domingo, 10 de abril de 2011

Israel, a verdadeira noiva do Mashiach

Por Yochanan ben Avraham com colaboração de Hadassa bat Israel.

Certamente, o título deste artigo confrontará muitas pessoas devido ao conceito que muitos religiosos possuem acerca deste assunto. Contudo, pretendemos apresentar argumentos bíblicos e históricos que comprovam a veracidade da afirmação.

Por causa de um conceito equivocado sobre quem é a noiva do Mashiach (palavra hebraica para “ungido”, mas traduzida por muitos como Messias) muitos são impedidos de conhecerem e, consequentemente, viverem a verdade bíblica. Esperamos que, de alguma forma, possamos despertar alguns para que possam adentrar o Caminho que o Eterno estabeleceu desde os primórdios.

Uma união anunciada desde o princípio.

Façamos uma breve leitura no livro de Bereshit (Gênesis) 2.19 – 23:

... Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.
 Então YHWH Elohim fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que YHWH Elohim lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem.
 “Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.”

Notem a expressão de Adám ao se deparar com aquela que seria sua companheira, que diz: “osso de meus ossos e carne de minha carne !” Esta expressão não é única em todo relato bíblico, que marca o início de um relacionamento, mas antes de mostrar-lhes a outra ocasião em que esta expressão é feita, vamos considerar algumas coisas:

Paralelos entre o Mashiach e Adám.

Sha’ul, escrevendo aos coríntios, utiliza um argumento muito interessante em sua primeira epístola leiamos Curintayah alef (I coríntios) 15.45 – 49:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adám, foi feito alma vivente; o último Adám em espírito vivificante.
Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.
O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.
Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.”

Neste texto, é inegável o paralelo que Sha’ul ha sh’liach (Sha’ul o emissário) faz para explicar a diferença entre Adám e Yeshua. Ou seja, o primeiro Adám dependia de Elohim para ter vida, mas o “último Adám” (Yeshua), concedia a vida.


O Mashiach, seus ossos e sua carne.

Entendendo que, de certa forma, Adám pré-figurava ao Mashiach, e que Adám necessitava de uma auxiliadora, vamos analisar a segunda vez em que a expressão “osso de meus ossos e carne de minha carne” é utilizada para marcar o início de um relacionamento. Leiamos Sh’muel beit (II Samuel) 5.1 – 5:

“Então todas as tribos de Israel vieram a David, em Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, somos teus ossos e tua carne.
E também outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel, e tu serás príncipe sobre Israel.
Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, em Hebrom; e o rei David fez com eles acordo em Hebrom, perante o SENHOR; e ungiram a David rei sobre Israel.
Da idade de trinta anos era David quando começou a reinar; quarenta anos reinou.
“Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses, e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.”

É interessante analisarmos a situação acima descrita, pois ela relata a coroação de David como Rei sobre todo Israel (Doze tribos reunidas), pois pela primeira vez Israel possuía um Reino de consenso popular, já que o Rei que antecedeu a David, (Saul), não conseguiu isto (I SM 10.22-27).
Lembrando que a palavra hebraica para ungido é Mashiach, vamos agora analisar o seguinte:
Israel (todas as doze tribos) declara a seu Mashiach (ungido): “Somos teus ossos e tua carne !” no início do reinado de David e não é novidade para ninguém que “David ha Melech” (O Rei David), é uma figura do Mashiach que viria. Sendo assim, da mesma forma que Chavá (Eva) foi o osso e a carne de Adám, Israel (doze tribos) se declarou o osso e a carne do Mashiach. Portanto, a auxiliadora idônea do Ungido !!

Linhagem da mulher x Linhagem da serpente.

Também no livro de Bereshit 3.15, temos mais um detalhe que reforça o fato de que Israel é a noiva, (esposa, auxiliadora ou seja qual for o título que queiram dar) do Mashiach, vejamos:

“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”

A palavra calcanhar em hebraico é “Akev”, mesma raiz da palavra “Akov’. Agora, compare isso ao nome daquele cujos filhos seriam os patriarcas das doze tribos de Israel...Isso mesmo, Ya’akov, qua passou a se chamar Israel !

O que a Torá está dizendo para nós, é que na luta entre satan e o Mashiach, a descendência de Israel seria ferida e, de fato, quantas feridas Israel sofreu ao longo de sua sofrida caminhada. Quantas expulsões, quantas perseguições, além do holocausto da segunda guerra, nosso povo sofreu !! Portanto, a mulher relatada em Bereshit (Gênesis) não seria literalmente Chavá (Eva) ou Miryam (Maria), mas pura e simplesmente uma alegoria para Israel...

Como Israel seria a auxiliadora do Mashiach?

Ao longo do relato bíblico, nós vemos o Eterno “buscando parceiros” para realização de sua obra. Vemos Noach (Noé), Avraham (Abraão) e depois todo o Israel. A Torá nos relata o dia em que Israel se “casa” com o Eterno no livro de Shemot (Êxodo) 24. Neste dia Israel, a noiva, se comprometeu em cumprir tudo o que o contrato nupcial (Torá) de terminava ao dizer:

“... Todas as palavras, que o SENHOR tem falado, faremos.”

