereshit 3.15, temos mais um detalhe que reforça o fato de que Israel é a noiva, (esposa, auxiliadora ou seja qual for o título que queiram dar) do Mashiach, vejamos:

“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”

A palavra calcanhar em hebraico é “Akev”, mesma raiz da palavra “Akov’. Agora, compare isso ao nome daquele cujos filhos seriam os patriarcas das doze tribos de Israel...Isso mesmo, Ya’akov, qua passou a se chamar Israel !

O que a Torá está dizendo para nós, é que na luta entre satan e o Mashiach, a descendência de Israel seria ferida e, de fato, quantas feridas Israel sofreu ao longo de sua sofrida caminhada. Quantas expulsões, quantas perseguições, além do holocausto da segunda guerra, nosso povo sofreu !! Portanto, a mulher relatada em Bereshit (Gênesis) não seria literalmente Chavá (Eva) ou Miryam (Maria), mas pura e simplesmente uma alegoria para Israel...

Como Israel seria a auxiliadora do Mashiach?

Ao longo do relato bíblico, nós vemos o Eterno “buscando parceiros” para realização de sua obra. Vemos Noach (Noé), Avraham (Abraão) e depois todo o Israel. A Torá nos relata o dia em que Israel se “casa” com o Eterno no livro de Shemot (Êxodo) 24. Neste dia Israel, a noiva, se comprometeu em cumprir tudo o que o contrato nupcial (Torá) de terminava ao dizer:

“... Todas as palavras, que o SENHOR tem falado, faremos.”

É óbvio que estamos relatando o casamento entre o Eterno e Israel de maneira bem reduzida...mas tudo isso pode ser verificado ao longo das escrituras.
Para melhor entender esta situação, devemos saber que o Noivo é o Eterno, a noiva é Israel e o contrato do casamento (Ketubá) é a Torá ! Com isso em mente, podemos entender o que Sha’ul ha sh’liach estava querendo dizer em Ruhomayah (Romanos) 7, pois de forma análoga ele estava dizendo que estávamos casados com o pecado, e só estariamos livres deles se o marido (o pecado) morrese, com a morte deste “marido” estávamos livres para pertencer a outro (O Mashiach), vale lembrar que Sha’ul afirma no passuk (versículo) 7 que a Lei não é pecado !! Mas que ela revela o que é pecado...
Infelizmente, por causa de um conceito deturpado, alguns afirmam que  morremos para a Lei, ou que a Lei morreu para nós, quando nem mesmo Yeshua HaMashiach  sugeriu algo assim, muito pelo contrário! Ele Afirmou que enquanto houver céus e Terra a Lei permanecerá...(Mat. 5. 18)
Quando Yeshua afirma que seus talmidim (discípulos) são sal da Terra e Luz do Mundo (Mat. 5.13 e 14), Ele não estava criando um novo conceito, mas estava trazendo a memória deles (todos israelitas) que Israel deveria “auxiliar” ao Eterno na tarefa de anunciar sua Torá ao mundo, pois Israel é a testemunha de HaShem ( Yeshayahu / Isaías 43.10) colocado com luz para as nações (Yeshayahu 49.6), e no entanto israel estava pegando a Vela (Luz/Torá) e colocando debaixo da mesa...(Mat. 5.15 e 16).
Ser cooperador do Reino é anunciar e viver a Torá de Elohim a todas e em todas as nações.

E a “igreja”, o que é ?

Antes de qualquer coisa precisamos definir o termo “igreja”.
 A palavra “Igreja” vem do grego “ekklesia” que por sua vez, é tradução do hebraico “Kehilah” palavra esta que significa assembleia, congregação. Ou seja, toda vez que encontrarmos a palavra ekklesia, devemos saber que está se falando da kehilah, a qual não é outra senão Israel !
Não existe nenhum organismo, instituição ou associação chamado “Igreja” separado de Israel, algo assim, a luz das escrituras não existe, portanto, uma “igreja” que vive separada de Israel ou mesmo algo que tenha substituido a Israel não passa de uma entidade fictícia !

