sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Midrash Shemot





Por que Moshê merecia converter-se no líder de Bnei Israel

Apesar de ter-se criado no Egito, Moshê se aproximou de seus irmãos e compartilhou de sua dor.
Quando viu que um escravo judeu era golpeado, quase assassinado pelo capataz egípcio, matou o egípcio para salvar seu irmão judeu, pois amava a todos de seu povo.

Mais tarde, Moshê viu um judeu a ponto de golpear outro; repreendeu o rashá (malvado), dizendo-lhe: "Como se atreve a golpear seu irmão?" Salvou-o, pois realmente se importava com cada um deles.

Ao chegar ao poço de Midian, Moshê viu que as filhas de Yitrô eram empurradas na água pelos pastores malvados. Essas moças foram resgatadas por Moshê que realmente se preocupava com todas as pessoas criadas por Elohim.

E quando cuidou das ovelhas de Yitrô, um cordeiro sedento se aproximou em busca de água. Ao vê-lo, Moshê disse: "Sem dúvida, deves estar cansado". Levou-o até o rebanho para pô-lo a salvo, pois realmente se preocupava com todas as criaturas de Elohim.

  Elohim disse: "Moshê, porque te preocupas com todas as criaturas que fiz e tratas a todas tão bem, quero que sejas o pastor de meu povo, o líder do Povo de Israel."


Elohim põe à prova o povo judeu no Egito

Vocês se lembram que Yaacov, junto com a família, viajou para o Egito, onde Yossef governava. Mesmo depois da morte de Yossef, seus irmãos e os filhos e netos desses permaneceram no Egito.
Ali ficaram por muitos anos mais. O povo de Israel esteve pelo total de duzentos anos no Egito.

Esperavam pelo mensageiro especial de Elohim, porque Yossef lhes havia ordenado que não saíssem do Egito até que Elohim enviasse seu mensageiro para tirá-los de lá.

O plano de Elohim era fazer com que os judeus permanecessem no Egito por muito tempo. Desse modo, Elohim cumpriu as palavras ditas a Avraham: "Teus filhos serão estranhos numa terra que não é a deles. Serão convertidos em escravos e ali sofrerão por muitos anos."

  Elohim tinha muitas razões para fazer com que os judeus permanecessem no Egito por um longo tempo. Uma delas era colocar os judeus à prova, das seguintes formas:

Continuariam sendo tsadikim (homens justos) e continuariam servindo a Elohim, embora seus vizinhos egípcios venerassem ídolos?

Os homens judeus tomariam egípcias por esposas, e as mulheres judias aceitariam homens egípcios por esposos, ou negar-se-iam a contrair matrimônio com não judeus?

Os judeus falariam hebraico entre eles, dando aos filhos nomes judaicos, ou começariam a falar egípcio e dariam nomes egípcios aos filhos?

E quando Elohim enviasse Moshê para libertá-los, os judeus aceitariam segui-lo a Terra de Israel ou prefeririam ficar no Egito por se sentirem bem ali?

  Elohim pôs o povo de Israel à prova de todas essas formas. Os judeus que não passaram por elas morreram no Egito. Somente aqueles que mereciam receber a Torá foram libertados do Egito.

O Midrash explica: Uma razão pela qual Elohim exilou o Povo de Israel no Egito

Nosso antepassado Yaacov tinha quatro esposas. Duas delas, Bil-ha e Zilpa, eram servas das outras duas, Rachel e Léa. Quando Yaacov casou-se com Bil-ha e Zilpa, deu-lhes a liberdade.
Os filhos de Léa, sem pena, desprezavam os filhos de Bil-ha e Zilpa. Zombavam deles, dizendo: "Vocês são filhos de escravas!"

  Elohim disse: "Levarei todos os filhos de Yaacov a uma terra estrangeira, o Egito. Os egípcios sentirão aversão pelos judeus e os escravizarão. Então, todos os judeus serão iguais e amigos entre si."
E assim aconteceu. Como os egípcios depreciavam todos os judeus, estes se tornaram amigos entre si. Quando saíram do Egito, todos os judeus se sentiam irmãos. Nem um só deles se acreditava melhor que qualquer outro judeu por descender de Rachel ou Léa, nem de Bil-ha ou Zilpa
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Como o Povo de Israel suportou a prova do exílio egípcio

Os descendentes de Yaacov, o Povo de Israel, não prosperaram muito entre os egípcios depois da morte de Yossef e seus irmãos.

Enquanto Yossef vivia e governava o país, havia ordenado ao Povo de Israel: "Fiquem no distrito de Goshen, longe dos egípcios!" Yossef sabia que os judeus não se misturariam com os egípcios e desta forma não venerariam ídolos como eles.

Quando Yossef morreu, seus irmãos continuaram advertindo os filhos e netos sobre preservar a herança do povo judeu.

Porém, depois da morte de todos os irmãos de Yossef, os judeus somente tinham a tribo de Levi para adverti-los de que não deveriam mesclar-se aos egípcios. Muitos judeus se afastaram de Goshen e se fixaram em outras partes do Egito. Logo aprenderam a inclinar-se perante o deus principal do Egito, a ovelha, e perante outros deuses animais egípcios. A maioria dos judeus começou a venerar ídolos, como seus vizinhos egípcios.

Porém, nenhum judeu contraiu matrimônio com mulher não judia, e nenhuma moça judia consentiu em casar-se com um egípcio. Os judeus não falavam egípcio entre si; somente falavam lashon hakodesh, hebraico. Também não deram nomes egípcios a seus filhos.

Porém, Elohim não estava satisfeito com os judeus. Queria que todos eles continuassem servindo somente a Ele. Quando preferiam misturar-se aos egípcios e agir como eles, Elohim fazia com que os egípcios odiassem os judeus. Queria que os judeus compreendessem que deviam fazer teshuvá (arrependimento), e deixassem de servir aos deuses egípcios.

Os egípcios ficam descontentes pelo grande número de filhos dos judeus

  Elohim havia prometido a Avraham que seus descendentes seriam tão numerosos como as estrelas. Começou a dar cumprimento a essa promessa aumentando a família de Yaacov. Ao chegar ao Egito, a família de Yaacov tinha somente setenta membros. Mas logo teve centenas, depois milhares, e logo centenas de milhares de judeus. Milhões de judeus. Como isso aconteceu?
  Elohim fez um milagre e as mães judias deram à luz não a um filho só, mas seis ao mesmo tempo! Logo existiam muitas famílias judias que tinham cinquenta ou sessenta filhos. E outras famílias tinham sessenta filhos homens e igual número de filhas. Imaginem o barulho, a emoção, e a diversão para as crianças, com tantos irmãos e irmãs!

Os egípcios comentavam furiosos, cada vez mais indignados. Esperavam uma oportunidade para ferir e destruir essas crianças


O Faraó obriga os judeus a tornarem-se seus escravos

O Faraó, o rei egípcio que vivia nessa época, era um homem malvado. Decidiu ser cruel com o povo judeu. Resolveu "esquecer" que um judeu, Yossef, havia certa vez salvado todo o Egito da morte por inanição, quando juntou o cereal necessário para alimentar todo o povo egípcio, e havia governado o país por oitenta anos.

O faraó disse aos conselheiros: "Devemos criar um plano para evitar que as judias tenham tantos filhos! Se as famílias continuarem crescendo da forma que estão fazendo agora, logo haverá mais judeus que egípcios, e os judeus poderão aliar-se a nossos inimigos e assumir o controle do país!"
O faraó e os ministros urdiram um terrível plano: transformariam os judeus em escravos que trabalhariam para eles noite e dia. Separariam os pais das famílias e os deixariam tão fracos que poucas crianças nasceriam.

Mas como o faraó faria para converter os judeus em escravos? Ele e os conselheiros tiveram uma idéia maligna.

Proclamaram o seguinte anúncio: "O faraó precisa construir novos edifícios para armazenamento de cereal. Necessita de grande número de trabalhadores para as obras. Espera que todos os cidadãos responsáveis se unam para ajudar! Todos os trabalhadores serão pagos."

Os egípcios disseram ao povo de Israel: "O que vocês, judeus, estão fazendo para ajudar nosso país? Também devem ajudar!"

Assim, os judeus começaram a trabalhar na construção de novos armazéns para o faraó.
Para estimular as pessoas a trabalharem, o próprio faraó se apresentou na obra no primeiro dia, pá na mão. Logo correu a notícia de que até o rei havia pessoalmente ajudado nas tarefas da construção. Animadas, mais e mais pessoas se apresentaram, entre essas todos os homens judeus, com exceção daqueles da tribo de Levi.

Os homens do faraó foram aos homens da tribo de Levi e perguntaram: "Não nos ajudarão na construção?" Mas eles se negaram. Responderam: "Somos os rabinos do povo judeu. Devemos estudar e ensiná-los. Não temos tempo para nenhum outro trabalho."

Quando os homens do faraó escutaram isso, não mais incomodaram os homens da tribo de Levi.
A princípio, o faraó pagava aos trabalhadores judeus. Ao cabo de certo tempo, porém, deixou de fazê-lo. Quando os judeus protestaram, os supervisores disseram: "O rei ordena que todos os judeus continuem construindo, mesmo sem salário!" Alguns judeus não se apresentaram mais para trabalhar, mas os supervisores conheciam o nome e endereço de cada um deles. Os policiais egípcios eram informados sobre todo judeu que faltava ao trabalho, e este era levado à força.
Os supervisores egípcios eram exploradores cruéis e desalmados. Obrigaram todos os judeus a trabalhar rapidamente e sem descanso. Se um judeu demorava porque estava cansado, era açoitado com um chicote e obrigado a trabalhar ainda mais rápido.

O faraó também designou policiais entre os judeus, cujo trabalho era conseguir que os judeus trabalhassem ao máximo de sua capacidade. Os policiais judeus tinham ordens de açoitar todo judeu que fosse lento no trabalho, mas se negaram a castigar seus irmãos judeus. Quando os supervisores egípcios viram que a polícia judaica se apiedava dos demais judeus e permitia-lhes fazer o trabalho mais lentamente, começaram então a açoitar os policiais judeus. Porém, estes judeus preferiam o chicote a golpear seus irmãos judeus.

Mais tarde, Elohim premiou estes heroicos policiais judeus. Chamou-os zekenim, anciãos do povo judaico.

O faraó dá permissão aos egípcios para empregar judeus como escravos


O faraó esperava escutar a notícia de que o Povo de Israel tinha cada vez menor número de filhos. Mas para sua desilusão, foi informado que o número de filhos era cada vez maior!