É óbvio que estamos relatando o casamento entre o Eterno e Israel de maneira bem reduzida...mas tudo isso pode ser verificado ao longo das escrituras.
Para melhor entender esta situação, devemos saber que o Noivo é o Eterno, a noiva é Israel e o contrato do casamento (Ketubá) é a Torá ! Com isso em mente, podemos entender o que Sha’ul ha sh’liach estava querendo dizer em Ruhomayah (Romanos) 7, pois de forma análoga ele estava dizendo que estávamos casados com o pecado, e só estariamos livres deles se o marido (o pecado) morrese, com a morte deste “marido” estávamos livres para pertencer a outro (O Mashiach), vale lembrar que Sha’ul afirma no passuk (versículo) 7 que a Lei não é pecado !! Mas que ela revela o que é pecado...
Infelizmente, por causa de um conceito deturpado, alguns afirmam que  morremos para a Lei, ou que a Lei morreu para nós, quando nem mesmo Yeshua HaMashiach  sugeriu algo assim, muito pelo contrário! Ele Afirmou que enquanto houver céus e Terra a Lei permanecerá...(Mat. 5. 18)
Quando Yeshua afirma que seus talmidim (discípulos) são sal da Terra e Luz do Mundo (Mat. 5.13 e 14), Ele não estava criando um novo conceito, mas estava trazendo a memória deles (todos israelitas) que Israel deveria “auxiliar” ao Eterno na tarefa de anunciar sua Torá ao mundo, pois Israel é a testemunha de HaShem ( Yeshayahu / Isaías 43.10) colocado com luz para as nações (Yeshayahu 49.6), e no entanto israel estava pegando a Vela (Luz/Torá) e colocando debaixo da mesa...(Mat. 5.15 e 16).
Ser cooperador do Reino é anunciar e viver a Torá de Elohim a todas e em todas as nações.

E a “igreja”, o que é ?

Antes de qualquer coisa precisamos definir o termo “igreja”.
 A palavra “Igreja” vem do grego “ekklesia” que por sua vez, é tradução do hebraico “Kehilah” palavra esta que significa assembleia, congregação. Ou seja, toda vez que encontrarmos a palavra ekklesia, devemos saber que está se falando da kehilah, a qual não é outra senão Israel !
Não existe nenhum organismo, instituição ou associação chamado “Igreja” separado de Israel, algo assim, a luz das escrituras não existe, portanto, uma “igreja” que vive separada de Israel ou mesmo algo que tenha substituido a Israel não passa de uma entidade fictícia !

 Ao ler este artigo, alguém poderá pensar: Se não sou israelita, o que faço então? Há salvação para mim ?
È preciso lembrar que todos aqueles que reconheceram Yeshua como Mashiach e guardam o seu testemunho assim como os mandamentos de YHWH, são enxertados na Oliveira (Israel) conforme explicado em Ruhomayah (Romanos) 11 e trazido para perto da comunidade de Israel como diz Efessayah (Efésios) 2. 11 – 20 .
 Infelizmente, muitos chegam a dizer que quando um israelita se “converte” ele deixa de ser israelita para fazer parte da igreja...Isto é o contrário do que a Bíblia diz !!! E aquele que se opõe as escrituras (Palavra de YHWH) contradizendo-as é o adversário (satan).

Concluindo...

Para concluir este raciocínio, leiamos Guilyana (Apocalipse) 21. 9 - 12

“E veio a mim um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro.
E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de YHWH descia do céu.
E tinha a glória de Elohim; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente.
E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.

As perguntas que faço aos prezados leitores são:

1ª-Quem a Bíblia está chamando de Esposa do Cordeiro (Yeshua) ?
2ª- Quais os nomes que estão sobre as portas da cidade santa ?
3ª- Onde está a porta dos chamados gentios ?

O livro de Guilyana (Apocalipse), em suas últimas palavras, diz que:

 Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.

Ou seja, as portas da cidade santa terá o nome das tribos de Israel, e aqueles que forem enxertados em Israel poderão entrar se guardarem os mandamentos (Torá) de YHWH.

Queridos leitores, se fomos enxertados em Israel, devemos andar como um israelita e não como um “mundano” foi isso que Sha’ul concluiu no início do perek (capítulo) 12 de Ruhomayah (Romanos), conforme transcrevo a seguir:

“Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de YHWH, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Elohim: este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual a vontade de YHWH, o que é bom, agradável e perfeito.

domingo, 27 de março de 2011

Referências, identidade e esperança.

Por Yochanan ben Avraham

Referências, isso é bom ou ruim?

A  resposta para o questionamento acima é: Bom e Ruim...Ou seja, isso depende de como e quando necessitamos de uma referência, vejamos:
Faz parte da natureza humana buscar referências no tempo e no espaço para localizar-se e até mesmo para se identificar de maneira socio-cultural e politicamente. Tanto as referências temporais quanto espaciais, servem de parâmetros para que decisões sejam tomadas, escolhas sejam feitas e etc.
A ausência de referências ou mesmo as mudanças destas, talvez tenham sido as maiores responsáveis pelas confusões, injustiças, crises (de identidade inclusive) e demais situações problematicas que levaram muitos a se perderem em suas jornadas.
As pessoas mudam, os valores se invertem e tudo por conta de um tempo que não para...Sim, está cada vez mais difícil estabelecer uma referência confiável numa sociedade cada vez mais centrada em sua "insustentável leveza do ser".

Quando a necessidade de referências é ruim.

