sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dinah, Shechem e a "serpente"

Por Yochanan ben Avraham

Shabat Shalom Chaverim (amigos)

A sedrá desta semana nos tráz uma história muito significativa, pois a mensagem contida no episódio ocorrido com a filha de nosso patriarca Ya'akov nos alerta contra os perigos da sedução e do "vale da indecisão"...

Tudo começa com a chegada de Ya'akov e seus filhos a um lugar chamado Shechem. Esta localidade, (que atualmente é conhecida como "Nablus" na Cis-Jordânia) está situada entre  os montes Ebal e Gerizim ! Isto, por si só, já desperta nossa mente para um entendimento mais profundo pois os montes Ebal e Gerizim fazem parte de um momento extremamente importante na história dos israelitas, vejamos D'varim (Deuteronômio)11.29 e 27 12 e 13:

והיה כי יביאך יהוה אלהיך אל הארץ אשר אתה בא שמה לרשתה--ונתתה את הברכה על הר גרזים ואת הקללה על הר 
עיבל

(Ora, quando o YHWH teu Elohim te introduzir na terra a que vais para possuí-la, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal)

אלה יעמדו לברך את העם על הר גרזים בעברכם את הירדן  שמעון ולוי ויהודה ויששכר ויוסף ובנימן
ואלה יעמדו על הקללה בהר עיבל  ראובן גד ואשר וזבולן דן ונפתלי

(Quando houverdes passado o Jordão, estes estarão sobre o monte Gerizim, para abençoarem o povo: Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim;
e estes estarão sobre o monte Ebal para pronunciarem a maldição: Rúben, Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali.) 


Tambem no sefer D'varim (Livro de Deuteronômio) perek (capítulo) 30 passukim (versículos) 15 ao 20 saberemos exatamente o que isso significa:

 ראה נתתי לפניך היום את החיים ואת הטוב ואת המות ואת הרע
אשר אנכי מצוך היום לאהבה את יהוה אלהיך ללכת בדרכיו ולשמר מצותיו וחקתיו ומשפטיו וחיית ורבית--וברכך יהוה אלהיך בארץ אשר אתה בא שמה לרשתה
ואם יפנה לבבך ולא תשמע ונדחת והשתחוית לאלהים אחרים--ועבדתם
הגדתי לכם היום כי אבד תאבדון  לא תאריכן ימים על האדמה אשר אתה עבר את הירדן לבוא שמה לרשתה
העדתי בכם היום את השמים ואת הארץ--החיים והמות נתתי לפניך הברכה והקללה ובחרת בחיים--למען תחיה אתה וזרעך
לאהבה את יהוה אלהיך לשמע בקלו ולדבקה בו  כי הוא חייך וארך ימיך--לשבת על האדמה אשר נשבע יהוה לאבתיךלאברהם ליצחק וליעקב לתת להם  {פ

Vê que hoje te pus diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal.
Se guardares o mandamento que eu hoje te ordeno de amar a YHWH teu Elohim, de andar nos seus caminhos, e de guardar os seus mandamentos, os seus estatutos e os seus preceitos, então viverás, e te multiplicarás, e YHWH teu Elohim te abençoará na terra em que estás entrando para a possuíres.
Mas se o teu coração se desviar, e não quiseres ouvir, e fores seduzido para adorares outros deuses, e os servires,
declaro-te hoje que certamente perecerás; não prolongarás os dias na terra para entrar na qual estás passando o Jordão, a fim de a possuíres.
O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,
amando a YHWH teu Elohim, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; e para que habites na terra que YHWH prometeu com juramento a teus pais, a Avraham, a Yits'chak e a Ya'akov, que lhes havia de dar.

Ou seja. poderiamos dizer que estar acampado entre o Ebal e o Gerizim significaria estar entre a benção e a maldição, e sabendo que a benção é obedecer os mandamentos estatutos e Leis do Eterno e a maldição a desobediencia a estes mesmos mandamentos, podemos fazer uma reflexão sobre isto e conjecturar sobre o momento psicológico e espiritual da jovem Dinah...
Flávio Josefo em sua obra "A História dos Hebreus" no 18º capítulo escreve o seguinte:

Ya'akov, por sua vez, dirigiu-se a um lugar denominado Sukot, que ainda hoje conserva esse nome, e de lá a Shechem, que é uma cidade dos cananeus. Aconteceu então que ali se realizava uma festa, e Dinah, única filha de Ya'akov, aproximou-se para ver de que maneira as mulheres daquele país se vesti­am. Shechem, filho do rei Chamor, achou-a tão bela que a carregou e abusou dela.