 Ao ler este artigo, alguém poderá pensar: Se não sou israelita, o que faço então? Há salvação para mim ?
È preciso lembrar que todos aqueles que reconheceram Yeshua como Mashiach e guardam o seu testemunho assim como os mandamentos de YHWH, são enxertados na Oliveira (Israel) conforme explicado em Ruhomayah (Romanos) 11 e trazido para perto da comunidade de Israel como diz Efessayah (Efésios) 2. 11 – 20 .
 Infelizmente, muitos chegam a dizer que quando um israelita se “converte” ele deixa de ser israelita para fazer parte da igreja...Isto é o contrário do que a Bíblia diz !!! E aquele que se opõe as escrituras (Palavra de YHWH) contradizendo-as é o adversário (satan).

Concluindo...

Para concluir este raciocínio, leiamos Guilyana (Apocalipse) 21. 9 - 12

“E veio a mim um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro.
E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de YHWH descia do céu.
E tinha a glória de Elohim; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente.
E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.

As perguntas que faço aos prezados leitores são:

1ª-Quem a Bíblia está chamando de Esposa do Cordeiro (Yeshua) ?
2ª- Quais os nomes que estão sobre as portas da cidade santa ?
3ª- Onde está a porta dos chamados gentios ?

O livro de Guilyana (Apocalipse), em suas últimas palavras, diz que:

 Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.

Ou seja, as portas da cidade santa terá o nome das tribos de Israel, e aqueles que forem enxertados em Israel poderão entrar se guardarem os mandamentos (Torá) de YHWH.

Queridos leitores, se fomos enxertados em Israel, devemos andar como um israelita e não como um “mundano” foi isso que Sha’ul concluiu no início do perek (capítulo) 12 de Ruhomayah (Romanos), conforme transcrevo a seguir:

“Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de YHWH, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Elohim: este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual a vontade de YHWH, o que é bom, agradável e perfeito.

domingo, 27 de março de 2011

Referências, identidade e esperança.

Por Yochanan ben Avraham

Referências, isso é bom ou ruim?

A  resposta para o questionamento acima é: Bom e Ruim...Ou seja, isso depende de como e quando necessitamos de uma referência, vejamos:
Faz parte da natureza humana buscar referências no tempo e no espaço para localizar-se e até mesmo para se identificar de maneira socio-cultural e politicamente. Tanto as referências temporais quanto espaciais, servem de parâmetros para que decisões sejam tomadas, escolhas sejam feitas e etc.
A ausência de referências ou mesmo as mudanças destas, talvez tenham sido as maiores responsáveis pelas confusões, injustiças, crises (de identidade inclusive) e demais situações problematicas que levaram muitos a se perderem em suas jornadas.
As pessoas mudam, os valores se invertem e tudo por conta de um tempo que não para...Sim, está cada vez mais difícil estabelecer uma referência confiável numa sociedade cada vez mais centrada em sua "insustentável leveza do ser".

Quando a necessidade de referências é ruim.

A total dependência de uma referência palpável e visível, revela, no que diz respeito a identidade de um indíviduo ou mesmo sociedade, alguns problemas preocupantes. Existem pessoas que só se movem se puder VER e TOCAR em algo, do contrário permanecerão deitadas em seus "berços esplêndidos"... a gravidade desse mal é que, geralmente, tais pessoas só buscam referências que justifiquem sua letargia, pois sair de sua zona de conforto é uma opção descartada. No entanto, cedo ou tarde o confronto virá e terão que tomar uma decisão por sí mesmos.
As escrituras estão repletas de exemplos onde pessoas dependentes de referências visíveis foram destruidas ou envergonhadas.
Vejamos Shemot (Êxodo) 32.1:

"Quando o povo viu que Moshe tardava em descer da montanha, congregou-se em torno de Aharon  e lhe disse: Vamos, faze-nos um deus que vá a nossa frente, porque a esse Moshe, a esse homem que nos fez subir da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu."

No texto acima fica claro a dependência de uma referência palpável que o povo hebreu possuia, bastou Moshe sumir da vista deles para que entrassem em uma espécie de pânico e, imediatamente, elegeram uma nova referência, o bezerro de ouro.
Para entender o comportamento dos hebreus neste episódio, é preciso considerar o tempo vivido no Egito e, óbviamente a referência de "sagrado" que possuiam era egípcia, uma cultura idolatra já que adoravam a diversos ídolos, por isso a confecção de tal estátua, cujo culto, levou três mil homens a morte.