"Os judeus não trabalham com empenho suficiente!" concluiu o faraó. "Aí é que está o problema."
Por isso, o faraó fez um novo anúncio. "Todo egípcio pode levar os judeus que quiser, a fim de que trabalhem na sua casa ou na lavoura."

Os egípcios ficaram muito satisfeitos com essa nova ordem, pois agora podiam ter todos os escravos que quisessem para fazer seu trabalho.

Um egípcio podia simplesmente dizer a um judeu: "Preciso de alguém para tirar as pedras do meu jardim", ou "necessito plantar meu jardim, venha comigo!" e o pobre e exausto judeu deveria trabalhar para o egípcio à noite, quando terminasse o trabalho para o faraó.

Porém, a esperança do faraó de que cada vez houvessem menos filhos para os judeus não se cumpriu. As famílias judias continuaram crescendo. De tal modo cresceram que o faraó aprovou um novo decreto. A princípio, os homens do faraó forneciam aos judeus os tijolos para a construção.
Agora o faraó queria que os judeus fabricassem seus próprios tijolos. Deviam reunir o material para fabricar os tijolos, exceto a palha, que seria fornecida pelo faraó. Esta nova exigência tornou o trabalho dos pobres escravos judeus muito mais difícil.

Mas os planos do faraó não tinham êxito. As famílias judias se multiplicavam cada vez mais.
Quando o faraó se deu conta disso, urdiu um plano novo e terrível. De agora em diante, tomaria os cuidados para que todos os varões judeus recém-nascidos fossem assassinados secretamente!


O faraó ordena às parteiras que matem em segredo os judeus recém-nascidos

O faraó ordenou que trouxessem ao palácio as duas mulheres judias encarregadas de ajudar as mães a ter os bebês. Chamavam-se Shifra e Puá.

Ordenou-lhes: "Shifra e Puá, façam com que não nasçam mais meninos judeus vivos! Quando forem chamadas à casa de uma judia prestes a dar à luz e for um menino, asfixiem-no e digam à mãe: "Sentimos muito, mas seu filho nasceu morto!"

O faraó pensou: "Pronto, não haverá mais meninos judeus."

Por que o faraó ordenou a morte somente dos varões? Poderia ter ordenado a morte de meninas! Mas os sábios feiticeiros o haviam avisado: "vemos nas estrelas, Majestade, que está para nascer um menino que libertará todos os escravos judeus e os tirará do Egito." Por isso, o faraó decidiu matar todos os meninos judeus, na esperança de que o futuro líder se encontrasse entre eles. Não ocorreu ao faraó que as parteiras pudessem desobedecer-lhe. Afinal, bem se sabia no Egito que todo aquele que se atrevesse a desobedecer o poderoso faraó seria condenado à morte.
Acontece que Shifra e Puá decidiram ignorar a ordem, pois eram tsadikaniot, mulheres de bem. Afirmaram: "Estamos dispostas a morrer antes de matar meninos judeus, Elohim nos livre!"

Quando o faraó ficou sabendo que nenhum menino judeu estava nascendo morto, chamou Shifra e Puá para repreendê-las: "Por que estão deixando viver os meninos judeus?"

Elas responderam: "Não é nossa culpa, Majestade. Nunca somos chamadas a tempo. As mulheres judias fazem Tefilá (rezam) para que seus filhos nasçam rapidamente e em paz. Quando nos chamam já é demasiado tarde; os bebês já nasceram!"

 Elohim recompensou Shifra e Puá com bênçãos pela sua coragem em desobedecer as ordens do faraó. Seus descendentes se converteram nos líderes do povo judeu: cohanim, leviyim e reis.

Os meninos judeus são arremessados ao Rio Nilo


O faraó e seus assessores compreenderam que não podiam mandar matar os meninos judeus em segredo, de modo que decidiram assassiná-los abertamente.

O rei proclamou: "De agora em diante, todos os varões judeus serão jogados ao Nilo!"

Como o faraó imaginou que as mães judias esconderiam seus filhos recém-nascidos, ordenou aos egípcios que se mudassem para casas vizinhas às dos judeus para espioná-los e saber quando uma mulher judia estava prestes a dar à luz. Então deviam informar à polícia egípcia, e a casa judaica era registrada assim que nascesse o bebê. Se fosse menino, levariam-no e o afogariam no rio. Os egípcios ajudaram o faraó, vigiando os judeus. Diziam aos filhos: "sigam as mulheres judias para todos os lados, assim saberão quando estão prestes a dar à luz."

As egípcias também ajudaram o faraó da seguinte maneira: quando um policial egípcio ia procurar um menino judeu num lugar assinalado e não o encontrava, as mulheres egípcias levavam seu próprio filho ao lugar. Beliscavam a criança para que chorasse, e quando o menino judeu escutava o choro, também começava a chorar. Assim, era descoberto e levado para ser jogado ao Rio Nilo.

Como Elohim salvou os meninos judeus


 Elohim fez um milagre para o povo judeu. Os meninos jogados ao rio não se afogavam. Ao contrário, o rio os arrastava até umas cavernas perto de uns campos, longe das cidades egípcias. Ali, Elohim se ocupava com os meninos. Colocou duas pedras junto à boca dos pequenos. De uma delas fluía leite, e da outra mel. Os meninos cresciam, alimentados por Elohim, e logo regressavam às casas de suas famílias.

Outro Midrash explica que Elohim salvava os meninos mantendo-os vivos milagrosamente no Rio Nilo. Elohim permitia que pudessem respirar na água como peixes, e tiravam o sustento do rio. Assim, quando o faraó cancelou o decreto, os meninos saíram vivos do rio.

Desse modo, os malvados planos do faraó não tiveram êxito.


Nasce Moshê

Um dos líderes do povo judeu nesse momento era o tsadic (justo) Amram, da tribo de Levi. Era tão justo que não havia jamais cometido um só pecado na vida. Sua esposa Yocheved era também uma grande tsadeket (justa). Tinham uma filha de seis anos, Miriam, e um filho de três, Aharon.

No dia em que Yocheved estava para dar à luz a outro menino, os astrólogos e sábios do faraó o advertiram: "Lemos nas estrelas que hoje nascerá o menino que tirará os judeus do Egito." Porém, os egípcios nunca puderam descobrir o filho de Amram e Yocheved. Esta o escondeu em casa por três meses. Porém, temerosa de que os egípcios tivessem visto algo, buscou outro esconderijo.

Yocheved pensou: "Talvez, se ocultar meu filho no rio, os astrólogos do faraó vejam nas estrelas que o menino que os preocupa foi jogado ao rio. Talvez assim o faraó cancele a ordem de atirar os meninos judeus no rio."

Moshê no Rio Nilo

A mãe de Moshê arrumou uma caixa de madeira e colocou uma tampa. Para impermeabilizá-la, cobriu-a com breu por fora e com argila por dentro. Pôs a caixa no Rio Nilo entre os juncos que cresciam às margens, onde poderia ser vista pela gente que passava perto do rio.

A irmã de Moshê, Miriam, decidiu permanecer perto da margem do rio para ver o que aconteceria ao irmãozinho. Passaram-se vinte minutos e ninguém notou a caixa que flutuava no rio.

Mas quem se aproximava agora? Miriam viu que se tratava de uma dama egípcia da alta nobreza, seguida pelas criadas. Quem poderia ser? Quando se aproximou, Miriam viu que era a filha do faraó, a princesa Batia, que vinha banhar-se no Nilo. Podem imaginar como bateu o coraçãozinho de Miriam, quando viu que Batia mergulhava no rio, não muito distante da caixa com seu irmãozinho dentro?

Miriam observou ansiosamente, para ver se Batia descobriria o menino. Pois não é que descobriu?
"Que será isso que flutua entre os juncos?" exclamou a princesa.

Ordenou às criadas: "Tragam-me essa caixa! Como se negassem, Batia estendeu o braço para alcançá-la. Era impossível para Batia alcançar a caixa, que estava fora de seu alcance, mas ela tentou de todas as maneiras. Elohim fez um milagre: seu braço se esticou até alcançar a caixa, e Batia pôde abri-la. Surpreendeu-se ao encontrar um menino dentro.

Que lindo bebê! Batia ficou encantada, e não sabia o que fazer com ele. Elohim enviou o anjo Gabriel para que desse uma palmada no menino, que começou a chorar; Batia sentiu pena dele. "Rápido, corram!!" ordenou às criadas. "Este menino deve ser um judeu, e está morrendo de fome. Tragam uma ama de leite para que o amamente!"

As moças regressaram com uma ama egípcia, mas para surpresa de todos, o bebê fechava a boca com força e não quis mamar do seu peito. Batia ordenou quer trouxessem outra ama egípcia para amamentar o nenê, porém uma vez mais ele cerrou a boca e se negou a mamar. Miriam estava observando a cena desde o começo. Neste momento, perguntou: "Trago uma ama judia? Talvez o menino aceite seu leite."

Quando a princesa consentiu, Miriam correu para casa e trouxe a sua própria mãe, Yocheved. Naturalmente, o pequeno mamou o leite de sua mãe!

Moshê no palácio do faraó

Você acaba de saber quem era o menino. Não era outro senão Moshê. Na verdade, este nome foi-lhe dado pela princesa Batia. Chamou-o assim porque a palavra Moshê significa "tirei-o da água", e Batia o havia encontrado no rio.

Batia disse à mãe de Moshê: "Fique com o menino em sua casa e o amamente até que eu vá buscá-lo para levar ao palácio, e te pagarei por isso."

Dois anos depois, a princesa reconheceu Moshê e o levou ao palácio do faraó. Cuidava muito bem dele. Amava o menino como se fosse seu próprio filho. Seu pai, o faraó, também se encantou com o bebê e sempre brincava com ele.

Moshê tira a coroa do faraó

Certa vez, o pequeno Moshê estava sentado sobre os joelhos do faraó. De repente, esticou a mãozinha, tirou a coroa do faraó, e a colocou sobre a própria cabeça.

Podem imaginar o alvoroço que se produziu na corte? Um ministro advertiu o faraó: "Majestade, este menino, embora pequeno, já está lhe tirando a coroa! Quando crescer, tirará todo o reino! Talvez seja este o menino que os feiticeiros diziam que levaria os judeus do Egito. Mate-o agora mesmo e não se converterá num inimigo poderoso para o senhor!

Outro ministro interpôs-se: :Majestade, é um exagero dar tanta atenção aos atos de uma criança. Todos os pequeninos gostam de brincar com objetos brilhantes. Ele tomou sua coroa simplesmente porque pensou que era um objeto agradável e brilhante para brincar."