Como podemos perceber, a jovem Dinah que, para alguns comentaristas da Torah, tinha entre 12 e 15 anos, se encaixa perfeitamente no adágio popular que diz : "A curiosidade matou o gato." Portanto, podemos dizer que uma filha de Israel (Ya'akov) estava acampada entre a benção e a maldição, muito provavelmente em dúvidas sobre que caminho seguir e foi justamente esta provável dúvida que abriu a brecha para que um astuto e ardiloso inimigo se aproximasse! Amados, quantos filhos e filhas de Israel se encontram nessa situação atualmente, entre a benção (obediência a Torah)) e a maldição (desobediência a Torah)...'coxeando' entre dois pensamentos ? Não nos enganemos, se YHWH é Elohim, vamos seguí-lo!

 Shechem e a Serpente

Shechem era o nome da cidade mas também do príncipe daquela cidade, que por sua vêz, era filho de Chamor que segundo a Torah fazia parte do povo "chiwi. Muitas coisas extremamente importantes e até surpreendentes derivam destes fatos, vejamos: A arqueologia tem descoberto objetos de culto a serpente desde pelo menos a idade do bronze, em várias cidades pré-israelitas em canaã: duas em Megido, uma em gezer, uma no sanctum sanctorum em Hazor e dois em Shachem...(seria coincidência ?)
Outra coisa a se destacar e que a palavra Chiwi/Chivi (nome do povo do pai de Shechem) é idêntica a palavra aramaica para serpente (chawia/chavia)! Estaria a Torah querendo nos dizer algo a mais?
No hebraico, a palavra para serpente é "nachash", que parece derivar do verbo "nachash", que apesar de ter a mesma grafia, possui pronuncia diferente, e significa dentre outras coisas 'sibilar', 'sussurrar', também pode significar 'adivinhar', 'encantar' e etc. estes últimos significados podem estar associados as praticas de algumas feiticeiras que eram chamadas "ptonisas" (como a que prestou serviços ao rei Saul em Shmuel alef/ 1º Samuel 28 . Com isso em mente, observem que ao se encontrar entre a benção e a maldição, coxeando entre obedecer ou não, a jovem Dinah foi abordada pelo "príncipe da serpente" e "cedeu" aos sussurros encantadores sendo levada a uma situação de vergonha e dor...

Conclusão:

Chaverim (amigos),
Não podemos nos deixar encantar pelas cores, pelos sons e pelos sabores do mundo, ao ponto de termos dúvidas sobre nossa vocação, nosso chamado. Se sucumbirmos a isto, estaremos a merce da "velha serpente" que seduziu a Chava (Eva) e Adam (Adão) e, por que não dizer, a Dinah filha de Ya'akov. Lembremos das palavras de um outro Ya'akov. Ya'akov ha tsadik (Tiago o justo) perek (capítulo) 4 passukim (versículos) 4 e 5:

"Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra YHWH? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de YHWH.
Ou pensais que em vão diz a escritura: O Espírito que ele fez habitar em nós anseia por nós até o ciúme?"

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Criados para amar

Por Yochanan ben Avraham

Todos nós em algum momento de nossas vidas, nos sentimos desconfortáveis, com uma sensação de estarmos em um lugar errado, fazendo algo que não deveriamos estar fazendo ou deixando de fazer o que deveriamos. É possível até, que alguem se sente assim desde sempre, sentindo o que chamo de "vontade de não sei o quê..."

Atualmente algumas pessoas gastam fortunas com terapias e análises para tentar se encontrar, o que não é nenhum crime, buscam respostas de coisas que, sequer sabem exatamente o que procuram, por isso este artigo, com muita simplicidade, pretende dar uma "luz" para aqueles que se encontram nesta condição de "desconforto", a partir de um ponto de vista criacionista, ou seja, considerando que o homem como um ser criado com um propósito específico para sua existência.

Quando estamos "desconfortáveis" ou "deslocados", não ficamos sossegados e, consequentemente, não temos paz. Esta condição é uma verdadeira "fábrica" de conflitos e todos nós sabemos que conflitos causam feridas e dores... Mas por que ficamos assim? A resposta está no fato de que, geralmente, não sabemos ou esquecemos de quem somos, de onde viemos e nem para onde deveriamos ir ou estar! Para elucidar esta questão vamos ler o que diz Yochanan alef (1ª João) 4.8 (somente a parte final):

"...porque YHWH é amor."