Outro episódio interessante encontra se nas Boas Novas de Yochanan  20.24-28, vejamos:

"Um dos doze, T'oma, chamado dídimo, não estava com eles, quando veio Yeshua. Os outros talmidim, então, lhe disseram: Vimos o Senhor ! Mas ele lhes disse: Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se não puser meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei. Oito dias depois, achavam-se os talmidim, de novo, dentro de casa, e T'oma com eles. Yeshua veio, estando  as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: Shalom Alechem ! Disse depois a T'oma: põe teu dedo aqui e vê minhas mãos ! Estende tua mão e põe-na no meu lado e NÃO SEJAS INCRÉDULO, mas crê ! Respondeu-lhe T'oma: Adonai V'Elohai ! Yeshua lhe disse: Porque viste, creste. FELIZES OS QUE NÃO VIRAM E CRERAM !"

Podemos concluir que, assim como o povo no deserto necessitava ver e tocar em algo para prosseguir sua jornada, um dos doze talmidim demonstrou a mesma necessidade, isso revela que tal necessidade demonstra um baixo nível de espiritualidade. Infelizmente esta história têm se repetido diversas vezes...

A boa referência.

Leiamos Yeshayahu ha navi (Isaías o profeta) 45.22:

"Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra; Pois eu Sou Elohim, e não há outro."

Está é a referência definitiva. A única em que podemos confiar, pois como foi dito anteriormente vivemos em tempos onde os valores estão constantemente sendo invertidos. É no Eterno, a partir d'Ele, que saberemos o quão perto (ou longe) estamos de uma vida plena, do Shalom. No entanto, temos uma grande questão a resolver, pois como podemos olhar para Aquele que é invisível ?? Mas graças a HaShem, isto é elucidado nas palavras do próprio profeta Yeshayahu, leiamos o perek (capítulo) 59 passukim (versículos) 12 ao 17:

"Porque são numerosas nossas transgressões contra ti, e os nossos pecados testificam contra nós. Com efeito, as nossas transgressões nos estão presentes; conhecemos as nossas iniquidades: rebelar-nos, negar a YHWH, afastar-nos do nosso Elohim; proferir violência e revolta, conceber e meditar a mentira. O direito foi expelido, mantém-se a justiça a distância, porque a verdade estrebuchou na praça e a retidão não pode apresentar-se. Com isto a verdade ausentou-se e aquele que renuncia ao mal ficou despojado. YHWH viu e lhe pareceu mau que não houvesse direito. Viu que não havia ninguém, espantou-se de que ninguém interviesse. Então O SEU PRÓPRIO BRAÇO VEIO EM SOCORRO, a sua justiça o sustentou. Vestiu-se da justiça como de uma couraça, pôs na cabeça o capacete da salvação, cobriu-se de vestes de vingança - como de uma túnica - vestiu-se de zelo como uma capa.

Como podemos ver, o Próprio Elohim manifestaria seu braço, ou seja, Ele mesmo se colocaria como uma referência já que não havia nenhuma!! E isto se cumpriu conforme podemos ler nas Boas Novas de Yochanan 3.14 e 15:

"Como Moshe levantou a Nachash (serpente) no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha nEle vida eterna."

É interessante comentarmos esta declaração à luz da Torá, pois Yeshua trás a memória de todos um evento marcante na história de todos os israelitas, o episódio das 'nachashim serafim' (serpentes abrasadoras).
Neste episódio registrado em Bamidbar (No deserto/Números) 21, o povo começou a murmurar e por conta disto,  serpentes abrasadoras vieram  e começaram a morder os israelitas. Para  sanar a situação, o Eterno ordenou que se levantasse uma nachash (serpente) de bronze e, todo aquele que foi mordido pelas 'nachashim serafim' serpentes abrasadoras, ao OLHAREM para a 'nachash El'(serpente de El) seria curado.

A palavra Nachash (serpente) tem valor  guematrico (sistema de cálculo com os caracteres hebraicos) de 358 o mesmo valor da palavra Mashiach (ungido). É interessante dizer que a Torá chama esta serpente de bronze de "Nachash El", ou seja, não era uma serpente qualquer era A serpente de El, a cura para "am Israel" (povo de Israel).
Yeshua estava dizendo que Ele era a cura para Israel, que está disperso por entre as nações por conta de suas transgressões a Torá. É Yeshua quem têm curado o Reino de Israel, trazendo os dispersos (Efrayim) de volta a Torá!!