Para por fim à discussão entre os ministros, decidiram por o pequeno Moshê à prova, e descobrir porque havia tirado a coroa do faraó. Compreendia ele a importância da coroa ou estava só brincando? Se a prova mostrasse que Moshê havia tomado a coroa do faraó com um propósito determinado, seria morto.

Colocaram diante de Moshê duas vasilhas: uma cheia de moedas de ouro e outra de carvões acesos e resplandecentes. Escolheria Moshê o ouro ou os carvões ardentes? Se escolhesse as moedas de ouro, demonstraria que tinha inteligência suficiente para compreender que o ouro era mais valioso que o carvão. Se era tão inteligente, isso queria dizer que compreendia o valor da coroa e que a havia colocado sobre a própria cabeça de propósito. Porém, se escolhesse o carvão por causa de seu esplendor, demonstraria ser apenas uma criança que se sentia atraída pelo brilho da coroa.
Moshê era um menino muito esperto. Sabia que o ouro era muito mais valioso que o carvão, e estendeu a mãozinha para o ouro. Mas Elohim enviou o anjo Gabriel para que empurrasse a mão de Moshê até o recipiente cheio de carvões ardentes. Moshê pegou um, e, vendo que estava muito quente para segurá-lo, levou-o à boca. O carvão ardente queimou-lhe a língua, e desde esse dia Moshê teve dificuldades para falar.

Moshê cresce

Moshê cresceu no palácio do faraó. Embora fosse tratado como um príncipe e pudesse desfrutar de todos os prazeres da corte egípcia, Moshê estava sempre triste, tão triste que chorava sem parar. Havia descoberto que era judeu, e sentia-se consternado ao ver como o faraó tratava cruelmente a seus irmãos, os judeus. Moshê se negou a desfrutar dos prazeres do palácio enquanto outros judeus sofriam e trabalhavam duramente.

Então, Moshê pediu ao faraó que o deixasse supervisionar os escravos judeus, e a cada vez que visitava um lugar onde via os judeus trabalhando, ajudava-os secretamente no que fosse possível. Com o pretexto de ajudar o faraó, Moshê os ajudava a carregar fardos ou a terminar um trabalho. Angustiava-se terrivelmente ao ver que os judeus sofriam tanto.

Os planos de Moshê para dar aos judeus um dia de descanso


Moshê estava constantemente pensando na forma de aliviar o trabalho dos judeus, e finalmente elaborou um plano.

Foi ver o faraó e lhe disse: "Tenho observado os judeus trabalhando e devo informar-lhe que estão a ponto de sofrer um colapso. Aí, não terão mais utilidade, pois o senhor os obriga a trabalhar sem descanso. Nenhum escravo pode trabalhar semana após semana, mês após mês."

"Tens alguma sugestão para evitar que sofram um colapso?" perguntou-lhe o faraó.

"Creio que se lhes permitisse descansar um dia por semana", sugeriu Moshê, "lhes daria a oportunidade de reunir força suficiente para trabalhar melhor o restante do tempo."

O faraó aceitou o plano de Moshê. Quando permitiu a Moshê escolher um dia da semana,que dia acham que escolheu? Sim, foi o Shabat. Embora a Torá ainda não tivesse sido outorgada, Moshê sabia que o Shabat era um dia santo. Sabia que Avraham, Yitschac, Yaacov e Yossef descansavam no Shabat.

Segundo outro Midrash, o faraó descobriu que qualquer edifício que os judeus levantavam no Shabat, caía imediatamente.

O faraó perguntou desconfiado: "Por que os edifícios construídos no sétimo dia não duram?"
Moshê explicou ao faraó: "Porque não lhes permite descansar neste dia!"

Desde então, o faraó liberou o Povo de Israel de trabalhar no Shabat.


Moshê mata um egípcio

Certo dia, quando Moshê tinha vinte anos, chegou ao lugar onde trabalhavam os judeus e se deparou com um espetáculo pavoroso! Um supervisor egípcio estava chicoteando selvagemente um judeu!
Moshê sabia que precisava detê-lo rapidamente ou ele mataria o judeu. Decidiu que o malvado egípcio não merecia viver, mas pensou que poderia ter filhos ou netos que fossem bons. Embora Moshê fosse jovem, era um grande tsadic (justo) que tinha um poderoso ruach hacodesh, um dom de Elohim que lhe permitia ver o futuro de uma pessoa. Moshê previu que este egípcio era um malvado da pior espécie, e que seus filhos e descendentes que pudesse ter seriam reshaim (malvados).

Moshê conhecia o segredo de matar uma pessoa invocando o nome de Elohim, pois Elohim havia enviado um anjo para que o ensinasse. Pronunciou um dos nomes santos de Elohim, com 42 letras, e o egípcio caiu morto.

Moisés rapidamente sepultou o egípcio na areia e advertiu os judeus que haviam presenciado a cena: "Não digam uma palavra do que viram aqui."

No dia seguinte, Moshê voltou a esse lugar. Havia problemas novamente. Dois homens estavam lutando, e um havia levantado a mão para golpear o outro. Quando Moshê se aproximou, viu que eram judeus. Eram dois reshaim (malvados) chamados Datan e Aviram.

"Parem!" ordenou Moshê a Datan, o judeu que levantava a mão contra o outro. Por que faz isso? Nenhum judeu pode golpear outro!"

Datan replicou com insolência: "És muito jovem para me dar ordens! E mesmo que fosses mais velho, quem te nomeou juiz sobre nós? Ou talvez queres matar-me como fez ontem com o egípcio!"
Quando Moshê escutou essas palavras, sentiu-se desolado. Datan mencionara em voz alta o fato de que matara o egípcio. Por acaso Moshê não advertira os judeus a guardar segredo e não falar lashon hará (palavras maliciosas) sobre ele? Moshê temia que Elohim não iria tirar os judeus do Egito por pecar, falando lashon hará!

Os dois reshaim (malvados), Datan e Aviram, ficaram tão furiosos porque Moshê apartara sua briga, que se apressaram em ir ao palácio e informar ao faraó; "Moshê assassinou um supervisor egípcio!"
O faraó deu ordens para deterem Moshê e o condenou à morte. O carrasco quis brandir sua poderosa espada no pescoço de Moshê, mas Elohim fez um milagre: seu pescoço ficou duro como uma pedra, e a espada voltou-se para trás, matando o carrasco. Então Elohim deixou o faraó mudo, para que não pudesse falar e dar ordens de matar Moshê, e deixou as pessoas cegas, para que não vissem sua fuga.


Moshê se refugia na casa de Yitrô

Moshê saiu da terra do Egito, porque o faraó era poderoso e tinha espiões em toda parte. Viajou a países distantes por muitos anos, até que chegou à terra de Midyan. Enquanto descansava junto a um poço, viu sete irmãs com um rebanho de ovelhas que se aproximavam do poço. Uns pastores que estavam por perto não permitiram que as moças dessem de beber às ovelhas, e jogaram as irmãs dentro do poço.

Quando Moshê viu o ocorrido, tirou as moças do poço e deu água às suas ovelhas. Também ajudou os pastores a dar de beber aos animais. As irmãs agradeceram e foram para casa. Ao chegarem, o pai, Yitrô, lhes perguntou: "Por que chegaram tão cedo hoje? Sempre chegam tarde, pois os pastores as tratam mal e não as deixam dar água às ovelhas."

"Hoje um estranho, um egípcio, nos ajudou," explicaram elas. "Tirou-nos do poço e deu de beber às ovelhas."

"Trata-se, sem dúvida, de um homem muito bondoso", disse Yitrô. Vão buscá-lo e convidem-no a jantar conosco."

Moshê foi à casa de Yitrô.

"Quem és, e o que fazes em Midyan?" perguntou-lhe Yitrô.

Quando Moshê explicou que estava fugindo do faraó porque este queria matá-lo, Yitrô se assustou porque temia que o faraó o castigasse por dar abrigo a Moshê. Assim, Yitrô ordenou aos serventes que colocaram Moshê em um poço perto da casa, e o mantiveram ali por dez anos. Todos os dias, Tsiporá, uma das filhas de Yitrô, levava-lhe comida, e assim Moshê pôde sobreviver. Finalmente, dez anos depois, Yitrô o libertou.

O maravilhoso cajado de Moshê

Quando Elohim criou os céus e a terra e tudo que há neles, criou também um maravilhoso bastão de safira, que deu a Adam, o primeiro homem, que viveu por 930 anos. Adam o entregou a seu tataraneto, o tsadic Chanoch, que havia nascido quando Adam tinha 622 anos. Chanoch o deu a Metushelach, que por sua vez o deu a Noâch. Noâch o deu a Avraham, que o deu a Yitschac, que o deu a Yaacov, que o deu a Yossef. Quando Yossef morreu, Yitrô, que era conselheiro na corte do faraó, o tomou porque percebeu o quão importante era. Yitrô o cravou na terra de seu jardim, no fundo da casa. Porém, quando o bastão foi plantado ali, ninguém, por mais forte que fosse, não conseguia tirá-lo. Yitrô proclamou: Se algum homem conseguir tirar o bastão da terra, dar-lhe-ei uma de minhas filhas por esposa!" Mas ninguém conseguia. Quando Moshê saiu do cárcere de Yitrô, tirou o cajado. Guardou-o com ele.

Moshê se casa com Tsiporá

Yitrô deu a Moshê a mais especial de suas filhas, Tsiporá, que era uma grande tsadeket (justa). Esta deu à luz um filho, a quem Moshê chamou Gershon, e logo outro, Eliezer.

Moshê ficou vivendo com Yitrô e se ocupou em cuidar das ovelhas


Elohim fala com Moshê de um arbusto ardente

Os pastores só levam as ovelhas e cabras a pastarem o mais perto possível de casa. Moshê, ao contrário, não fazia assim. Todos os dias levava as ovelhas de Yitrô muito longe, longe das cidades povoadas, pois temia que os animais comessem pasto de alguma outra pessoa, e isso seria roubar. Moshê somente ia com o rebanho em campo aberto, onde a terra não pertencia a ninguém.

Estava chegando a hora de liberar o Povo de Israel do Egito. Apenas Elohim sabia quando chegaria este momento. Pois como Moshê era um tsadic (justo) tão especial, Elohim decidiu elegê-lo líder dos judeus.

Certa vez Moshê conduzia as ovelhas por um campo deserto, e viu um fato inusitado: numa colina havia um arbusto espinhoso que estava se incendiando, sem que os ramos fossem destruídos pelo fogo. Moshê olhou com mais atenção e viu um segundo milagre: apenas parte do arbusto estava se incendiando, e o fogo não tocava a outra parte de jeito nenhum.