Leiamos também nas bessorot (boas novas) de Yochanan (João) 3.16 o seguinte:

"Porque YHWH amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

Independentemente de se crer ou não nestas palavras, todos, de alguma forma em algum lugar, já ouviram estas afirmações. Agora, compare estas passagens com o relato da criação em Bereshit 1.27:

"E criou Elohim o homem à sua imagem: à imagem de Elohim o criou; homem e mulher os criou."

Podemos dizer que ao ser criado à semelhança do Eterno Elohim, o homem foi criado para amar!


Alguém poderá dizer: "Mas eu amo e continuo sentindo que falta alguma coisa!" Este é exatamente o ponto que queremos tratar, pois atualmente o termo amar esta perdendo o seu significado por conta da banalização e mesmo uma vulgarização a que estão submetendo este termo, atribuindo a ele apenas um sentido romântico restringindo sua definição impedindo que se possa ampliar o conceito e o significado de amar. Vejamos o que Sha'ul ha shaliach escreveu a kehilah de Corinto:


"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." Curintayah alef (1ª Corintios) 13.4-7

Esta definição apresentada pelo emissário, revela o amor em seu sentido mais elevado, por isso entendemos que o real sentido da vida é amar, e isto pode ser melhor compreendido quando analisamos uma situação muito interessante presente nas sagradas escrituras, vejamos:

"E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:

Mestre, qual é o grande mandamento na lei?

E Yeshua disse-lhe: Amarás o Senhor teu Elohim de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." Matitiyahu (Mateus) 22.35-40

Ao dizer tais palavras Yeshua revela algo muito valioso a todos os homens! Não apenas por dizer quais são os maiores mandamentos, pois se nos detessemos apenas nisto, o sentido ainda ficaria vago, no entanto Ele nos disse que toda Lei depende disso, ou seja, a finalidade da Lei é ensinar o homem a amar, pois é nela que aprendemos como amar, vejamos o seguinte: Quem ama ao Senhor, não terá outros deuses; não fará imagem de escultura e nem adorará estas imagens; não tomará o nome do eterno em vão; guardará o Shabat; não comerá nada daquilo que o Eterno disse ser impróprio para comer; celebrará as Festas do Senhor nos tempo apontados...Quem ama o próximo, honrará pai e mãe; não assassinará; não adulterará; não roubará; não levantará falso testemunho contra ninguém; nem cobiçará nada que pertença ao seu próximo.

Amar é cumprir a Lei (Ver Ruhomayah/Romanos 13.8-10), não é simplesmente sentir uma atração, simpatia ou empatia por alguem ou alguma coisa. Amar é obedecer a instrução (Torá) do Eterno!
Agora vamos analisar outra expressão de Yeshua esclarecedora que corrobora com aquilo que estamos dizendo:

"E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará." Matitiyahu (Mateus) 24.12

Estas palavras fazem parte do discurso apocliptico de Yeshua, que revela aos seus talmidim (discípulos) os sinais do fim dos tempos. É interessante  notar que um dos sinais é a multiplicação da iniquidade. A palavra iniquidade tanto no grego (Anomia) quanto no aramaico (Eola) significam "contrário a lei", "oposição a Lei". Foi por isso que Yeshua disse que o amor de muitos iria esfriar, pois a Lei estaria sendo abandonada pelos homens que, por sua vez, estariam cada vez mais empenhados em seguir suas próprias leis em substituição daquelas dadas desde o princípio pelo Eterno, Bendito Seja.

Prezado leitor, fomos criados para amar e sabendo que amar é cumprir os mandamentos do Eterno revelados em sua Santa Torá, arrependemo-nos de nossas transgressões a Lei, e amemos ao Senhor sobre todas as coisas (pois quem o ama guarda os seus mandamentos) e ao proximo como a nós mesmos. Fazendo isto, certamente encontraremos o equilíbrio, o bem estar, enfim...o Shalom que excede todo entendimento.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Considerações sobre a reencarnação

Por Yochanan ben Avraham

Introdução:

Primeiramente gostaríamos de salientar que nosso objetivo ao escrever este artigo, não é condenar a quem quer que seja por crer na doutrina da reencarnação, mas questionar algumas afirmações que alegam uma origem judaica ou mesmo bíblica para o ensino desta doutrina. Dito isto, vamos aos fatos:

Definição:

Basicamente, “reencarnação” significa que a alma/espírito de uma pessoa é imortal e, assim sendo, na experiência da morte física, alma/espírito sobrevive em perfeito estado de consciência, personalidade e individualidade só que agora essa alma “não tem um corpo”. Portanto, “reencarnar” significa o ato pelo qual a alma/espírito de um defunto volta em algum outro corpo, quer seja humano ou animal e, em casos extremos, podendo ser até mesmo em uma planta ou uma pedra! Em todo caso, a idéia é perpetuar a existência da alma em algum corpo para dar continuidade a sua vida imortal.