A identidade de um Tsadik (Justo)

Leiamos Habakuk ha navi (Habacuque o profeta) 2.4; Ruhomaiah (Romanos) 5.1 e 2; e também Ya'akov (Tiago) ha tsadik (o justo) 2.26.

"Eis que sucumbe aquele cuja alma não é reta, mas o tsadik (justo) viverá por sua Fé."

"Tendo sido, pois, justificados pela Fé, estamos em paz com Elohim por nosso Senhor Yeshua HaMashiach, por quem tivemos acesso, pela Fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos na esperança da glória de YHWH."

"Com efeito, como o corpo sem o sopro de vida é morto, assim também é morta a Fé sem obras."

Nos três textos acima, vemos que o tema central é Fé. E fé, é definida como certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas QUE NÃO SE VÊEM. (Ivrim 11.1), ou seja, um tsadik(justo) é uma pessoa que não depende de elementos palpáveis para seguir sua jornada em obediência ao Eterno. De fato, por mais que alguem possa considerar isso como algo simples, na prática, vemos que isso se constitui em um verdadeiro desafio, pois muitos têm se perdido no Caminho pois ao exigirem "provas palpáveis" de que Yeshua seja o Mashiach tem o negado e, se não fizerem Teshuvá, não poderão herdar a salvação de nosso Aba (Pai) e Adon (Senhor).
 Fomos chamados a andar por Fé (II Cor.5.7) , a atentar para o que é invisível (II Cor. 4.18) e esse é o verdadeiro "modus vivendis" do justo, pois... ESPERANÇA QUE SE VÊ NÃO É ESPERANÇA... (Ruhomaiah 8.24).

Não sejamos como T'oma, creiamos em Yeshua HaMashiach pois Ele é a Esperança de Israel.


  

domingo, 13 de março de 2011

Fotos dos dois últimos seminários

         Participantes do seminário sobre as duas Casas de Israel, realizado nos dias 19 e 20 de fevereiro

Participantes dos seminários sobre As Duas Casas de Israel e batalha Espiritual e Libertação a Luz da Torá, realizado nos dias 05,06,07 e 08 de Março na kehilah Beit Chessed em Teresópolis-RJ
Em primeiro plano, o Rosh Isaías da Beit Tsadik em São João do Meriti-RJ, participante do último seminário e abaixo, concentrado na leitura, o nassi da kehilah Beit Or situada em Nova Iguaçu, Ya'akov ben Levi...


Um dos muitos momentos de comunhão entre os irmãos...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

“Fome e sede de Yeshua”

Por Yochanan ben Avraham


Dostoievsky, o filósofo e escritor russo, pronunciou uma frase que, a meu ver, é uma das mais precisas e sensatas de toda a história da humanidade, é a seguinte:

“A lacuna do coração do Homem é do tamanho do Criador”

De fato, tal percepção retrata com muita propriedade a real condição do homem, pois, admita (o homem) ou não, há uma necessidade inerente de se crer, adorar e servir a algo ou alguém. O salmista , semelhantemente, fez uma expressão parecida ao afirmar:

“A minha alma tem sede de Elohim, do Elohim Vivo...”
                                                                                         Tehilim (Salmos) 42.2

É sobre essa necessidade de preenchimento afirmada pelo filósofo, esta sede cantada em verso pelo salmista que somos levados a refletir nessa ‘eterna’ condição de dependência que vivemos. Esta necessidade inerente nos leva a procurar qualquer coisa para preencher esta falta de, (para muitos ainda), “não sei o que”, que os consome...  Geralmente, busca-se este preenchimento na religião, seja ela qual for. Por conta disso, se aceita sem questionar, a tudo o que é transmitido como o caminho para a satisfação pessoal e acaba-se por se desenvolver uma religiosidade e não uma espiritualidade, entenda espiritualidade como, uma real relação com o Eterno Criador de todas as coisas. Ou seja, aceitamos amuletos, mantras, elucubrações e superstições como se estas coisas preenchessem o vazio, ou nas palavras do filósofo, a lacuna de nosso coração e assim, como o ainda jovem David, que foi conduzido a vestir a armadura de Shaul que  atrapalhava o seu “caminhar”  [vide Sh’muel alef (1 Samuel) 17.38 e 39] muitos acabam vivendo uma vida opressa, encurvados pelo peso das regras humanas de “como servir ao Senhor” sem conseguir progredir em sua jornada.