Moshê ficou admirado pelo maravilhoso espetáculo. Havia outros pastores junto a Moshê, mas apenas o tsadic (justo) Moshê podia ver o maravilhoso arbusto, e somente ele escutou um anjo de Elohim que o chamava para que se aproximasse do arbusto.

Quando Moshê chegou perto, Elohim lhe ordenou: "Não chegue muito perto! Tire os sapatos, pois estás parado em terra santa!."

A colina era santa pois a shechiná (Divindade) de Elohim estava sobre ela. Voltaria a ser sagrada no ano seguinte quando Elohim entregaria os Dez Mandamentos ao Povo de Israel sobre esta colina. (Pois a colina onde Moshê vira o arbusto ardente não era outra senão o Har Sinai -Monte Sinai).
 Elohim disse a Moshê: "Escutei o Povo de Israel chorando por causa do duro trabalho no Egito. Vi que fizeram teshuvá (arrependimento) em seus corações. Vou libertá-los. Vá ao faraó e ordene-lhe: "Deixe partirem os judeus. Você os guiará para fora do Egito."

"Sou uma pessoa muito insignificante," protestou Moshê. "Por que haverias Tu, Elohim, de eleger-me o líder que tirará os judeus do Egito? Elege um homem mais importante! Quem sou eu para que o faraó me escute e me permita sair para a terra Santa? Pode estar furioso comigo por ter matado um egípcio – pode até prender-me ou executar-me!"

"Não temas!" tranquilizou Elohim a Moshê. "Estarei a teu lado para assegurar teu êxito em liberar o Povo de Israel do Egito. Prometo que o faraó não te fará mal. Esta é uma das razões por que te mostrei a sarça ardente. Foi um sinal: assim como o arbusto não sofreu dano por causa do fogo, não serás prejudicado pelo faraó."

Moshê fez outra pergunta: "Se eu disser ao Povo de Israel que me ordenastes tirá-los do Egito, não me acreditarão. Dirão: Elohim nunca apareceu para você! Não acreditamos em você!’"

 Elohim ficou irado com Moshê por não confiar nos judeus; por pensar que não lhe dariam crédito. Elohim esperava que Moshê compreendesse que os judeus eram um povo santo que confiaria nele, pois haviam aprendido de seu antepassado Yaacov e de Yossef, sobre o redentor que Elohim enviaria.’
"Como temes que o Povo de Israel não confie em ti, dar-te-ei três sinais", disse Elohim a Moshê.
"Estas serão as provas para o Povo de Israel de que foste enviado por Mim."

O primeiro sinal

  Elohim perguntou a Moshê: "Que levas nas mãos?"

"Um cajado," disse Moshê.

"Joga-o no solo!"

Quando Moshê jogou o cajado, este se transformou em uma serpente. Moshê se assustou tanto com a perigosa serpente que se movia em sua direção que começou a correr.

Mas Elohim ordenou-lhe: "Pega a serpente pela cabeça!"

Quando Moshê fez o que Elohim lhe ordenava, a serpente transformou-se em cajado novamente. Era sem dúvida um sinal maravilhoso que convenceria os judeus de que deveriam crer nas palavras de Moshê. Porém, Elohim havia também escolhido este sinal para demonstrar a Moshê que estava aborrecido com ele, por haver falado mal de Bnei Israel ao dizer: "Não crerão em mim!" Desse modo, Moshê havia agido como a serpente no Gan Eden (paraíso) que havia falado lashon hará (calúnias) sobre Elohim a Chava. Para que Moshê tomasse consciência de seu erro, Elohim utilizou uma serpente como primeiro sinal.

O segundo sinal

  Elohim ordenou a Moshê: "Põe tua mão sobre o peito!"

Moshê pôs a mão dentro da túnica. Quando a retirou, estava branca como a neve. Estava coberta da doença cutânea conhecida como tsara’at. Quando uma pessoa contraí essa doença, a pele fica toda branca.

Logo D’us ordenou a Moshê: "Coloca novamente tua mão dentro da túnica."

Desta vez, quando Moshê a tirou, a mão estava com sua cor normal novamente.
  Elohim disse: "O sinal de tua mão doente será o sinal que mostrarás ao Povo de Israel."

Este sinal era uma nova prova de que Moshê não deveria ter falado sobre Bnei Israel; "Não me acreditarão!" Como Moshê havia falado mal dos judeus, Elohim o havia castigado com uma enfermidade com que Elohim castiga as pessoas que falam calúnias.

O terceiro sinal


  Elohim deu a Moshê outro sinal para que mostrasse ao Povo de Israel. Disse-lhe: "Toma um pouco de água do Rio Nilo e joga-a sobre o solo e se transformará em sangue."

Mesmo depois de receber estes três sinais do próprio Elohim, Moshê não estava pronto para ir até o faraó.

"Meu irmão Aharon sentir-se-á mal se eu me transformar no líder do povo judeu, e não ele! Ele é um navi (profeta) a quem Tu tens falado e enviado mensagens ao povo judaico. Não sou digno de comparecer perante o faraó, pois tenho dificuldades para falar."

Mas Elohim insistiu que Moshê fosse o líder de Bnei Israel. "Teu irmão Aharon te acompanhará na visita ao faraó e ao povo de Israel," disse-lhe. "Ele falará diretamente com o faraó. Tu falarás lashon hakôdesh (hebraico) e ele traduzirá tuas palavras para o egípcio.Leva contigo o cajado, pois com ele farás milagres!


Moshê é castigado por demorar a fazer o brit milá (circuncisão) de seu filho

Moshê disse à esposa: "Elohim me ordenou regressar ao Egito."

Moshê pegou a esposa e o filho, Gershon, junto com o bebê recém-nascido, de oito dias de idade, e os sentou sobre uma mula. Todos empreenderam viagem ao Egito.

Na verdade chegara o momento de fazer a circuncisão do menino recém-nascido, Eliezer. Mas Moshê pensou: "Se eu fizer o brit milá agora, será perigoso que viaje em seguida. E Elohim me ordenou viajar ao Egito. Primeiro devo obedecer a ordem de Elohim e fazer logo a circuncisão do menino."

Quando Moshê e Tsiporá estavam para chegar ao Egito, Moshê preparou um lugar para a família passar a noite.

Mas Elohim esperava que Moshê, agora que a família estava perto do Egito, fizesse a circuncisão antes de qualquer outra coisa. Moshê deveria ter preparado um lugar para dormir somente depois de cumprir com a mitsvá de milá.

Por causa disso, Elohim enviou um anjo para que castigasse Moshê. Uma serpente, começou a enroscar-se em Moshê. Quando Tsiporá entendeu o que isto significava, rapidamente tomou um instrumento afiado e fez a circuncisão no filho. Imediatamente, o anjo libertou Moshê.

Esta história contém duas lições;

  1. Vemos que grande tsadic (justo) era Moshê. Elohim foi tão severo com ele por demorar a cumprir uma mitsvá, simplesmente pela estatura de Moshê, um grande homem.
  2. Aprendemos desta passagem a importância da milá. Assim como o castigo por não cumprir a mitsvá é severo, o zechut (mérito) por cumpri-la é enorme. A mitsvá da milá é, em alguns modos, tão importante como todas as outras mitsvot da Torá juntas!
Aharon vai ao encontro de Moshê e sua família
 

Elohim disse ao irmão de Moshê, Aharon: "Moshê está chegando ao Egito. Vá ao seu encontro."
Aharon foi ao encontro do irmão. Beijou Moshê, feliz por este ter se tornado o líder do povo judeu. Embora Aharon fosse mais velho, não invejou a alta posição de seu irmão mais jovem. Quando Aharon viu a esposa e os filhos de Moshê, disse: "Por que os trazes ao Egito? Os judeus ali sofrem muito por causa da crueldade do faraó. Seria melhor que voltassem a Midyan."

Moshê escutou o conselho do irmão. Algum tempo depois, levou a família de volta a Midyan e logo regressou ao Egito sozinho.

Moshê e Aharon falam com Bnei Israel

Moshê e Aharon reuniram os zekenim, os líderes do Povo de Israel. Aharon lhes falou. Explicou a eles que Elohim havia enviado Moshê para tirar os judeus do Egito. Os zekenim transmitiram a mensagem a todos os judeus. Todos acreditaram. Inclinaram-se para agradecer a Elohim que em breve os libertaria.

Logo Moshê e Aharon foram ao palácio do faraó para ordenar ao rei, em nome de Elohim, que pusesse o Povo de Israel em liberdade. 


Os milagres que aconteceram quando Moshê e Aharon entraram no palácio

A entrada do palácio era guardada por animais selvagens: ursos ferozes e leões. Estes destroçavam todo aquele que entrava sem permissão. Mas quando Moshê e Aharon entraram, os animais ficaram dóceis como ovelhas. Agacharam a cabeça e seguiram docilmente a Moshê e Aharon por toda a parte.

Antes de entrar na sala do trono, os visitantes tinham que atravessar uma porta baixa. Em frente à porta havia um ídolo egípcio. Quando o visitante inclinava a cabeça para passar pela porta, automaticamente se inclinavam para o ídolo.

Mas para Moshê e Aharon a entrada se tornou milagrosamente mais alta. Embora eles fossem muito altos, puderam entrar na sala sem inclinar-se. O mesmo milagre também aconteceu em tempos anteriores, quando Yaacov fora visitar o faraó. Para ele, também, a porta ficara mais alta.

O faraó se nega a escutar

Moshê e Aharon ordenaram ao faraó em nome de Elohim: "Deixa o Povo de Israel sair do Egito". Mas o faraó zombou de suas palavras.

"Quem é Elohim? Não o conheço! O nome desse deus não está em nenhum de meus livros."
Moshê e Aharon explicaram ao faraó: "Elohim é o Elohim do povo judeu. Criou o mundo e o governa! Será melhor para ti que O escutes!"

Mas o faraó se negou a obedecer. Pelo contrário, tornou-se ainda mais cruel. Ordenou aos guardas: "Estes judeus estão ficando folgados, pois acreditam que logo sairão do país. Devemos, pois, fazer com que trabalhem mais ainda! Até agora lhes paguei para misturar o cimento e fabricar os tijolos. De agora em diante, cada judeu deverá conseguir sua própria palha! E diga-lhes que não podem fazer menos tijolos que antes!"

Esta foi, sem dúvida, uma ordem cruel. Os judeus se dispersaram por todo o Egito em busca de palha. Mas, naturalmente, isto levou tempo, e o tempo de que dispunham para fazer tijolos era menor. Os supervisores do faraó os açoitaram por obterem menos resultados. Ordenou aos policiais judeus que golpeassem todo judeu que fosse lento no trabalho. Porém, eles não obedeceram Quando os supervisores do faraó viram isso, açoitaram os policiais judeus, mas não conseguiram que batessem nos outros judeus.