Origens, estrutura e desenvolvimento:

A reencarnação é uma das doutrinas religiosas mais antigas da humanidade e existem diversas formas deste ensino, que podem variar de um povo/cultura para outro. Contudo, praticamente em todas as doutrinas reencarnacionistas, existem dois pontos fundamentais em comum, são eles:
·         O regresso da alma/espírito a outro corpo tomando a forma de uma nova pessoa.
·         Uma espécie de evolução, purificação ou expiação da alma/espírito de suas transgressões cometidas nas “vidas anteriores”

A origem da idéia reencarnacionista está localizada na Índia, mais precisamente no hinduísmo. Segundo o hinduísmo, se a pessoa foi “boa” e fez coisas apropriadas, possivelmente após sua morte, ela “reencarnará” em um ser superior, mas se fez coisas más retornará em um corpo inferior ao do homem, em um corpo de animal.
Dentro desta crença, tudo está ligado àquilo que denominam “carma”, termo que pode ser traduzido como ação. Neste conceito, o passado, o presente e o futuro do ser humano estão delineados segundo o que ele próprio realizou ou definiu anteriormente, por exemplo: se um homem é cego, é porque fez algo de ruim em uma “vida anterior” e está experimentando as conseqüências de seus atos.
A idéia do hinduísmo é que os prazeres materiais servem como uma espécie de desvio do propósito superior da alma. Assim sendo, quando a alma consegue viver através de suas “vidas” uma “encarnação” mais ascética ela atinge o que é chamado de “Moksha” ou ‘Salvação/Libertação”.
Devido à proximidade geográfica, a doutrina da reencarnação migrou da Índia para as demais civilizações mesopotâmicas, sendo adotada também na religião babilônia, principalmente com relação à mitologia do panteão de deuses babilônios, vide a história de Tamuz, filho de Semíramis, que é considerado a reencarnação de Ninrod.
Chegando ao Egito, a doutrina da reencarnação tomou proporções importantes tornando-se mais popular sendo, inclusive, mencionada por Heródoto:
“Os egípcios foram os ‘primeiros’ a assegurarem a imortalidade da alma e que ela passa da morte do corpo a outro animal; e quando percorreu o ciclo de todas as formas de vida na terra, na água e no ar, ela mais uma vez adentra um corpo humano que lhe nasce; este ciclo da alma leva três mil anos.” (Heródoto 2.123)
No chamado “Livro dos Mortos”, a doutrina da reencarnação está associada à punição pelo pecado e, a semelhança de outros conceitos reencarnacionistas, a alma de um pecador se reencarnaria num animal para “pagar” por seus pecados.
A popularidade da doutrina reencarnacionista cresceu ainda mais quando por volta do Século VI AC, os gregos a adotaram, e através do filósofo grego Pitágoras em meados do Século IV AC, ela ganha força.
Na filosofia grega, a reencarnação é chamada de “metempsicose” e foi mencionada pelos principais filósofos gregos como Sócrates, Pitágoras e Platão. Na crença grega, permanecia a perspectiva de uma expiação e que após 10 reencarnações, a alma/espírito poderia então se unir aos deuses do panteão grego, tendo atingido seu estado de purificação.
Da filosofia grega, a doutrina da reencarnação chega até os gnósticos e já no Século I dC, devido ao caráter sincrético deste movimento, o reencarnacionismo conseguiu se propagar nas diversas crenças religiosas, encontrando nos segmentos místicos maometanos, cabalísticos do judaísmo e em ordens maçônicas dentro do cristianismo, seus principais portos. Logo, poderíamos até dizer que, tais seguimentos nada mais são do que gnosticismo com uma nova roupagem.
Quando perguntamos por que o Criador permite aos maus uma vida boa e aos bons, muitas vezes, uma vida carregada de sofrimentos e privações, enfermidade e pobreza. Quando perguntamos como se justifica o sofrimento de crianças inocentes que vivem poucos anos na pior enfermidade ou miséria, os reencarnacionistas dizem que isto é a justiça do Criador. Em outras palavras, significa que quando uma pessoa sofre aqui, no tempo presente, é para expiar as coisas ruins que fez em “vidas passadas” e uma vez que pague o “débito”, a alma está livre para evoluir a um estado superior. Portanto, a morte de inocentes e todos os outros “infortúnios” não é outra coisa senão o tempo para sua purificação dos pecados cometidos no passado.