FOME E SEDE

O profeta Amós vaticinou:

“Eis que virão dias, - Oráculo de YHWH- em que enviarei fome a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra de YHWH...”
                                                                                                    Amós 8.11

Tanto a declaração de Dostoievsky quanto a dos filhos de Coré, são constatações de precisão cirúrgica quanto a realidade interior da humanidade!! De maneira análoga a esta situação, leiamos Melachim beit (II Reis) 4. 38-41 e pensemos um pouco. Neste episódio, podemos verificar que a fome fez com que pessoas se provessem de veneno para sobreviver, por mais incrível que isso possa parecer, é compreensível se considerarmos que as pessoas estavam famintas. É importante notar que, não eram pessoas comuns, eram aprendizes/discípulos de profetas! A grande ironia nesta história é que, para sobreviver, colheram veneno...Sim a fome cega!

Da mesma forma, muitos “talmidim” (discípulos), no afã de saciar a fome que, diga-se de passagem, é legítima. Tem se provido de veneno e, infelizmente, muitos já ingeriram e estão morrendo lentamente. Mas por que não discerniram o que era veneno? A resposta está no fato de que, assim como os profetas colheram colocíntidas por serem semelhantes ao pepino, colhe-se Talmud, Kaballah  e cristianismos por “ se parecerem” com Torah...
O que podemos ver nisso é que, a fome e sede de se ouvir a palavra de YHWH têm levado pessoas a percorrerem grandes distâncias, mas muitos não têm tido o cuidado de examinar o que se está colhendo. Vejamos o que o Profeta Elisha (Eliseu) fez, para cortar o efeito do veneno e entender como podemos nos imunizar:

“Então Elisha disse: Trazei-me farinha. Jogou farinha na panela e disse: serve aos homens, para que comam. – E já não havia mais nada de nocivo na panela.”
                                                                                        Melachim beit (II Reis) 4. 41

Acreditamos que nesta passagem temos um grande ensinamento, ou seja, a panela é o mundo, as colocíntidas (veneno) são as diversas doutrinas demoníacas existentes por aí. A farinha lançada...bem, cabe aqui um raciocínio: Com a farinha, se faz o pão, e Yeshua é o Pão Vivo que desceu dos Céus. Isto significa que somente com Yeshua, a Torá viva, poderemos anular os efeitos deste veneno maldito, aplicando os seus ensinos, a sua halachá em nosso cotidiano.

CONCLUSÃO

Chaverim, temos vivido um tempo de muitas “descobertas” e isso deve estar perturbando a muitos, mas gostaria de lembrar a todos as palavras de Sh’lomo (Salomão) em Mishlei (Provérbios) 4.18:

“Mas a senda dos tsadkim (justos) é como a aurora, a vai alumiando até que se faça dia”

 À medida que somos iluminados pela Torá, não devemos hesitar em abandonar práticas e pensamentos que outrora eram considerados como “verdade” mas que, ao serem confrontados pelas escrituras, se revelaram como artimanhas do adversário para impedir nosso acesso a pureza de sua maravilhosa e Viva Torá, Yeshua HaMashiach.

Bendito seja o Eterno nosso Elohim, que têm levantado homens para dizer:

“A MORTE NA PANELA !!!” 


sábado, 15 de janeiro de 2011

Reflexão sobre a parasha Beshalach.

Por Yochanan ben Avraham

A cada shabat, temos a oportunidade de aprendermos algo mais para uma vida em conformidade com a vontade do Eterno nosso Elohim, pois na sua Torá temos o caminho para a vida, e neste shabat, ao estudarmos a parashah (porção) Beshalach, nos foi revelado algo que estava imerso nas profundezas das letras hebraicas que nos ensina algo muito importante para quem deseja resistir a todas as afrontas, dificuldades e tentações que encontramos durante nossa jornada.
Em Shemot (Êxodo) 13.18 temos o seguinte:

“E fez rodear YHWH o povo pelo caminho do deserto, ao iam suf (mar de juncos). E armados subiram os filhos de Israel da terra do Egito”

A palavra armados no idioma original da Torá, o hebraico, é “chamushim” cuja grafia e sonoridade assemelham-se muito com “chumash”, que por sua vez é a palavra hebraica utilizada para designar os cinco livros da Torá ! Estaria o Eterno querendo revelar algo com isso ?
Se “chamushim” (armados) está relacionado com “chumash” (Torá), devemos ter algo mais nas escrituras que confirme esta hipótese. Felizmente, tanto no Tanach quanto na Brit Chadashá podemos constatar esta relação, vejamos:

“Então tomou o seu cajado na mão, escolheu cinco pedras lisas no ribeiro, pô-las no alforje de pastor que trazia e, lançando mão de sua funda, aproximou-se do filisteu.” Sh’muel alef (I Samuel) 17.40

Vemos aqui que David (que é um arquétipo do Mashiach), escolhe cinco pedras lisas do ribeiro para ir ao combate contra Golias, o gigante filisteu. Vale dizer também que o Eterno escreveu em tábuas de pedras, os ‘asseret ha dibrot’ (dez ditos), que sintetizam a Lei do Eterno, e não é exagero imaginar que estas tábuas de pedras, eram pedras ‘alisadas’ pelo próprio Elohim...Seria então uma mera coincidência David escolher justamente cinco pedras? Estaria o Eterno reafirmando de maneira bem sutil que ninguém poderá vencer uma guerra sem a Torá? Para comprovar esta ideia, precisamos de um testemunho que indique que alguém venceu alguma batalha utilizando apenas a Torá, eis o testemunho, Matitiyahu 4.1 – 10:

“E então foi conduzido Yeshua pela Ruach Há Kodesh ao deserto, para ser tentado pelo acusador...chegando, então, o acusador, disse-lhe ‘se tu és o Filho de Elohim manda que estas pedras se tornem em pães’. Mas Yeshua lhe respondeu: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de YHWH.’ (D’varim 8.3)
Então o acusador o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do Beit Ha Mikdash, e disse-lhe: ‘Se tu és o Filho de Elohim, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: ‘Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e eles te sustentarão nas mãos para que nunca tropeces em alguma pedra.’ (tehilim 91.11 e 12). Replicou-lhe Yeshua: ‘Também está escrito: ‘Não tentarás YHWH teu Elohim.’(D’varim 6.16)
Novamente o acusador o levou a um monte muito alto; e mostrou lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles e disse-lhe: ‘Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então ordenou-lhe Yeshua: ‘Vai-te Satan; porque está escrito: ‘A YHWH teu Elohim adorarás, e só a Ele servirás.’ (D’varim 6.13)

Este trecho narra o embate entre Yeshua e Satan, o qual foi vencido pelo Mashiach Yeshua, e assim como David derrotou Golias utilizando apenas uma das cinco pedras, Yeshua derrotou Satan com apenas um dos cinco livros do ‘chumash’, o sefer D’varim (Deuteronômio)! É importante ressaltarmos que, assim como Satan tentou usar as escrituras para justificar uma transgressão a Torá, muitos hoje tentam validar doutrinas absurdas utilizando textos isolados das escrituras... Não venceremos os adversários com elucubrações, ou com ‘estratégias' que se baseiam em uma premissa equivocada de que a Torá foi abolida. Venceremos as batalhas se, tão somente, lembrar e cumprir a santa Torá seguindo o Exemplo de Yeshua o Ungido de Israel.

Diante do exposto, não é difícil entender porque Rav. Sha’ul ha sh’liach (Paulo o emissário) escreveu:

“Pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Elohim, para demolição de fortalezas” Curintayah alef (I Coríntios) 10.4

E também:

“Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda armadura de Elohim...tomai também...a espada da Ruach, que é a palavra de Elohim (Torá).” Efessayah (Efésios) 6. 10 – 17.

A parasha Beshalach nos ensina que, não basta sairmos do Egito; é preciso estarmos "chamushim" (armados) com o "Chumash" (Torá) se quisermos vencer as batalhas e os inimigos que nos espreitam a beira do Caminho.

Shabat Shalom!!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Reflexão sobre a Parashá Bo.

Por Yochanan ben Avraham 

Neste Shabat, estudaremos a parashah (porção) "Bo". Dentre tantos assuntos e lições que podem ser extraídas do texto que se encontra em Shemot 10.1 até 13.16. Um "pequeno" detalhe em especial, nos chamou atenção. Referimo-nos as palavras escravidão (Avdut) e Serviço (Avodat). No hebraico, estas palavras são escritas com as mesmas letras, sendo elas: Ayin, Beit, Dalet, Vav e Tav. Logo, o valor guemátrico de ambas é o mesmo, sendo assim, qual seria a diferença?