Moshê ficou triste ao ver que os judeus sofriam ainda mais depois que ele havia falado com o faraó. Lamentou-se a Elohim:"Por que me enviaste ao Egito? Agora o faraó tornou-se ainda mais cruel com o Povo de Israel!"

  Elohim respondeu: "Em breve enviarei pragas sobre o faraó, e então o trabalho de Bnei Israel se tornará mais fácil. Finalmente, o faraó os fará sair do Egito com tal pressa que não terão tempo de assar pão para levar na viagem!"


Shabat Shalom!!!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Midrash Vaichi



Yaacov pede a Yossef que o enterre em Êrets Yisrael

Após muitos anos de dificuldades, Yaacov passou seus últimos anos no Egito, em paz e felicidade imperturbáveis. Viu Yossef soberano, e todos os filhos, sem exceção, tsadikim que seguiram sua senda.
A Torá define seus últimos dezessete anos como "Anos de Vida", pois o Espírito Divino pairava sobre Yaacov. Elohim compensou-o desta forma pelos vinte e dois anos que passara enlutado por Yossef. A Yaacov aplica-se o dito: "Tudo está bem, se termina bem."
Yaacov vivia com os filhos e netos no Egito, numa localidade chamada Goshen. Somente seu filho Yossef vivia na capital, porque era o governante.
Aos poucos, envelheceu e ficou mais fraco, até sentir que a morte se aproximava. Yaacov então pediu a Yossef que fosse visitá-lo. Disse a Yossef: "Quero que me faça uma promessa. Após minha morte, certifique-se de que eu não seja enterrado aqui no Egito! Leve meu corpo para Êrets Yisrael, a Terra Santa, e sepulte-me na Gruta de Machpelá onde estão meus pais, Avraham e Yitschac."
Yaacov ordenou isto a Yossef em vez de fazê-lo a qualquer dos outros filhos, porque sabia que não possuíam poder para realizar seu desejo. Apenas Yossef, o governador, poderia obter permissão do Faraó para deixar o Egito a fim de levar os restos mortais de seu pai a Êrets Yisrael. Yaacov fez Yossef jurar que faria isso por ele, e Yossef jurou.
Yaacov ficou feliz. Virou-se para a Presença Divina que pairava sobre sua cama (uma vez que a Divindade está presente sobre a cama de um enfermo) e curvou-se, agradecendo a Elohim por seu desejo ter sido concedido.

O Midrash explica: Por que Yaacov pediu para não ser sepultado no Egito, mas apenas em Êrets Yisrael

Yaacov tinha várias razões pelas quais não queria ser enterrado no Egito:
· Com seu dom profético previu que, um dia, Elohim enviaria dez pragas sobre os egípcios, e uma delas seria a praga dos piolhos. Os piolhos cobririam a terra do Egito e Yaacov não queria que seu corpo fosse coberto de piolhos.
· Yaacov temia que se fosse enterrado lá, seus descendentes considerariam o Egito sua pátria e terra natal. Ponderariam: "Se não fosse uma terra sagrada, não teria sido enterrado aqui." Queria que seus descendentes estivessem sempre conscientes do fato de que estavam no Egito apenas temporariamente.

Yaacov também tinha uma razão para desejar especificamente ser enterrado em Êrets Yisrael:
· Nossos sábios ensinam que aqueles que são enterrados em Êrets Yisrael serão os primeiros a levantar-se em Techiyat Hametim (ressurreição dos mortos).
Qual o destino de um judeu enterrado fora de Êrets Yisrael? Elohim criará túneis subterrâneos especiais. Através desses, o corpo irá revolvendo-se até Êrets Yisrael. Então reviverá na Terra Santa. Portanto, Yaacov instruiu Yossef: "Não me enterre no Egito. Gostaria de ser poupado de revolver-me até Êrets Yisrael na ressurreição dos mortos."

Pediu também a Yossef: "Quero descansar junto com meus pais, e levantar em boa companhia quando chegar a hora certa."
Um judeu deve fazer os arranjos necessários para ser enterrado perto de tsadikim, justos, a fim de estar perto deles na hora da ressurreição.

Yaacov foi o primeiro homem a ficar doente antes de morrer

Até a época de Yaacov, as pessoas estavam bem, e então, quando chegava a hora de seu falecimento, morriam subitamente. Ao final da vida, a pessoa espirrava uma vez, e com este espirro a alma deixava o corpo. (Por isso, quando alguém espirra, é costume desejar-lhe "Saúde!", para nos lembrar que certa vez, há muito tempo, o espirro era fatal, e agora, graças a Elohim, não é mais.)

Yaacov rezou a Elohim: "Se uma pessoa morre subitamente, não tem tempo de abençoar os filhos e dar-lhes instruções, nem resolver seus assuntos. Por favor, Elohim, permita que haja um tempo preparatório de doença antes da morte, para que seja possível cuidar da minha família e fazer todos os arranjos necessários."
Elohim aceitou a prece de Yaacov. Quando este ficou doente, sabia que estava na hora de abençoar os filhos e dar-lhes seus últimos ensinamentos.
Todos os nossos patriarcas formularam pedidos semelhantes a Elohim:
· Antes da época de Avraham, todas as pessoas tinham aparência jovem até falecerem. Avraham pediu a Elohim que lhe conferisse sinais de idade, argumentando: "Se pai e filho têm a mesma aparência, como as pessoas saberão qual honrar ao adentrarem juntos um recinto? Distinga um homem idoso através de sinais como cabelos brancos e rugas. Então as pessoas saberão a quem respeitar."

Elohim respondeu-lhe: "Você pediu algo bom! Por isso, começarei com você." Então Avraham começou a parecer-se com um idoso, e depois dele, toda a humanidade começou a apresentar sinais externos da idade.
· Antes de Yitschac, ninguém jamais sentira dor. Veio então Yitschac e pediu dor e sofrimento. Disse a Elohim: "Se alguém morrer sem a vivência da dor, ser-lhe-á aplicada toda a rigorosidade do julgamento Celestial. Dores neste mundo poupá-lo-ão da punição no Mundo Vindouro."
  Elohim respondeu: "Você pediu algo bom! Começarei por você!" Em seguida, Yitschac ficou cego.
o Yaacov pediu por doenças antes da morte.

Elohim disse: "Você pediu algo bom! Começarei com você!" Consequentemente, Yaacov tornou-se o primeiro homem a adoecer antes de falecer.
· Antes da época do rei Chizkiyáhu, ninguém se recuperava de uma doença fatal. Chizkiyáhu rezou a Elohim: "Se um homem permanecer saudável até sua morte, esquecerá de fazer teshuvá. Mas se alguém ficar gravemente enfermo, fará teshuvá, na esperança de recuperar-se."

Elohim disse: "Você pediu algo bom! Começarei com você!" Chizkiyáhu ficou gravemente doente, mas recuperou-se.
Este Midrash é um surpreendente guia para nossos dias e época. Se pudéssemos formular um desejo a Elohim, qual seria? Certamente, expressaríamos nosso desejo de juventude eterna, saúde, felicidade, e assim por diante. O Midrash nos conta que os patriarcas pediram justamente o contrário! Pediram para parecerem velhos, para terem dor e sofrimentos!

Por que reagiram de maneira diferente? A resposta é que atribuímos grande importância ao bem-estar neste mundo. Nossos patriarcas, contudo, estavam sempre cônscios de que o objetivo da existência é o Mundo Vindouro. Portanto, pediram o que quer que promovesse o bem-estar espiritual e rejeitaram tudo o que pudesse ser obstáculo ao bem-estar da alma.

Yaacov abençoa Efráyim e Menashê

Pouco depois, Yossef recebeu uma mensagem que dizia: "Seu pai está gravemente doente!" Esta notícia lhe foi trazida através de seu filho Efráyim, que frequentava a casa de Yaacov em Goshen, a fim de estudar Torá. Foi à capital egípcia para relatar a seu pai acerca da condição crítica de Yaacov.

Osnat, esposa de Yossef, aconselhou-o: "Receber uma bênção de um tsadic equivale a receber uma bênção de Elohim. Leve nossos filhos a Yaacov, a fim de que os abençoe!" Chamou imediatamente seus dois filhos, Efráyim e Menashê, e viajou com eles a Goshen.
Yaacov, debilitado pela doença, estava na cama quando o informaram: "Seu filho Yossef chegou." Fortaleceu-se e sentou na cama. Disse: "Apesar da pessoa que chegou ser meu filho, é também um rei." Yaacov também esforçou-se para sentar-se ereto, pois queria evitar que suas palavras pudessem ser consideradas as de um homem senil. Temia que, mais tarde, alguém alegasse:
"Yaacov deu suas bênçãos quando sua mente já não estava mais clara."