A total dependência de uma referência palpável e visível, revela, no que diz respeito a identidade de um indíviduo ou mesmo sociedade, alguns problemas preocupantes. Existem pessoas que só se movem se puder VER e TOCAR em algo, do contrário permanecerão deitadas em seus "berços esplêndidos"... a gravidade desse mal é que, geralmente, tais pessoas só buscam referências que justifiquem sua letargia, pois sair de sua zona de conforto é uma opção descartada. No entanto, cedo ou tarde o confronto virá e terão que tomar uma decisão por sí mesmos.
As escrituras estão repletas de exemplos onde pessoas dependentes de referências visíveis foram destruidas ou envergonhadas.
Vejamos Shemot (Êxodo) 32.1:

"Quando o povo viu que Moshe tardava em descer da montanha, congregou-se em torno de Aharon  e lhe disse: Vamos, faze-nos um deus que vá a nossa frente, porque a esse Moshe, a esse homem que nos fez subir da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu."

No texto acima fica claro a dependência de uma referência palpável que o povo hebreu possuia, bastou Moshe sumir da vista deles para que entrassem em uma espécie de pânico e, imediatamente, elegeram uma nova referência, o bezerro de ouro.
Para entender o comportamento dos hebreus neste episódio, é preciso considerar o tempo vivido no Egito e, óbviamente a referência de "sagrado" que possuiam era egípcia, uma cultura idolatra já que adoravam a diversos ídolos, por isso a confecção de tal estátua, cujo culto, levou três mil homens a morte.

Outro episódio interessante encontra se nas Boas Novas de Yochanan  20.24-28, vejamos:

"Um dos doze, T'oma, chamado dídimo, não estava com eles, quando veio Yeshua. Os outros talmidim, então, lhe disseram: Vimos o Senhor ! Mas ele lhes disse: Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se não puser meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei. Oito dias depois, achavam-se os talmidim, de novo, dentro de casa, e T'oma com eles. Yeshua veio, estando  as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: Shalom Alechem ! Disse depois a T'oma: põe teu dedo aqui e vê minhas mãos ! Estende tua mão e põe-na no meu lado e NÃO SEJAS INCRÉDULO, mas crê ! Respondeu-lhe T'oma: Adonai V'Elohai ! Yeshua lhe disse: Porque viste, creste. FELIZES OS QUE NÃO VIRAM E CRERAM !"

Podemos concluir que, assim como o povo no deserto necessitava ver e tocar em algo para prosseguir sua jornada, um dos doze talmidim demonstrou a mesma necessidade, isso revela que tal necessidade demonstra um baixo nível de espiritualidade. Infelizmente esta história têm se repetido diversas vezes...

A boa referência.

Leiamos Yeshayahu ha navi (Isaías o profeta) 45.22:

"Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra; Pois eu Sou Elohim, e não há outro."

Está é a referência definitiva. A única em que podemos confiar, pois como foi dito anteriormente vivemos em tempos onde os valores estão constantemente sendo invertidos. É no Eterno, a partir d'Ele, que saberemos o quão perto (ou longe) estamos de uma vida plena, do Shalom. No entanto, temos uma grande questão a resolver, pois como podemos olhar para Aquele que é invisível ?? Mas graças a HaShem, isto é elucidado nas palavras do próprio profeta Yeshayahu, leiamos o perek (capítulo) 59 passukim (versículos) 12 ao 17:

"Porque são numerosas nossas transgressões contra ti, e os nossos pecados testificam contra nós. Com efeito, as nossas transgressões nos estão presentes; conhecemos as nossas iniquidades: rebelar-nos, negar a YHWH, afastar-nos do nosso Elohim; proferir violência e revolta, conceber e meditar a mentira. O direito foi expelido, mantém-se a justiça a distância, porque a verdade estrebuchou na praça e a retidão não pode apresentar-se. Com isto a verdade ausentou-se e aquele que renuncia ao mal ficou despojado. YHWH viu e lhe pareceu mau que não houvesse direito. Viu que não havia ninguém, espantou-se de que ninguém interviesse. Então O SEU PRÓPRIO BRAÇO VEIO EM SOCORRO, a sua justiça o sustentou. Vestiu-se da justiça como de uma couraça, pôs na cabeça o capacete da salvação, cobriu-se de vestes de vingança - como de uma túnica - vestiu-se de zelo como uma capa.

Como podemos ver, o Próprio Elohim manifestaria seu braço, ou seja, Ele mesmo se colocaria como uma referência já que não havia nenhuma!! E isto se cumpriu conforme podemos ler nas Boas Novas de Yochanan 3.14 e 15:

"Como Moshe levantou a Nachash (serpente) no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha nEle vida eterna."

É interessante comentarmos esta declaração à luz da Torá, pois Yeshua trás a memória de todos um evento marcante na história de todos os israelitas, o episódio das 'nachashim serafim' (serpentes abrasadoras).
Neste episódio registrado em Bamidbar (No deserto/Números) 21, o povo começou a murmurar e por conta disto,  serpentes abrasadoras vieram  e começaram a morder os israelitas. Para  sanar a situação, o Eterno ordenou que se levantasse uma nachash (serpente) de bronze e, todo aquele que foi mordido pelas 'nachashim serafim' serpentes abrasadoras, ao OLHAREM para a 'nachash El'(serpente de El) seria curado.

A palavra Nachash (serpente) tem valor  guematrico (sistema de cálculo com os caracteres hebraicos) de 358 o mesmo valor da palavra Mashiach (ungido). É interessante dizer que a Torá chama esta serpente de bronze de "Nachash El", ou seja, não era uma serpente qualquer era A serpente de El, a cura para "am Israel" (povo de Israel).
Yeshua estava dizendo que Ele era a cura para Israel, que está disperso por entre as nações por conta de suas transgressões a Torá. É Yeshua quem têm curado o Reino de Israel, trazendo os dispersos (Efrayim) de volta a Torá!!