Judaísmo e reencarnação:

Embora alguns seguimentos judaicos adotem a doutrina da reencarnação, esta doutrina, como podemos ver até agora, não é um ensino originalmente judeu. Na verdade, essa doutrina era estranha ao pensamento judaico até meados do Século VIII, que segundo informa a enciclopédia judaica, foi adotada pelos caraítas e outros dissidentes judeus por influência de místicos maometanos.
Durante muito tempo a doutrina da reencarnação, não possuía muitos adeptos desta crença entre os judeus, nem mesmo o movimento caraíta manteve tal crença.
Antes de dizermos como a doutrina da reencarnação adentrou e se propagou no judaísmo, vamos ver o pensamento de alguns líderes e filósofos judeus sobre o tema:
*Saadia Gaon (Século X)
Certamente uma das mentes judias mais brilhantes de todos os tempos, considerava a doutrina da reencarnação anti-bíblica, anti-judia e anti-científica. Ele chegou a dizer sobre a doutrina da reencarnação, que sequer consideraria útil demonstrar a tolice e baixa mentalidade dos que criam na “metempsicose (reencarnação)” caso não temesse que eles exercessem uma influência perniciosa sobre os outros.
*Yedaiah Bedersi (Século XIV)
Opôs-se a tal crença por considerá-la não judia.
*Chasdai Kreskas (Século XIV)
Assim como seu discípulo Yosef Albo, criticou dura e radicalmente tal idéia considerando espúria à Fé e espírito judaicos, estando impregnada de superstições tomadas de outras culturas, principalmente orientais (hinduísmo).
Outro fato a se considerar é a ausência de documentos anteriores a idade média que mencione o conceito reencarnacionista e mesmo cabalista dentro de algum seguimento judaico, até porque tal documentação só passou a existir na própria idade média, quando surgiu a principal sistematização da reencarnação com roupagem Judaica, “o Zohar”, principal obra cabalista. É a partir deste livro, que a doutrina da reencarnação começa a fazer parte do misticismo judaico, mas não é necessariamente, do judaísmo.
Por mais que os proponentes tentem afirmar a “judaicidade” deste conceito, atribuindo as práticas cabalistas aos patriarcas e mesmo a Moshe (Moisés), NÃO HÁ NADA QUE PROVE TAL AFIRMAÇÃO! Portanto, o conceito de reencarnação ou transmigração da alma, não tem sua origem na Torá, mas comprovadamente no sincretismo religioso.

Reencarnação x Expiação:

Vejamos o que diz o Zohar:
“Todas as almas estão sujeitas a transmigração; e o homem não conhece os caminhos do Santo, bendito seja. Eles não sabem que são trazidos ante ao tribunal antes de entrarem e saírem deste mundo. São ignorantes quanto às muitas transmigrações e provas secretas que devem confrontar e a enorme quantidade de almas que entram neste mundo e que não podem retornar logo ao palácio do Rei. Não sabem como as almas se movem como uma pedra atirada por um estilingue. Mas é chegado o tempo para que estes mistérios sejam revelados” (Zohar II. 99b)
Considerando ainda a conceituação cabalista sobre o assunto, temos o pensamento de um dos principais nomes da cabalá, Isaac Lúria (Século XVI) segundo ele, todas as almas destinadas a humanidade foram criadas em um só corpo composto originalmente por Adam HaRishon (Adão o primeiro/ primordial). Em outras palavras, cada órgão e célula do primeiro homem, continha potencialmente, todas as almas da humanidade. Este conceito define que se as almas estivessem na parte superior de Adam, por exemplo, no cérebro, eram almas superiores... Mas se estivessem na parte inferior (pés) eram almas inferiores.
Segundo o lurianismo com o pecado de Adam, houve uma comoção e estremecimento de todas as almas humanas que estavam em seu corpo e consequentemente todas as almas, inclusive as mais elevadas e puras foram contaminadas. Isto produziu em cada alma que nasce um impulso para o mal que, segundo Lúria, é um produto do pecado do primeiro homem.
Segundo este ensino, o impulso para o mal só será erradicado da humanidade, com a vinda do Mashiach ben David. Enquanto isto, devido à contaminação do mal em todas as almas, estas não pode retornar a sua fonte original e devem vaguear em corpos humanos e inclusive, em corpos inanimados como as pedras. Mas, se uma alma “reencarnada” conseguir se elevar e superar todas as tentações, ao morrer poderá ir diretamente ao “Gan Eden (Jardim do Éden/paraíso)”. Do contrário, terá que “reencarnar” em outro corpo humano ou mesmo animal e até mesmo em uma pedra, para terminar seu processo de purificação e elevação espiritual.
Mais uma vez vemos a reencarnação sendo tratada como meio de expiação para a alma/espírito, porém este conceito fere totalmente o conceito judaico e bíblico de expiação. Crer na Torá, assim como toda escritura sagrada, não se compatibiliza a essa doutrina, pois se para resolver o problema do pecado do homem, suas más ações e transgressões a solução é a reencarnação em outro corpo assumindo uma nova vida, por que então o Criador nos deu o mandamento de arrependimento e todo o sistema levítico para o perdão e purificação do pecado?
 Além de desprezar a Torá, que é a instrução do Criador para uma vida elevada, as doutrinas reencarnacionistas apresentam problemas éticos, os quais apresentamos a seguir:
“Como podemos ajudar uma pessoa enferma que está sofrendo a ser curada, se tal enfermidade e sofrimento fazem parte do processo de purificação dos pecados da mesma? Não estaríamos interferindo, ou mesmo impedindo que ela alcançasse sua purificação?”
Se examinarmos as escrituras e considerarmos suas palavras, veremos que ela não apóia tais idéias. Pois ela revela que a expiação é por meio do sistema sacrificial estabelecido pelo próprio Criador na Torá e por meio de seu Servo justo, assim como a ressurreição dos mortos.
Estas duas coisas, expiação e ressurreição, são os dois recursos que o próprio Criador estabeleceu ao homem enquanto este viver aqui e agora, ao que devemos responder com gratidão, humildade e arrependimento. Não devemos esquecer que sem arrependimento, não há remissão de pecados.

Yeshua, o cordeiro de Elohim que tira o pecado do mundo.

Na tentativa de desqualificar Yeshua como Mashiach (Messias), muitos dentro do judaísmo tradicional e da cabalá, utilizam o argumento da expiação levítica para demonstrar que ele, Yeshua, não poderia ser, segundo a Torá, alguém habilitado para fazer a expiação dos pecados de Israel, pois para tal, era necessário que o indivíduo competente para o serviço fosse um Cohen (sacerdote) da linhagem de Aharon (Aarão), e como Yeshua não era sacerdote e nem da linhagem de Aharon não poderia realizar o ofício expiatório.
Para demonstrar que este argumento não se sustenta, vamos verificar nas escrituras, se somente os levitas filhos de Aharon estavam autorizados a fazerem sacrifícios pelo povo e se existia apenas esta “ordem sacerdotal”. Vejamos:
Sh’muel (Samuel)
 Foi sacerdote e não era da tribo de Levi, mas de Efraim (ver Sh’muel alef (I Samuel) 1.1, 19 e 20; 13.7-13)
Os filhos de David
Não eram levitas, mas judeus (como Yeshua) e eram sacerdotes (ver Sh’muel beit (II Samuel) 8.18)
A ordem de Malk-Tsedek (Melquisedec)
Uma profecia notoriamente messiânica indica outra ordem sacerdotal, com um status superior a dos levitas, pois é atribuída a esta outra ordem um sacerdócio eterno (ver tehilim (salmos) 110. 4, que lido em conexão com Z’charyah (Zacarias) 6.12 e 13; 3.8-10; Yirmeyahu (Jeremias) 23.3-7; Yeshayahu (Isaías) 11.1-5) nos levarão a concluir que Yeshua ha Natzaret cumpriu literalmente estas profecias. Vide Matitiyahu (Mateus) 22.44; 27.11; 28.18; Ma’assei (Atos) 2.34 e 35; Ivrim (Hebreus) 1.13; 7.1-28 e Guilyana (Apocalipse) 15.11-16. Portanto, podemos afirmar que o sistema expiatório dado pelo Eterno, continua vigente, não sendo necessária a formulação de outro sistema, como a reencarnação ou transmigração de almas para que haja uma purificação, pois é o sangue que faz expiação pela vida (ver Vayikrá (Levítico) 17.11 c/c Yochanan alef (I João) 1.7 e 2.1 e 2).
Agora, vejam a contradição entre os que dizem que Yeshua não pode fazer expiação por não pertencer a linhagem de Aharon e, portanto, transgredir a Torá:
Ao admitirem que por meio da reencarnação a pessoa possa ter seu pecado expiado, eles estão aceitando algo diferente do que aquilo que foi estabelecido pelo Criador em sua Torá! Algo que eles mesmos consideraram indispensável, com relação a Yeshua, no que diz respeito a expiação de pecados...Ou seja, usam de dois pesos e duas medidas para julgarem a questão, cometendo uma abominação perante o Eterno ( ver Mishlei (Provérbios) 11.1)