Creio que os detalhes que diferenciam uma palavra da outra, estão relacionados com a mudança de um estado (escravidão) para outro (serviço ao Eterno) e assim podemos aprender uma importante lição, vejamos:

O que diferencia uma palavra da outra é a posição da letra Vav em cada uma destas, e como cada letra do alfabeto Hebraico também possui valor numérico, podemos ter uma interpretação, digamos... mais abrangente, pois sabendo o valor numérico da letra Vav, chegaremos a uma conclusão bem interessante.

Quanto a essa perspectiva, vejamos um exemplo em um documento escrito nos primeiros Séculos desta era:

"Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, CALCULE o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis." Guilyana (Apocalipse) 13.18

Neste texto,Yochanan (João) estava orientando as kehilot (assembléias/congregações) que tinham entendimento da prática de guemátria (sistema de cálculo do valor das letras hebraicas) para revelar a identidade da "besta".  Sabendo que o valor, era o valor de um homem, e que o valor do homem é seis (o homem foi criado/formado no sexto dia) e também que a sexta letra do alfabeto hebraico é o Vav. Não seria difícil saber a quem, ou o quê, Yochanan estava se referindo.

Portanto, é razoável interpretar que a posição do Vav em cada uma das palavras (Avdut e Avodat) pode significar a posição do homem diante de cada situação em questão.

O que estamos tentando dizer é que, dependendo de como nos posicionamos, o Avodat HaShem (Serviço ao Eterno), pode se tornar uma Avdut (escravidão)! Compare isso com Ma'assei ha Sh'lichim (Atos dos emissários) 15. 7 - 10.

Mas... como assim?

Quando lemos Matitiyahu (Mateus) 23.1 - 4, começamos a elucidar a questão, pois os p'rushim (Farizeus) pensando estar a serviço de HaShem, estavam oprimindo ao povo (ler Yeshayahu (Isaías) 58.1 e 2, pois alí fica claro que o Eterno convoca um povo, que aparentemente, cumpre a Torá mas na verdade necessitava se arrepender!).

Outra forma de escravidão/opressão pode ser identificada em Yeshayahu (Isaías) 46.1 e 2, vejamos:

"Bel caiu por terra, Nebo ficou prostrado, os seus ídolos estão entregues aos animais selvagens e às bestas de carga, esta carga que leváveis é um fardo para a besta cansada. Todos juntos ficaram prostrados, caíram por terra, já não conseguem salvar o seu fardo, eles mesmos foram conduzidos ao cativeiro."

Aqui Yeshayahu ha navi (Isaías o profeta), identifica os ídolos do panteão assiro-babilônico como um fardo para seus adoradores. Portanto, não é difícil associar o peso da carga que alguns "mestres" colocaram "sobre os ombros" daqueles que estão submetidos a suas doutrinas, muitas vezes impregnadas de costumes pagãos, além de interpretações tendenciosas. Isso contrasta com aquilo que Yochanan ha Sh'liach ( João o emissário) escreveu em sua primeira igeret (epístola):

"Porque este é o amor de Elohim, que guardemos as suas mitzvot (mandamentos); e suas mitzvot não são penosas (pesadas)." (Yochanan alef /1ª João 5.3).

Devemos ter em mente que uma "halachah" tem por objetivo mostrar como "caminhar" na Torah, ou seja, ela explica como cumprir os preceitos.  Dificultar o cumprimento dos mesmos, fere os princípios que a própria Torah estabeleceu acerca de seus mandamentos:

"Porque este mandamento que Eu hoje te ordeno, não te é encoberto nem está longe de ti. Não está nos céus para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que o traga a nós e nos faça ouvi-lo, para que o observemos? Pois a coisa está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para que a observes." (D'varim/Deuteronômio 30. 11 - 14)

Infelizmente muitos hoje estão sob um jugo que nada mais é do que, uma interpretação sobre outra interpretação sobre ainda outra interpretação, afastados da essência do mandamento, engessados em regras humanas que estão mais relacionadas com a vaidade do que com a elevação espiritual.


Quando deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e os seus estatutos, escritos neste livro da lei, quando te converteres ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma.
¶ Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti.
Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.

Deuteronômio 30:10-14

Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti.
Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.

Deuteronômio 30:11-1
Shabat Shalom!!!