A identidade de um Tsadik (Justo)

Leiamos Habakuk ha navi (Habacuque o profeta) 2.4; Ruhomaiah (Romanos) 5.1 e 2; e também Ya'akov (Tiago) ha tsadik (o justo) 2.26.

"Eis que sucumbe aquele cuja alma não é reta, mas o tsadik (justo) viverá por sua Fé."

"Tendo sido, pois, justificados pela Fé, estamos em paz com Elohim por nosso Senhor Yeshua HaMashiach, por quem tivemos acesso, pela Fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos na esperança da glória de YHWH."

"Com efeito, como o corpo sem o sopro de vida é morto, assim também é morta a Fé sem obras."

Nos três textos acima, vemos que o tema central é Fé. E fé, é definida como certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas QUE NÃO SE VÊEM. (Ivrim 11.1), ou seja, um tsadik(justo) é uma pessoa que não depende de elementos palpáveis para seguir sua jornada em obediência ao Eterno. De fato, por mais que alguem possa considerar isso como algo simples, na prática, vemos que isso se constitui em um verdadeiro desafio, pois muitos têm se perdido no Caminho pois ao exigirem "provas palpáveis" de que Yeshua seja o Mashiach tem o negado e, se não fizerem Teshuvá, não poderão herdar a salvação de nosso Aba (Pai) e Adon (Senhor).
 Fomos chamados a andar por Fé (II Cor.5.7) , a atentar para o que é invisível (II Cor. 4.18) e esse é o verdadeiro "modus vivendis" do justo, pois... ESPERANÇA QUE SE VÊ NÃO É ESPERANÇA... (Ruhomaiah 8.24).

Não sejamos como T'oma, creiamos em Yeshua HaMashiach pois Ele é a Esperança de Israel.


  

domingo, 13 de março de 2011

Fotos dos dois últimos seminários

         Participantes do seminário sobre as duas Casas de Israel, realizado nos dias 19 e 20 de fevereiro

Participantes dos seminários sobre As Duas Casas de Israel e batalha Espiritual e Libertação a Luz da Torá, realizado nos dias 05,06,07 e 08 de Março na kehilah Beit Chessed em Teresópolis-RJ
Em primeiro plano, o Rosh Isaías da Beit Tsadik em São João do Meriti-RJ, participante do último seminário e abaixo, concentrado na leitura, o nassi da kehilah Beit Or situada em Nova Iguaçu, Ya'akov ben Levi...


Um dos muitos momentos de comunhão entre os irmãos...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

“Fome e sede de Yeshua”

Por Yochanan ben Avraham


Dostoievsky, o filósofo e escritor russo, pronunciou uma frase que, a meu ver, é uma das mais precisas e sensatas de toda a história da humanidade, é a seguinte:

“A lacuna do coração do Homem é do tamanho do Criador”

De fato, tal percepção retrata com muita propriedade a real condição do homem, pois, admita (o homem) ou não, há uma necessidade inerente de se crer, adorar e servir a algo ou alguém. O salmista , semelhantemente, fez uma expressão parecida ao afirmar:

“A minha alma tem sede de Elohim, do Elohim Vivo...”
                                                                                         Tehilim (Salmos) 42.2

É sobre essa necessidade de preenchimento afirmada pelo filósofo, esta sede cantada em verso pelo salmista que somos levados a refletir nessa ‘eterna’ condição de dependência que vivemos. Esta necessidade inerente nos leva a procurar qualquer coisa para preencher esta falta de, (para muitos ainda), “não sei o que”, que os consome...  Geralmente, busca-se este preenchimento na religião, seja ela qual for. Por conta disso, se aceita sem questionar, a tudo o que é transmitido como o caminho para a satisfação pessoal e acaba-se por se desenvolver uma religiosidade e não uma espiritualidade, entenda espiritualidade como, uma real relação com o Eterno Criador de todas as coisas. Ou seja, aceitamos amuletos, mantras, elucubrações e superstições como se estas coisas preenchessem o vazio, ou nas palavras do filósofo, a lacuna de nosso coração e assim, como o ainda jovem David, que foi conduzido a vestir a armadura de Shaul que  atrapalhava o seu “caminhar”  [vide Sh’muel alef (1 Samuel) 17.38 e 39] muitos acabam vivendo uma vida opressa, encurvados pelo peso das regras humanas de “como servir ao Senhor” sem conseguir progredir em sua jornada.

FOME E SEDE

O profeta Amós vaticinou:

“Eis que virão dias, - Oráculo de YHWH- em que enviarei fome a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra de YHWH...”
                                                                                                    Amós 8.11

Tanto a declaração de Dostoievsky quanto a dos filhos de Coré, são constatações de precisão cirúrgica quanto a realidade interior da humanidade!! De maneira análoga a esta situação, leiamos Melachim beit (II Reis) 4. 38-41 e pensemos um pouco. Neste episódio, podemos verificar que a fome fez com que pessoas se provessem de veneno para sobreviver, por mais incrível que isso possa parecer, é compreensível se considerarmos que as pessoas estavam famintas. É importante notar que, não eram pessoas comuns, eram aprendizes/discípulos de profetas! A grande ironia nesta história é que, para sobreviver, colheram veneno...Sim a fome cega!