Reencarnação segundo o Espiritismo:

Poderíamos dizer que no ocidente, os principais proponentes da doutrina da reencarnação, seguem os ensinos do francês “Hippolyte Léon-Denizard Rivail”, que ficou conhecido no mundo inteiro pelo nome de “Allan Kardec”.
Em 18 de Abril de 1857 foi publicado o “Livro dos Espíritos”, que apresentava ao mundo a parte filosófica da doutrina.
Na verdade, Kardec não é o criador da doutrina da reencarnação tendo em vista que este conceito já existia a muitos séculos antes, mas é inegável o fato dele ser o codificador desta doutrina para a sociedade de então, e devido a predominância cristã no ocidente, é possível afirmar que a obra de Allan Kardec, buscou, dentre outras coisas adaptar os textos bíblicos às hipóteses reencarnacionistas.
Em janeiro de 1861, para a parte experimental e científica, Allan Kardec publicou a obra “O Livro dos Médiuns” visando o aspecto prático para todos os que desejassem ocupar-se das manifestações, seja pessoalmente, seja pela observação das experiências alheias.
É a partir deste conceito de comunicação com espíritos, proposto pelo referido livro, que identificamos um grave problema nesta prática, pois são contrários  ao que é instruído pelo Eterno, comparemos os textos:
“Podemos evocar todos os espíritos, seja qual for o grau da escala a que pertençam: os bons e os maus...” (Livro dos Médiuns, capítulo 25 item 274)
“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; Nem encantador, nem quem consultem a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Elohim os lança fora de diante de ti” (D’varim (Deuteronômio)18.11)
Como podemos observar, existe uma grande diferença entre um texto e outro, ou seja, um incentiva e o outro proibiu a comunicação com espíritos. Obviamente, são doutrinas antagônicas que não possuem a mesma fonte.
O Espiritismo, assim como os demais reencarnacionistas, também dá um caráter expiatório a reencarnação como podemos observar nos seguintes textos:
“Qual a finalidade da reencarnação? Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isso, onde estaria a justiça?” (Livro dos Espíritos, pergunta 167)
“O Criador a impõe com o fim de levá-los à perfeição. Para uns, é uma expiação, para outros, uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea: nisto é que está a expiação.” (Livro dos Espíritos, pergunta 132)
Como já tratamos disto no tópico ‘reencarnação x expiação’, não comentaremos sobre estas colocações, apenas recomendaremos a leitura do mesmo.
Um ponto interessante a se comentar, é o fato de ao perguntarmos sobre por que Yeshua ressuscitou ao invés de reencarnar, é dito que ele era um ser evoluído que já havia alcançado a elevação necessária e por isso não reencarnaria...
Isso nos leva a seguinte reflexão: Yeshua era elevado porque cumpria/observava a Torá (Lei), a qual, (como demonstramos anteriormente), repudia a idéia de comunicação com espíritos.
Um dos clássicos equívocos do espiritismo a cerca das escrituras, está na afirmação de que Yochanan há matvil (João Batista) era uma reencarnação do profeta Eliyahu (Elias), vejamos:
Em primeiro lugar, segundo esta doutrina, para reencarnar, a pessoa precisaria ter desencarnado (morrer) antes, sendo assim, Eliyahu não poderia reencarnar pois ele não morreu ! Mas foi transladado aos céus!(ver Melachim beit (II Reis) 2.11 e 12).
Em segundo lugar, a própria escritura nega que Yochanan fosse Eliyahu, vejamos:
“E perguntaram-lhe: Então quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não.” (Yochanan (João) 1.21)
Na verdade, vir no mesmo espírito de Eliyahu, era vir sob a mesma unção do profeta algo que outra pessoa além de Yochanan possuiu, vejamos:
“Sucedeu que, havendo eles passado, Eliyahu disse a Elisha (Eliseu): Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Elisha: peço-te que haja porção dobrada de tua Ruach (espírito) sobre mim.” (Melachim beit (II Reis) 2.9)
O Espírito que estava sobre Eliyahu era a Ruach HaKodesh (Espírito de Santidade), e foi neste mesmo Espírito que Yochanan há Matvil  (João Batista)