Yaacov prometeu a Yossef: "A você, Yossef, estou concedendo um presente especial. Tratarei você como um primogênito que recebe uma porção dupla. Não será contado apenas como uma tribo, mas seus filhos Efráyim e Menashê serão contados como duas tribos separadas!"
Yaacov aproveitou este momento para esclarecer a seu filho, porque estava incumbindo-o de levar seu corpo para ser enterrado em Êrets Yisrael sendo que não havia feito o mesmo com a mãe de Yossef. Ao contrário de todas outras matriarcas, Rachel fora enterrada no meio do caminho, em Bet Lêchem.
"Quando vim de Padan Aram, Rachel morreu. Sua morte me foi mais penosa que qualquer outra tribulação pela qual passei. Enterrei-a à beira da estrada. Sei que você se ressente disso desde que pedi-te para fazer o que falhei em realizar para sua mãe. Contudo, acredite-me, desejava tanto quanto você que ela fosse enterrada comigo na Gruta de Machpelá."
"Apenas diga uma palavra, pai, e ela será levada à Gruta de Machpelá," disse Yossef.
"Você não pode fazer isto, meu filho," retrucou Yaacov, "pois foi pela ordem de Elohim que enterrei-a em Bet Lêchem. Elohim revelou-me que, no futuro, Benê Yisrael serão exilados por Nevuchadnêtsar, (Nabucodonosor) o rei da Babilônia e em seu caminho passarão pelo túmulo de Rachel. Então sua mãe Rachel suplicará a Elohim que tenha misericórdia deles, e Ele aceitará a oração dela."
Quando Yossef entrou com seus dois filhos, Yaacov perguntou: "Quem são esses?" Yaacov não podia enxergar bem devido à idade avançada e não os reconheceu.
"Estes são meus filhos," respondeu Yossef.
"Traga-os mais perto e eu os abençoarei," Yaacov disse.
Yossef colocou Menashê, o filho mais velho, à direita de Yaacov, e o filho mais novo, Efráyim, à sua esquerda.
Yaacov pousou as mãos sobre a cabeça dos netos - mas de maneira estranha: ao invés de colocar a mão direita sobre a cabeça de Menashê, que estava à sua direita, e a mão esquerda sobre Efráyim, Yaacov cruzou os braços. Sua mão direita ficou sobre a cabeça de Efráyim e a esquerda, sobre Menashê.
Antes que Yossef pudesse protestar, seu pai iniciou a bênção:
"Que Elohim, que sempre enviou Seu anjo para proteger-me, envie também Seu anjo para abençoar estes rapazes. Que eles sempre mereçam ser chamados de filhos de Avraham, Yitschac e Yaacov. E assim como o peixe se multiplica nas águas, possam os filhos de Yossef tornar-se fortes e se multiplicarem na Terra (de Êrets Yisrael)."
Yossef pensou que seu pai confundira as idades dos seus filhos. Pegou a mão do pai para colocá-la sobre a cabeça de Menashê. "Não é assim, meu pai," explicou Yossef. "Este é que é o primogênito! Coloque a mão direita sobre sua cabeça!"
Yaacov retrucou: "Yossef, você acha que não estou consciente de um fato tão óbvio para você? O meu dom profético me revela coisas que você nunca me disse. Sei que você foi vendido. Sei dos motivos de Reuven, quando pecou. Sei dos pensamentos de Yehudá quando aproximou-se de Tamar. E você pensou que eu não saberia qual de seus filhos é o mais velho?
"Troquei as mãos de propósito," explicou ele. "Tanto Menashê como Efráyim terão descendentes notáveis. Mas Efráyim, o mais jovem de seus filhos, será mais famoso. Terá um descendente, o grande líder Yehoshua, que trará os judeus até Êrets Yisrael e um dia fará com que o sol fique parado no firmamento enquanto luta contra seus inimigos. Coloquei minha mão direita sobre Efráyim
porque sei que a tribo de Efráyim tornar-se-á mais importante."

"A bênção de Efráyim e Menashê servirá de modelo a todos os pais judeus ao abençoarem seus filhos: 'Possa Elohim torná-los como Efráyim e Menashê!'"
Porque Efráyim e Menashê foram escolhidos como exemplos para todas bênçãos futuras concedidas de pais para filhos, em vez de Avraham, Yitschac e Yaacov? A resposta é que os primeiros judeus nascidos e educados no exílio e que permaneceram leais à Torá, a despeito do ambiente egípcio foram Efráyim e Menashê. Por isso, são os nossos modelos.
Após abençoar os filhos de Yossef, Yaacov anunciou: "Estou prestes a morrer, mas Elohim estará com vocês, e enviar-lhe-á Seu redentor, para libertá-los do exílio egípcio. Revelarei a vocês sinais através dos quais poderão identificar o verdadeiro redentor: ele pronunciará a expressão ‘pacod yifcod’ (‘Eu Me lembrei’)."
(Antes do seu próprio falecimento, Yossef, transmitiu esta mensagem de Yaacov a Serach, a filha de Asher, neta de Yaacov, que sobrevivera a todos os outros membros de sua geração. Ela ainda estava viva na época em que Moshê chegou ao Egito. Revelou a Benê Yisrael: "Se ele pronunciar as palavras pacod yifcod, é o verdadeiro mensageiro de Elohim!" Por isso, assim que o povo ouviu estas palavras da boca de Moshê, acreditaram nele e em sua missão.)
Yaacov prometeu a Yossef: "Como recompensa por você ter tido o trabalho de levar-me a Êrets Yisrael para enterrar-me, eis que te concedo a cidade de Shechem como teu local de sepultura (além da porção de terra que receberá com teus irmãos). Tomei Shechem das mãos do emoritas na época em que levantei-me com arco e flecha para ajudar Shimon e Levi, após terem aniquilado Shechem."

Yaacov abençoa seus doze filhos


Yaacov reuniu todos os doze filhos a fim de dar-lhes a bênção de despedida. Rezou para que Elohim ouvisse as orações de seus filhos em tempos de necessidade. Então profetizou: "Vocês serão reunidos na época da redenção do Egito, e sairão de lá eretos e de cabeça erguida. Purifiquem-se, para que minhas bênçãos tenham efeito! Permaneçam juntos e unidos, então serão merecedores da definitiva redenção, através de Mashiach!"
Quando todos os filhos estavam ao redor do leito paterno, ele anunciou-lhes: "Agora revelarei um
segredo a vocês. Contarei quando Mashiach virá ao final do exílio."

Mas quando Yaacov quis continuar falando, não pôde. Elohim não lhe permitiu, porque não queria que os judeus soubessem a data da chegada de Mashiach.
Yaacov ficou preocupado. "Por que Elohim tirou de mim a profecia, para que eu não pudesse falar
mais?" - pensou ele. Talvez seja porque um de meus filhos não seja um tsadic?! Talvez um ou alguns deles adorem ídolos, como seu antepassado ou seu avô Lavan fez?"

Yaacov perguntou aos filhos: "Vocês servem apenas a Elohim?"
Todos responderam juntos: "Shemá Yisrael Hashem Elokênu Hashem Echad - Ouve, ó Israel (Yaacov), Elohim é nosso Senhor, Elohim é um!"
Yaacov inclinou-se para agradecer Elohim e respondeu em voz baixa: "Baruch Shem Kevod Malchutô
Leolam Vaed - Bendito seja o nome da glória de Seu reino para toda a eternidade -Louvado seja Elohim! Meus filhos são todos tsadikim que servem a Ele!"

Então Yaacov abençoou seus doze filhos: repreendeu os que mereciam repreensão, mas não na presença dos outros, para que não se envergonhassem. Os elogios e as bênçãos foram ditos na presença de todos, pois Yaacov desejava alegrar seus corações.
Suas palavras foram proféticas. Quase todas já se cumprido, e algumas tornar-se-ão verdadeiras na era de Mashiach.

A bênção de Reuven


A Reuven, Yaacov disse:
"Reuven, você é meu primogênito. É um primogênito muito especial, que merece ser louvado!
Diferente da maioria dos primogênitos, que são ladrões e assaltantes. Essav estava preparado para trazer animais a seu pai, mesmo que tivesse que roubá-los; mas você foi zeloso em não tocar no que não te pertence. Quando saiu ao campo, na época da colheita, certificou-se em trazer para sua mãe apenas flores silvestres, sem dono.

"A maioria dos primogênitos odeia os irmãos: Cáyin odiava Hêvel, Yishmael odiava Yitschac, Essav odiava Yaacov. Mas você foi bondoso, dizendo a seus irmãos que não derramem o sangue de Yossef. Normalmente o primogênito da família está encarregado do serviço de Elohim, merece honras, e recebe uma porção dupla dos pertences do pai.
"Porém você, Reuven, não receberá nada disso, porque pecou. Agiu de maneira muito precipitada, como um rio de corredeira. Devido à tua pressa, explodindo de raiva como água que se apressa em seu curso, você não será elevado a nenhuma dessas posições superiores. Desde quando demonstrou zelo por tua mãe, e desarrumou ambos os leitos, o de teu pai e o da Divindade. (Yaacov refere-se aqui ao episódio ocorrido na parashá de Vayishlach, quando Reuven interferiu nos arranjos matrimoniais de seu pai).
"Por isso, os cohanim, que realizam o serviço de Elohim, não virão de sua tribo (mas de Levi), e os reis não descenderão de você (mas de Yehudá) e você não receberá duas porções como um primogênito. (Em vez disso, os filhos de Yossef tornaram-se duas tribos.)
"Não cometa mais pecados no futuro, e então Elohim o perdoará!"

A bênção de Shimon e Levi

A Shimon e Levi, Yaacov disse:
"Vocês dois, Shimon e Levi são irmãos (agiram como irmãos em relação a Dina, mas não a Yossef). Vocês têm personalidades semelhantes, e gostam de fazer as coisas juntos. Ambos destruíram Shechem, e ambos quiseram matar Yossef.
"Mas prestem atenção: Vocês geralmente ficam furiosos e exaltados, e por isso cometem erros. Suas armas são roubadas de Essav, pois ingressaram numa profissão que não era deles, quando aniquilaram o povo de Shechem. A arte bélica e o uso de espadas é próprio de Essav, não de nossa família.
"Além disso, o povo judeu luta de maneira diferente que os não-judeus; nossas principais armas são nosso estudo de Torá e preces.
"Será muito perigoso se as tribos de Shimon e Levi permanecerem juntas; portanto, eu as separarei uma da outra quando se estabelecerem em Êrets Yisrael. A terra de Shimon será bem no meio da terra de Yehudá, e a tribo de Levi será dispersa por toda Êrets Yisrael, em quarenta e oito cidades diferentes."
(No futuro, a maioria dos pobres, escribas e professores descenderiam da tribo de Shimon. Assim, a profecia de Yaacov que esta tribo se manteria dispersa seria realizada desta maneira: estes indivíduos seriam obrigados a perambular para angariar tsedacá ou para procurar o seu sustento. Também a tribo de Levi estará dispersa, em consequência de terem que viajar para coletar seus proventos de outros. Mas pelo menos para a tribo de Levi esta dispersão se concretizou de maneira mais honrosa: viajavam para coletar os dízimo e presentes, que lhe eram devidos.)
Quando as outras tribos ouviram as severas palavras de Yaacov, começaram a retirar-se uma a uma, esperando um sermão similar. Mas Yaacov chamou Yehudá e elogiou-o.
"Yehudá, você agiu corretamente, admitindo sua culpa no caso de Tamar."

A bênção de Yehudá

Yaacov abençoou Yehudá:
"Yehudá, todos seus irmãos admitem que você é o rei e líder entre eles. A nação inteira portará teu nome. Não serão chamados de Reuvenim ou Shimonim, mas de Yehudim - judeus!
"A princípio, será comparado a um jovem leão, porém mais tarde será comparado a um grande e poderoso leão, de quem todos sentem medo."
Yaacov comparou Yehudá primeiro a um leão pequeno e jovem, e depois a um leão adulto. Yaacov previu que a tribo de Yehudá ficaria cada vez mais forte, como um filhote de leão que se desenvolve até ficar adulto. A tribo de Yehudá começaria a se fortalecer durante os quarenta anos no deserto. O estandarte de Yehudá viajava na frente de todas as outras. E mais, quando os judeus chegassem a Êrets Yisrael, Yehudá seria o primeiro a lutar contra os canaanitas. O primeiro juiz, Otniel ben Kenaz, viria também da tribo de Yehudá. Mas tudo isso era apenas o começo da força de Yehudá.
Yehudá finalmente seria como "um jovem leão" na época de David, o poderoso rei, que sobrepujaria seus inimigos com a coragem e força de um leão.