Da mesma forma, muitos “talmidim” (discípulos), no afã de saciar a fome que, diga-se de passagem, é legítima. Tem se provido de veneno e, infelizmente, muitos já ingeriram e estão morrendo lentamente. Mas por que não discerniram o que era veneno? A resposta está no fato de que, assim como os profetas colheram colocíntidas por serem semelhantes ao pepino, colhe-se Talmud, Kaballah  e cristianismos por “ se parecerem” com Torah...
O que podemos ver nisso é que, a fome e sede de se ouvir a palavra de YHWH têm levado pessoas a percorrerem grandes distâncias, mas muitos não têm tido o cuidado de examinar o que se está colhendo. Vejamos o que o Profeta Elisha (Eliseu) fez, para cortar o efeito do veneno e entender como podemos nos imunizar:

“Então Elisha disse: Trazei-me farinha. Jogou farinha na panela e disse: serve aos homens, para que comam. – E já não havia mais nada de nocivo na panela.”
                                                                                        Melachim beit (II Reis) 4. 41

Acreditamos que nesta passagem temos um grande ensinamento, ou seja, a panela é o mundo, as colocíntidas (veneno) são as diversas doutrinas demoníacas existentes por aí. A farinha lançada...bem, cabe aqui um raciocínio: Com a farinha, se faz o pão, e Yeshua é o Pão Vivo que desceu dos Céus. Isto significa que somente com Yeshua, a Torá viva, poderemos anular os efeitos deste veneno maldito, aplicando os seus ensinos, a sua halachá em nosso cotidiano.

CONCLUSÃO

Chaverim, temos vivido um tempo de muitas “descobertas” e isso deve estar perturbando a muitos, mas gostaria de lembrar a todos as palavras de Sh’lomo (Salomão) em Mishlei (Provérbios) 4.18:

“Mas a senda dos tsadkim (justos) é como a aurora, a vai alumiando até que se faça dia”

 À medida que somos iluminados pela Torá, não devemos hesitar em abandonar práticas e pensamentos que outrora eram considerados como “verdade” mas que, ao serem confrontados pelas escrituras, se revelaram como artimanhas do adversário para impedir nosso acesso a pureza de sua maravilhosa e Viva Torá, Yeshua HaMashiach.

Bendito seja o Eterno nosso Elohim, que têm levantado homens para dizer:

“A MORTE NA PANELA !!!” 


sábado, 15 de janeiro de 2011

Reflexão sobre a parasha Beshalach.

Por Yochanan ben Avraham

A cada shabat, temos a oportunidade de aprendermos algo mais para uma vida em conformidade com a vontade do Eterno nosso Elohim, pois na sua Torá temos o caminho para a vida, e neste shabat, ao estudarmos a parashah (porção) Beshalach, nos foi revelado algo que estava imerso nas profundezas das letras hebraicas que nos ensina algo muito importante para quem deseja resistir a todas as afrontas, dificuldades e tentações que encontramos durante nossa jornada.
Em Shemot (Êxodo) 13.18 temos o seguinte:

“E fez rodear YHWH o povo pelo caminho do deserto, ao iam suf (mar de juncos). E armados subiram os filhos de Israel da terra do Egito”

A palavra armados no idioma original da Torá, o hebraico, é “chamushim” cuja grafia e sonoridade assemelham-se muito com “chumash”, que por sua vez é a palavra hebraica utilizada para designar os cinco livros da Torá ! Estaria o Eterno querendo revelar algo com isso ?
Se “chamushim” (armados) está relacionado com “chumash” (Torá), devemos ter algo mais nas escrituras que confirme esta hipótese. Felizmente, tanto no Tanach quanto na Brit Chadashá podemos constatar esta relação, vejamos:

“Então tomou o seu cajado na mão, escolheu cinco pedras lisas no ribeiro, pô-las no alforje de pastor que trazia e, lançando mão de sua funda, aproximou-se do filisteu.” Sh’muel alef (I Samuel) 17.40

Vemos aqui que David (que é um arquétipo do Mashiach), escolhe cinco pedras lisas do ribeiro para ir ao combate contra Golias, o gigante filisteu. Vale dizer também que o Eterno escreveu em tábuas de pedras, os ‘asseret ha dibrot’ (dez ditos), que sintetizam a Lei do Eterno, e não é exagero imaginar que estas tábuas de pedras, eram pedras ‘alisadas’ pelo próprio Elohim...Seria então uma mera coincidência David escolher justamente cinco pedras? Estaria o Eterno reafirmando de maneira bem sutil que ninguém poderá vencer uma guerra sem a Torá? Para comprovar esta ideia, precisamos de um testemunho que indique que alguém venceu alguma batalha utilizando apenas a Torá, eis o testemunho, Matitiyahu 4.1 – 10:

“E então foi conduzido Yeshua pela Ruach Há Kodesh ao deserto, para ser tentado pelo acusador...chegando, então, o acusador, disse-lhe ‘se tu és o Filho de Elohim manda que estas pedras se tornem em pães’. Mas Yeshua lhe respondeu: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de YHWH.’ (D’varim 8.3)
Então o acusador o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do Beit Ha Mikdash, e disse-lhe: ‘Se tu és o Filho de Elohim, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: ‘Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e eles te sustentarão nas mãos para que nunca tropeces em alguma pedra.’ (tehilim 91.11 e 12). Replicou-lhe Yeshua: ‘Também está escrito: ‘Não tentarás YHWH teu Elohim.’(D’varim 6.16)
Novamente o acusador o levou a um monte muito alto; e mostrou lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles e disse-lhe: ‘Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então ordenou-lhe Yeshua: ‘Vai-te Satan; porque está escrito: ‘A YHWH teu Elohim adorarás, e só a Ele servirás.’ (D’varim 6.13)

Este trecho narra o embate entre Yeshua e Satan, o qual foi vencido pelo Mashiach Yeshua, e assim como David derrotou Golias utilizando apenas uma das cinco pedras, Yeshua derrotou Satan com apenas um dos cinco livros do ‘chumash’, o sefer D’varim (Deuteronômio)! É importante ressaltarmos que, assim como Satan tentou usar as escrituras para justificar uma transgressão a Torá, muitos hoje tentam validar doutrinas absurdas utilizando textos isolados das escrituras... Não venceremos os adversários com elucubrações, ou com ‘estratégias' que se baseiam em uma premissa equivocada de que a Torá foi abolida. Venceremos as batalhas se, tão somente, lembrar e cumprir a santa Torá seguindo o Exemplo de Yeshua o Ungido de Israel.

Diante do exposto, não é difícil entender porque Rav. Sha’ul ha sh’liach (Paulo o emissário) escreveu:

“Pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Elohim, para demolição de fortalezas” Curintayah alef (I Coríntios) 10.4

E também:

“Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda armadura de Elohim...tomai também...a espada da Ruach, que é a palavra de Elohim (Torá).” Efessayah (Efésios) 6. 10 – 17.

A parasha Beshalach nos ensina que, não basta sairmos do Egito; é preciso estarmos "chamushim" (armados) com o "Chumash" (Torá) se quisermos vencer as batalhas e os inimigos que nos espreitam a beira do Caminho.

Shabat Shalom!!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Reflexão sobre a Parashá Bo.

Por Yochanan ben Avraham 

Neste Shabat, estudaremos a parashah (porção) "Bo". Dentre tantos assuntos e lições que podem ser extraídas do texto que se encontra em Shemot 10.1 até 13.16. Um "pequeno" detalhe em especial, nos chamou atenção. Referimo-nos as palavras escravidão (Avdut) e Serviço (Avodat). No hebraico, estas palavras são escritas com as mesmas letras, sendo elas: Ayin, Beit, Dalet, Vav e Tav. Logo, o valor guemátrico de ambas é o mesmo, sendo assim, qual seria a diferença?

Creio que os detalhes que diferenciam uma palavra da outra, estão relacionados com a mudança de um estado (escravidão) para outro (serviço ao Eterno) e assim podemos aprender uma importante lição, vejamos:

O que diferencia uma palavra da outra é a posição da letra Vav em cada uma destas, e como cada letra do alfabeto Hebraico também possui valor numérico, podemos ter uma interpretação, digamos... mais abrangente, pois sabendo o valor numérico da letra Vav, chegaremos a uma conclusão bem interessante.

Quanto a essa perspectiva, vejamos um exemplo em um documento escrito nos primeiros Séculos desta era:

"Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, CALCULE o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis." Guilyana (Apocalipse) 13.18

Neste texto,Yochanan (João) estava orientando as kehilot (assembléias/congregações) que tinham entendimento da prática de guemátria (sistema de cálculo do valor das letras hebraicas) para revelar a identidade da "besta".  Sabendo que o valor, era o valor de um homem, e que o valor do homem é seis (o homem foi criado/formado no sexto dia) e também que a sexta letra do alfabeto hebraico é o Vav. Não seria difícil saber a quem, ou o quê, Yochanan estava se referindo.

Portanto, é razoável interpretar que a posição do Vav em cada uma das palavras (Avdut e Avodat) pode significar a posição do homem diante de cada situação em questão.

O que estamos tentando dizer é que, dependendo de como nos posicionamos, o Avodat HaShem (Serviço ao Eterno), pode se tornar uma Avdut (escravidão)! Compare isso com Ma'assei ha Sh'lichim (Atos dos emissários) 15. 7 - 10.

Mas... como assim?

Quando lemos Matitiyahu (Mateus) 23.1 - 4, começamos a elucidar a questão, pois os p'rushim (Farizeus) pensando estar a serviço de HaShem, estavam oprimindo ao povo (ler Yeshayahu (Isaías) 58.1 e 2, pois alí fica claro que o Eterno convoca um povo, que aparentemente, cumpre a Torá mas na verdade necessitava se arrepender!).

Outra forma de escravidão/opressão pode ser identificada em Yeshayahu (Isaías) 46.1 e 2, vejamos:

"Bel caiu por terra, Nebo ficou prostrado, os seus ídolos estão entregues aos animais selvagens e às bestas de carga, esta carga que leváveis é um fardo para a besta cansada. Todos juntos ficaram prostrados, caíram por terra, já não conseguem salvar o seu fardo, eles mesmos foram conduzidos ao cativeiro."

Aqui Yeshayahu ha navi (Isaías o profeta), identifica os ídolos do panteão assiro-babilônico como um fardo para seus adoradores. Portanto, não é difícil associar o peso da carga que alguns "mestres" colocaram "sobre os ombros" daqueles que estão submetidos a suas doutrinas, muitas vezes impregnadas de costumes pagãos, além de interpretações tendenciosas. Isso contrasta com aquilo que Yochanan ha Sh'liach ( João o emissário) escreveu em sua primeira igeret (epístola):

"Porque este é o amor de Elohim, que guardemos as suas mitzvot (mandamentos); e suas mitzvot não são penosas (pesadas)." (Yochanan alef /1ª João 5.3).

Devemos ter em mente que uma "halachah" tem por objetivo mostrar como "caminhar" na Torah, ou seja, ela explica como cumprir os preceitos.  Dificultar o cumprimento dos mesmos, fere os princípios que a própria Torah estabeleceu acerca de seus mandamentos:

"Porque este mandamento que Eu hoje te ordeno, não te é encoberto nem está longe de ti. Não está nos céus para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que o traga a nós e nos faça ouvi-lo, para que o observemos? Pois a coisa está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para que a observes." (D'varim/Deuteronômio 30. 11 - 14)

Infelizmente muitos hoje estão sob um jugo que nada mais é do que, uma interpretação sobre outra interpretação sobre ainda outra interpretação, afastados da essência do mandamento, engessados em regras humanas que estão mais relacionadas com a vaidade do que com a elevação espiritual.