Tanto o "jovem leão" como o "leão adulto" podem ser interpretados como descrições do próprio Rei David. No início, David seria apenas um general e ainda não muito poderoso, como um "jovem leão." Mais tarde seria coroado rei e tornar-se-ia poderoso como um grande leão.
Yaacov continuou a abençoar Yehudá: "De você, Yehudá, descenderão os líderes ao povo judeu até a época de Mashiach, chamado de Shilô. Mashiach também será descendente de Yehudá.
As colinas de Yehudá em Êrets Yisrael ficarão tão repletas de vinhas com uvas vermelhas que as colinas parecerão rubras, e seus campos parecerão brancos por causa do cereal abundante e das inúmeras ovelhas."

A bênção de Zevulun

Yaacov abençoou Zevulun:
"Quando Êrets Yisrael for dividida entre as tribos, você receberá uma porção ao longo da costa. Viajará em navios cruzando os mares para negociar com as outras nações."
A tribo de Zevulun fez um acordo com a tribo de Yissachar: os homens de Zevulun viajariam a negócios, enquanto que os membros de Yissachar estudariam Torá o dia inteiro. Os mercadores de Zevulun dividiriam seus ganhos com os estudiosos de Torá de Yissachar. Em troca, Elohim daria uma parte da recompensa do aprendizado de Torá de Yissachar para Zevulun.

Uma história: A recompensa por fazer caridade

Nos tempos antigos, viajar pelo oceano era muito perigoso. Muitos navios afundavam.
Um judeu que costumava fazer muita caridade certa vez viajou de navio.

Rabi Akiva estava caminhando pela praia quando viu o homem embarcar no navio. Quando Rabi Akiva olhou para o oceano uma terrível tempestade estava se formando. Logo o navio não poderia mais enfrentar as fortes ondas. A água começou a inundar o convés, e muito lentamente, o navio começou a afundar, até que finalmente desapareceu dentro da água.
"Que pena que este maravilhoso judeu tenha se afogado!" - pensou Rabi Akiva. "Irei aos rabinos do Beit Din e informá-los-ei de que este homem está morto. Então permitirão que sua esposa se case com outra pessoa."
Quando Rabi Akiva entrou no edifício onde os sábios do Tribunal Rabínico costumavam se reunir, outro homem também entrou. Rabi Akiva não pôde acreditar em seus próprios olhos. O homem se parecia exatamente com aquele que havia visto embarcar no navio que acabara de afundar!
"Desculpe-me," Rabi Akiva disse surpreso, "mas não vi o senhor a bordo daquele navio que acabou de naufragar?"

"Sim," disse o homem.
"Como foi então que se salvou do afogamento naquele mar terrível e furioso?" - perguntou Rabi Akiva.
"Foi o fato de doar dinheiro para caridade que me salvou," replicou o homem.

"Como sabe disso?" - inquiriu Rabi Akiva.
"Quando eu já estava no fundo da água," disse o homem, "ouvi o anjo do mar chamando: 'Rápido, ajude-nos a levar este homem para cima! Ele deu dinheiro para caridade durante toda a vida!' Senti-me sendo levantado e empurrado para a terra seca."
"Que maravilha!" - exclamou Rabi Akiva. "Que maravilhosa demonstração de como a caridade salva uma pessoa da morte!"
Um dos melhores tipos de caridade é sustentar estudiosos da Torá sem recursos. Ao oferecer-lhes dinheiro, permitimos que continuem seus estudos. Assim fazendo, ganhamos também um quinhão em seu aprendizado de Torá.

A bênção de Yissachar

Yaacov abençoou Yissachar.
"Yissachar é comparado a um jumento ossudo que carrega o fardo colocado às suas costas pelo amo. Assim também, os membros de Yissachar aceitam as provações e fardos para estudarem diligentemente a Torá. Muitos deles tornar-se-ão membros do Supremo Tribunal, e decidirão as questões da Lei Judaica."
(Por que Yissachar é comparado a um burro? Acaso os elogios a Yissachar não se destacariam ainda mais se Yaacov o tivesse descrito como leão ou pantera, em vez de burro? A resposta é que o caráter do burro difere do dos outros animais. O burro não se rebela contra seu dono quando este impõe-lhe uma carga, mas suporta-a pacientemente. A mesma característica é verdadeira para Yissachar. Ele aceita de boa vontade o jugo da Torá. Como o burro não se importa com seu próprio prestígio, mas com a honra de seu dono, assim também Yissachar, o estudante da Torá, desconsidera sua própria honra, e vive para glorificar o Nome de Elohim.)
"Ao contrário de Zevulun, os membros de Yissachar não viajaram ao exterior para negociar. Ficaram sentados na quietude de suas casas de estudo, a fim de adquirir um conhecimento vasto e profundo da Torá. Saberão então como ensinar e orientar outros judeus. Como as costelas do burro são salientes e claramente visíveis, assim é a Torá de Yissachar, de magna clareza.
Como o burro, que não tem estábulo, mas deita-se para dormir entre as fronteiras de qualquer cidade aonde carregue mercadorias, assim é Yissachar, preparado para sacrificar as comodidades da vida em prol do seu estudo.
"A terra de Yissachar em Êrets Yisrael será abençoada e produtiva. Os membros de Yissachar não precisarão passar muito tempo trabalhando a terra. Ao contrário, poderão ocupar-se com o estudo de Torá, sem ter que investir muito tempo nos negócios."
Os frutos da porção de Yissachar eram tão gigantescos que quando eram vendidos à outras nações, estas ficavam perplexas com seu tamanho. Os judeus lhes diziam: "Vocês se surpreendem com esses frutos? Se vissem seus donos, que estudam Torá dia e noite sem parar, então entenderiam! Elohim deu-lhes enormes frutos, proporcionais aos tremendos esforços que investem no estudo da Torá!"
Em conseqüência, muitos não-judeus se converteram ao judaísmo.

A bênção de Dan

Yaacov abençoou Dan:
"Dan é comparável a uma serpente, de duas formas:
1) - Quando os judeus viajarem pelo deserto, a tribo de Dan viajará atrás de todas as outras tribos. Como cobras, os homens de Dan lutarão contra os inimigos atacando-os pela retaguarda.
2) - Yaacov comparou o juiz Shimshon, em particular, a uma cobra. Yaacov previu: "O forte e poderoso Shimshon ficará de tocaia ao lado da estrada, e então saltará subitamente e atacará os inimigos dos judeus, os pelishtim. Matará os soldados mais fortes entre os pelishtim, mesmo os que tem cavalos.
Yaacov visualizou também a queda e morte de Shimshon. Por isso, exclamou: "Lishuatechá kivíti Elohim - ainda teremos que esperar pelo redentor final para trazer-nos a salvação definitiva!"
Por que Yaacov comparou Yehuda a um leão e Dan a uma cobra?

O leão e a cobra têm métodos de luta diferentes. O leão é o mais forte de todos os animais, e nada teme. Por isso, ataca e luta abertamente. A serpente, porém, fica na espreita enquanto aguarda. Ataca de repente, furtivamente, para derrubar sua vítima. Yaacov previu: "A tribo de Yehuda lutará como um leão - em campo aberto. A tribo de Dan, porém - especialmente Shimshon, o juiz oriundo da tribo de Dan, usará os métodos da serpente; seus membros atacarão os inimigos de surpresa e os dominará fazendo movimentos falsos e inesperados."

A bênção de Gad

Yaacov abençoou Gad:
"Os homens de Gad serão fortes heróis de guerra. Marcharão na frente quando os judeus conquistarem Êrets Yisrael na época de Yehoshua. Depois, os homens de Gad retornarão em paz para sua própria terra, na margem leste do Jordão, e nenhum deles faltará. Será perigoso para eles ali viverem, porque estão cercados de inimigos. Porém, derrotarão os adversários e os perseguirão de volta até seus países, e lá, se apropriarão dos despojos."

A bênção de Asher

Yaacov abençoou Asher:
"A terra de Asher produzirá ricos frutos. Muitas oliveiras crescerão na porção de Asher em Êrets Yisrael, fazendo o azeite fluir do solo como água. Judeus de todas as partes virão até ele para comprar azeite de oliva. Asher suprirá óleo para o serviço do Bet Hamicdash."

A bênção de Naftali

Yaacov abençoou Naftali:
"Naftali é comparado a uma gazela."
Havia duas razões para Yaacov comparar Naftali a uma gazela:
1) - Assim como a gazela corre rápido, assim os frutos na parte de Êrets Yisrael pertencente a Naftali amadurecerão mais rapidamente que em qualquer outro lugar. O povo de Naftali será o primeiro a fazer a bênção "Shehecheyánu" sobre uma nova fruta.
2) - O próprio Naftali, e mais tarde muitas pessoas de sua tribo, serão ligeiros e rápidos como a gazela. Quando os judeus precisarem de um mensageiro ágil para levar as notícias a qualquer lugar, enviarão um homem de Naftali.

A bênção de Yossef

Yaacov abençoou Yossef:
"Yossef é um filho gracioso, um filho que encontra graça aos olhos de quem o vê."
Yossef mereceu esta bênção relacionada com o olhar, por ter protegido sua mãe do olhar de Essav. Na parashá de Vayishlach, quando Essav veio ao encontro de Yaacov, Yossef pensou: "Talvez este perverso fixe seus olhos em minha mãe e a cobiçará". Então, resolveu posicionar-se em frente dela, aumentando sua estatura para encobri-la. Por isso, foi abençoado por Yaacov: "Você cresceu para bloquear a visão de Essav, portanto merecerá grandeza"
Yaacov, continuou exclamando:" Moças, ficaram de pé para vê-lo sobre os muros do Egito, atirando-lhe jóias".
As palavras de Yaacov referem-se ao episódio ocorrido quando Yossef tornou-se vice-rei. Foi conduzido pelo Egito inteiro, e todas as mulheres egípcias, até as nobres, subiram ao topo dos telhados, atirando suas jóias sobre Yossef, a fim de atrair sua atenção. Contudo, ele não deu sequer uma olhada.
"Yossef foi amargurado, odiado mas permaneceu firme (resistindo à esposa de Potifar). Controlou-se e não pecou. Portanto, mereceu ornamentos de ouro em seus braços (dados por Faraó). Conseguiu resistir ao pecado, pois teve uma visão de seu pai Yaacov.
"Por isso, Elohim te abençoará, dando-lhe uma região abençoada com o orvalho dos céus e água da terra num local privilegiado.
"Bendita é a mãe cujos seios amamentaram um filho tão grande, e o útero que deu à luz um filho tão sábio!"
(Yaacov amava tanto Rachel que mesmo abençoando Yossef, seu filho, mostrava preferência por Rachel, atribuindo ao seu filho qualidades dela. Reconhecia que a virtude de Yossef era resultado de ter nascido de Rachel, a tsadeket.)
"Sejam as mulheres da tribo abençoadas para que não percam seus bebês, e para que não lhes falte leite para alimentá-los".
"Você, Yossef, será abençoado com bênçãos ainda maiores que aquelas que meus pais Avraham e Yitschac me concederam: a bênção sem limites, englobando o mundo inteiro. Que todas minhas bênçãos se tornem realidade para você, Yossef, que tornou-se um governante no Egito e mesmo assim não se descuidou da honra de seus irmãos."