Quando deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e os seus estatutos, escritos neste livro da lei, quando te converteres ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma.
¶ Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti.
Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.

Deuteronômio 30:10-14

Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti.
Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.

Deuteronômio 30:11-1
Shabat Shalom!!!


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Yehuda, uma autoridade com prazo de validade

Por Yochanan ben Avraham

Introdução:
No capítulo 49 de Bereshit (Gênesis), temos um dos trechos mais significativos de todo o Tanach (também conhecido com Velho Testamento), pois nele Ya’akov avinu (Ya’akov nosso pai), inspirado pela Ruach ha Kodesh (Espírito de Santidade), anuncia a seus filhos o que o futuro lhes reservava, ou seja, Ya’akov declarou uma profecia sobre o fim dos dias para todos os seus filhos, os filhos de Israel.

De todas as profecias deste capítulo, uma em especial nos chama a atenção, nos referimos à profecia dirigida a Yehudá. Nesta profecia é notória a proeminência deste sobre os demais, pois é dito no versículo 10 que o cetro não se afastará de Yehudá e nem a legislação de entre seus descendentes. Porém, (e é aí que se inicia uma grande revelação!), este dominar e legislar ao que parece, teria um “prazo de validade”...notemos o final do versículo 10: “...até que venha Shiló, e a ele a reunião de povos seguirá
Chaverim (amigos), é inegável o teor messiânico destas palavras, mas isso não é nenhuma novidade... mas se não é, o que chama a atenção então? O que chama a atenção são os detalhes que, não só a Torá, mas todo o Tanach nos dá sobre este personagem identificado aqui como “Shiló”, vejamos então:


1- QUEM É SHILÓ ?

Primeiramente, vejamos o que Rashi (Rabi Shlomo Yitzchak, comentarista da Torá 1040-1105) disse sobre Bereshit (Gênesis) 49.10:

“Não se afastará o cetro de Yehudá” = De David em diante.

“e os legisladores dentre seus pés” = São os lideres (nassi’im) de eretz (terra) Israel [os nassi’im eram os líderes do sanhedrin (sinédrio) composto por 71 shoftim (juízes)].

“Até que venha Shiló” = É o Rei Messias, que é o Reino.

“A Ele se ajuntarão os povos” = a Ele os ‘gentios’ seguirão.


Podemos ver nitidamente que a midrash de Rashi diz que Shiló é o Mashiach. Segundo o texto de Bereshit, o cetro não se afastaria de Yehudá e nem a legislação dentre seus pés (descendência), até que viesse Shiló.
Rashi diz que isso deve ser contado a partir de David e segundo a história Tzedekiah (Zedequias) descendente de David, filho de Yoshiyahu (Josias), foi o Último rei de Yehudá, mas quando foi levado por Nevuchadenetzar (Nabucodonosor) para a Babilônia como escravo, o cetro foi afastado de Yehudá. Mas a profecia diz que não se afastaria até que viesse Shiló. Depois do retorno dos yehudim (judeus) à Judéia, ainda existia o sanhedrin e esses eram os legisladores da época, e a eles eram levadas as causas de juízo do povo. Até a destruição do segundo Beit Ha Mikdash (Templo) ainda existiam os legisladores, mas com o exílio (gálut/diáspora) do povo, o sanhedrin (sinédrio) deixou de existir. Sendo assim, os legisladores da época foram afastados dentre os pés de Yehudá. Mas isso, só poderia acontecer após a vinda de Shiló (Mashiach)!!! Pois está escrito: “...até que venha Shiló (Mashiach)” então, se o cetro e a legislação foram retirados, onde está Shiló?? Poderíamos responder agora, mas vamos continuar o raciocínio...

Em Yeshayahu (Isaías) 22.20-22 está escrito:

“Naquele mesmo dia chamarei o meu servo Eliakim, filho de Hilkiyahu (Hilquias). Vesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, porei em suas mãos as tuas funções; ele será um pai para os habitantes de Yerushalayim e para a casa de Yehudá. Porei sobre seus ombros a chave da casa de David: quando ele abrir, ninguém fechará; quando ele fechar ninguém abrirá.”

Conforme é instruído em Devarim 17.14 em diante, o rei de Israel receberia a incumbência de legislar a Torá. E no texto de Yeshayahu que acabamos de ler, vimos esta autoridade sendo outorgada a Eliakim. Agora, compare isto com Matitiyahu (Mateus) 16. 18 e 19, e perceba o seguinte: chave de David (do Reino) é sinônimo de autoridade para legislar, ou seja, autoridade para fazer halachá. E esta autoridade que era reconhecida por Yeshua ben Yossef, conforme pode ser verificado em Matitiyahu 5.22, foi entregue a seus talmidim (discípulos)!

A última frase do versículo 10 de Bereshit 49 diz que os ‘goym’ (estrangeiros) iriam seguir a Shiló. Pergunto: “Quem foi certo Judeu, que trouxe uma nova halachá (interpretação/legislação) a Torá e passou a ser seguido por milhares de estrangeiros?? Bem, O cetro já passou de Yehudá a tempos, a legislação também e isso só aconteceria após a chegada de Shiló, será que algum personagem na história preenche estes requisitos?

Vejamos agora Bereshit 49.11 combinado com Zechariyah (Zacarias) 9.9 e leiamos Matitiyahu (Mateus) 21.1-11. Será que isso significa alguma coisa importante?

Compare também Yeshayahu 8.6 com Yochanan 9.7 e perceba que Yehudá rejeitaria o Enviado. Voltando a pergunta feita anteriormente, acrescente mais essa: Que judeu, após pregar a Teshuvá (arrependimento) ao seu povo, foi rejeitado?


2-ROUPA E O MANTO LAVADO NO SANGUE DAS UVAS

Outra característica peculiar de Shiló, está no fato dele ter suas vestes lavadas no vinho (sangue das uvas), no Tanach, mais precisamente no sefer Yeshayahu ha navi (livro de Isaías o profeta) temos outra profecia muito semelhante, vejamos:

“Quem é este que vem de Edom, de Bosra com vestes fulgurantes, que vem majestoso no seu traje, marchando na plenitude do seu vigor? ‘Sou EU, que promovo a justiça, que sou poderoso para salvar’. E por que essa cor vermelha no teu traje? Por que as tuas vestes se parecem com as de alguém que tenha pisado a uva no lagar?” (Yeshayahu 63.1 e 2)

Neste trecho, além de vermos uma nítida associação com Shiló (Mashiach), temos um elemento a mais, pois este que vem como quem pisou uvas no lagar é o próprio YHWH. E na história, apenas uma pessoa teve coragem suficiente para afirmar ser um com o Criador. A beleza das escrituras pode ser admirada mais ainda se compararmos estes textos (Bereshit 49.11; Yeshayahu 63.1,2) com Guilyana (Apocalipse) 19. 11-13.


3- PROFECIA PARA O FIM DOS DIAS

Ya’akov foi bem específico acerca do tempo em que suas palavras iriam se cumprir, no fim dos dias. Então, obviamente, o período seria bem posterior aos seus filhos sendo destinada a muitas gerações após eles. Sendo assim, voltando-nos para o termo “fim dos dias”, podemos encontrar diversas palavras destinadas a esse período revelando acontecimentos que elucidariam muitas questões.

Um dos acontecimentos reservado para o fim dos dias que se encaixa perfeitamente na profecia de Ya’akov em Bereshit 49.10 encontra se no sefer Oshea ha navi (livro de Oséias o Profeta) 3.5, um livro que trata com detalhes a questão da divisão e restauração do Reino de Israel (12 tribos). Houve um período na história de Israel, mais precisamente no ano 921 AEC, que o Reino se dividiu em Yehudá, reino do sul composto por Yehudá e Binyamin (Benjamim) e Israel (ou Efraim), reino do norte composto pelas 10 tribos restantes que seguiram a Yerovan I (Jeroboão I) como pode ser verificado em melachim alef (1º Reis)12.16-19. Estas dez tribos foram assimiladas pelas nações estrangeiras (ver Oshea 7.8), perderam suas características israelitas, seu idioma, sua Fé e etc. E passaram a ser conhecidas historicamente como as ovelhas perdidas da casa de Israel (Efraim). Sendo considerados, inclusive, como goym (estrangeiros). Com isso em mente leiamos Matitiyahu 15.24, (sem perder Bereshit 49.10 de vista!) e façamos as seguintes perguntas:

1ª) Quando Shiló viria?

2ª) Até quando Yehudá dominaria?

3ª) Quem o seguiria ?

4ª) Quando Efraim (multidão de povos) retornaria a YHWH ?

5º) Quem são as ovelhas perdidas da casa de Israel ?

Eis as respostas:

1ª) Shiló viria no fim dos dias

2ª) Até que Shiló chegasse

3ª) Os ‘gentios’

4ª) No final dos dias

5ª) Efraim (10 tribos do norte)

Após este pequeno questionário, espero que possamos perceber que Yeshua é o Shiló anunciado pela Torá, pois é Ele quem recebeu toda autoridade sobre o céu e sobre a terra. Portanto, é à sua halachá (legislação) que devemos nos submeter.

Conclusão:
 Não devemos nos deixar levar pela a halachá de quem já não tem mais autoridade para tal, pois ao negarem o Mashiach, não possuem condição de instruir a ninguém na verdade, pois como disse Yeshayahu o profeta:

“Então YHWH, em um só dia, decepou de Israel cabeça e cauda, palma e junco. (o zaken (ancião) e o dignatário são a cabeça, o profeta que ensina a mentira é a cauda.) Os condutores deste povo o desencaminham; assim os seus conduzidos estão transviados.”(Yeshayahu 9.13-15)

Desde um passado remoto, o Eterno tem advertido o povo a não se desviar de sua Torá, mas aqueles que deveriam instruir na verdade, acrescentaram mandamentos com uma suposta Torá oral, desprezando a própria Torá escrita (Ler D’varim (Deuteronômio) 4.2) sincretizaram mandamentos com costumes pagãos, absorveram o misticismo pagão, adaptaram a Torá escrita às diversas superstições adquiridas nas diversas diásporas. Não é a toa que o Eterno levantou o Yirmeyahu ha navi para dizer:

“Assim disse YHWH:
Parai sobre os vossos caminhos e vede, perguntai sobre as sendas de outrora: qual era o caminho do bem? Caminhai nele! Então alcançareis repouso para vós.” (Yirmeyahu 6.16)

Esta senda de outrora, o caminho do bem pode ser identificada nesta seguinte citação:

Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Matitiyahu 11.28-30).