A bênção de Binyamin

Yaacov abençoou Binyamin:
"A tribo de Binyamin será forte como um lobo que despedaça sua presa. O Beit Hamicdash será construído na porção de Binyamin em Êrets Yisrael, e ali Elohim deixará Sua Divindade repousar."
Quando o rei Salomão estava prestes a construir o Bet Hamicdash, as tribos começaram a brigar entre si. Cada uma dizia: "O Bet Hamicdash deve ser construído na minha porção." Elohim exclamou: "Tribos, todas vocês são tsadikim! Contudo, são todas sócias na venda de Yossef; com exceção de Binyamin, que não participou. Portanto, desejo habitar nessa porção."

Por que Yaacov comparou a força de Yehuda àquela de um leão e a força de Binyamin à de um lobo?
Depois que um lobo despedaça um animal, não permanece no lugar, mas abocanha alguma carne e foge correndo. Um leão, porém, não tem medo de ficar perto do animal abatido e banquetear-se com ele. Binyamin foi comparado a um lobo porque o rei da tribo de Binyamin, Shaul, governou apenas por um curto período de tempo. Yehuda, porém, foi comparado a um leão porque o reino de David perdurou por muitos anos, e então o governo foi transmitido para sempre aos filhos de David.

Por que Yaacov comparou seus filhos a animais?

Por que Yaacov utilizou-se de animais e feras como meio de comparação ao abençoar seu filhos?
Desejava, desta forma, indicar traços louváveis a seus descendentes. Quando um não-judeu quer obrigar o judeu a abandonar a Torá e mitsvot, Benê Yisrael tornam-se teimosos e ferozes como feras, recusando-se a obedecer. Elohim, por outro lado, sempre Se refere a seu povo como a uma pomba, pois quando Ele ordena, seguem-No mansos como uma pomba.

Apesar de Yaacov abençoar cada filho com um atributo específico; como por exemplo: Yehudá com a força de um leão, Naftali com a rapidez da gazela, e Binyamin com a força de compreensão de um lobo; também deu a cada um as qualidades de todos os irmãos, combinadas. Todos poderiam ter a força de leões e a rapidez da gazela, e assim por diante. Mas cada tribo se destacava por uma qualidade especial.
Analogamente, apesar de Yaacov Ter dado uma bênção especial a cada porção de terra em especial, incluiu todas as bênçãos na porção de cada um.
Quando Yaacov abençoou os filhos, invocou Elohim para realizar suas bênçãos. Elohim ouviu o pedido de Yaacov e concedeu a cada tribo as bênçãos que Yaacov pronunciou.

Yaacov morre e é sepultado na Gruta de Machpelá

Quando Yaacov terminou de abençoar todos os filhos, ordenou-lhes: "Certifiquem de não me enterrar no Egito. Levem-me de volta a Êrets Yisrael, à Gruta de Machpelá."

Yaacov faleceu aos 147 anos. Foi pranteado não apenas pelos filhos, mas também todos os habitantes do Egito participaram do luto por Yaacov, porque em conseqüência de sua bênção, o Nilo avolumou-se novamente e transbordou, irrigando a terra e pondo fim à fome. Assim que Yaacov morreu, essa bênção cessou; e a fome atacou novamente.
Yossef enviou uma mensagem ao Faraó: "Meu pai fez-me jurar antes de sua morte que eu levaria seu corpo para ser enterrado na Gruta de Machpelá, na terra de Canaan. Permita-me cumprir meu juramento, e depois regressarei ao Egito."
O Faraó retrucou: "Peça para que os sábios anulem teu juramento."
Yossef replicou: "Se você quiser que eu invalide este juramento, eles anularão simultaneamente outro juramento meu. Uma vez jurei a você que jamais revelaria a ninguém o fato de saber uma língua a mais. Até agora, mantive minha palavra."
"Não o impedirei de ir," respondeu Faraó. "Vá e o enterre como teu pai lhe ordenou."
Yossef colocara seu pai num caixão de ouro puro, cravejado de diamantes. Estendido sobre este havia um pálio tecido de fios de ouro, apoiado sobre esteios adornados de pérolas.
Quando Yossef e os irmãos partiram para Canaan na procissão do funeral, o Faraó promulgou um edito solicitando a todos os súditos que acompanhassem Yaacov, prestando-lhe as últimas honras. O féretro foi carregado pelas tribos, que andavam descalças e choravam, seguidas por uma enorme delegação de egípcios. Yaacov removeu sua coroa e pendurou-a no caixão de seu pai.
Contudo, quando viram a grande pompa prestada a Yaacov, e a coroa de Yossef sobre o caixão, juntaram-se à eles. Os reis de Canaan também penduraram as coroas sobre o caixão. Assim foi Yaacov conduzido até a Gruta da Machpelá, num caixão adornado com trinta e seis coroas.
As tribos então se prepararam para enterrar Yaacov ao lado de Lea, mas Essav interferiu: "O espaço restante na caverna está reservado para mim, não para Yaacov," bradou.
"Como pode ser?" - responderam-lhe as tribos." Você vendeu a Gruta de Machpelá para seu irmão!"
"Mostrem o contrato," exigiu Essav.
Os irmãos replicaram: "Nós o temos, porém está no Egito."
"Sem a escritura, não há provas," argüiu Essav.
"Naftali a trará," disseram.
Naftali, que era ligeiro, correu velozmente para o Egito. Enquanto isso, o enterro atrasava-se.
Chushim, filho de Dan, era surdo e não acompanhava a conversa. Contudo, percebera que Essav era o único que impedia o enterro de seu avô. Golpeou Essav na cabeça com muita força. Essav tombou morto, seu sangue jorrando sobre o caixão de Yaacov. A cabeça de Essav rolou para dentro da Gruta de Machpelá, enquanto seu corpo foi levado ao Monte Seir para ser enterrado.

Os irmãos pedem perdão a Yossef

Antes que Yaacov morresse, Yossef freqüentemente convidava os irmãos para fazerem refeições em seu palácio. Após a morte de Yaacov, porém, não mais os convidou.

Os irmãos ficaram preocupados: "Yossef deve odiar-nos porque vendemos ele como escravo. Enquanto nosso pai estava vivo ele nada demonstrou, para não causar-lhe sofrimento, mas agora não quer mais convidar-nos.'
Os irmãos enviaram uma mensageiro para dizer a Yossef: "Por favor, perdoe-nos por termos feito mal a você."
Então os próprios irmãos o procuraram e curvaram-se perante Yossef, pedindo-lhe perdão.
Yossef ficou magoado pelos irmãos pensarem que os odiava, e chorou. Então, confortou os irmãos: "Não tenham medo! Não os convidei por outro motivo. Enquanto nosso pai era vivo, ele me fazia sentar à cabeceira da mesa. Mas agora que morreu, não desejo continuar sentando à cabeceira da mesa. Reuven é mais velho que eu, e Yehuda é o rei; a cabeceira pertence a um dos dois. Por outro lado, não posso sentar-me ao pé da mesa porque sou o governante do Egito. Como não sei de que forma proceder, parei de convidá-los."
Yossef, o tsadic, falou palavras bondosas a seus irmãos, e fez com que se sentissem bem.

A morte de Yossef

Yossef governou o Egito por mais 54 anos. Era um homem justo, e um bom governante.

Quando Yossef sentiu que seu fim se aproximava, disse a seus irmãos: "Estou prestes a morrer, mas o Todo Poderoso certamente os redimirá do Egito. Meu pai revelou-me que o redentor que proferirá as palavras pacod yifcod será o mensageiro de Elohim, que os tirará do Egito!"
Yossef fez seus irmãos jurarem que ao deixar o Egito, levariam com eles seus ossos para Shechem, o lugar de onde viera. Disse-lhes: "Sei, por tradição, que apenas quatro casais serão enterrados na Gruta. Antes de morrer, chamou seus irmãos e lhes disse: "Não deixem o Egito antes que Elohim envie Seu mensageiro para tirá-los daqui. Ao sair, deixem que seus filhos levem o caixão com meus ossos para Êrets Yisrael, e enterrem-me lá. Eles juraram que assim fariam.
Igualmente, Elohim queria que as tribos enterrassem Yossef em Shechem, dizendo: "Vocês venderam Yossef. Tragam seus restos mortais de volta a Shechem, ao lugar onde o venderam!"
Yossef faleceu com a idade de cento e dez anos. O falecimento de um tsadic da magnitude de Yossef deixou sua marca sobre o Egito inteiro. Todos os poços secaram, e os irmãos começaram a sentir as agruras do exílio.
Os mágicos egípcios colocaram o corpo de Yossef num caixão de ferro, que afundaram nas profundezas do Nilo, acreditando que traria bênção para o rio.
Um após outro, os filhos de Yaacov faleceram, sendo que Levi gozou de maior longevidade. Ao final de sua vida, Binyamin ainda não tinha pecados. Era um tsadic perfeito. Não obstante, chegara o momento de seu falecimento.
O exílio egípcio abateu-se sobre os judeus em quatro estágios:
· Enquanto Yaacov vivia, Benê Yisrael eram homens livres no Egito (e sua única dificuldade é que eram estrangeiros lá).
· Assim que faleceu, os egípcios impuseram impostos sobre os judeus.
· Após a morte de Levi, a última das tribos, os egípcios escravizaram os judeus, forçando-os a trabalhar na construção.
· Quando Miriam, irmã de Moshê, nasceu, os egípcios amarguraram as vidas de Benê Yisrael, intensificando a escravidão