Conclusão:

A meta do Criador para o homem é a redenção por meio de um plano de expiação claramente estabelecido nas escrituras. A expiação tem como finalidade a ressurreição dentre os mortos para a vida e paz eternas. A ressurreição é a esperança dos Justos.
A reencarnação por sua vez, se opõe a ressurreição porque estabelece que o homem deve morrer uma centena de vezes para finalmente entrar em um estado de fusão com o cosmos, um conceito completamente estranha  a Fé bíblica, pois a Bíblia diz:
“Porque o Mashiach não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de YHWH;Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio;De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Yeshua HaMashiach, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” (Ivrim (Hebreus) 9.24-28)
Sendo assim, dizemos que a reencarnação é imoral, porque, na prática, nos impede de nos identificarmos e ajudar a uma pessoa em sua dor e tragédias sociais, pois ao fazer-lo, estaríamos interferindo no seu processo de purificação.
A encarnação nega o sistema expiatório dado pelo Eterno em suas escrituras, fazendo dEle um mentiroso, pois pretende estabelecer outro programa de expiação e purificação paralelo ao das escrituras e sem fundamento nelas.em fundamento nelas.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sedrá da semana

                                                      "YITS'CHAK E RIVKAH"

Por Yochanan ben Avraham

Introdução:
Chegamos a mais uma linda e riquíssima porção da Torá, neste Shabat estaremos aprendendo mais algumas lições para aplicarmos ao nosso dia a dia com a finalidade de termos uma vida mais elevada.

Uma vida produtiva
Logo no início, temos uma expressão sobre Avraham que suscitou em diversos comentarista ao longo da história, uma interpretação muito interessante, é a seguinte:

"E Avraham era velho e entrado em dias..." (Bereshit 24.1)

É dito que tal expressão significa que Avraham não foi apenas velho e obviamente com muitos dias, mas que o termo "entrado em dias", revela que o patriarca viveu cada dia, aproveitou as oportunidades surgidas no decorrer de sua jornada não desperdiçando o tempo que lhe foi concedido. Se esta declaração realmente significa isso... não podemos afirmar com certeza, no entanto a lição a ser aprendida é verdadeiramente muito útil, pois quantos de nós passamos nossos dias sem produzir nada que possa cooperar com o estabelecimento do Reino de YHWH, que não beneficia a vida do próximo ou mesmo de toda a sociedade ? Quantos dias passaram "em branco" em nossas vidas sem que sequer percebêssemos ?

Que nós possamos ter o mesmo raciocínio que Moshe deixou registrado no Sefer Tehilim (livro dos Salmos) 90.12:

"Ensina-nos a contar nossos dias, para que venhamos  a ter um coração sábio !"


A companheira ideal
O segundo ponto a considerarmos nesta sedrá, é o critério utilizado por Avraham na escolha da noiva para seu filho Yits'chak:

"...não tomes, para meu filho, mulher das filhas do Cananeu, entre o qual eu moro. Entretanto, à minha parentela irás, e tomarás mulher para meu filho, para Yits'chak." (Bereshit 24. 3 e 4)

Aqui está a razão de tantos casamentos darem errado. "incompatibilidade de valores, de princípios, de crenças".
Yits'chak foi educado e protegido sob os princípios da Torá do Eterno. Desde pequeno, sua mãe Sarah velava por sua vida e quando percebeu que ele poderia sofrer algum tipo de má influencia, logo intervia com rigor para que isto não viesse a ocorrer (Ver Bereshit 21.9). Avraham, por sua vez, não estava fazendo nada além do que manter o cuidado de livrar seu precioso filho.
Por que tanto cuidado na escolha da Noiva para Yits'chak ? A resposta esta relacionada ao que Yits'chak representava...ou seja, o Filho da Promessa, aquele que iria perpetuar a aliança de YHWH e o matrimônio significa uma união onde duas pessoas se tornam uma só carne (Ver Bereshit 2.22 e 23). Logo, se Yits'chak casasse com uma cananita, estaria misturando a "semente" de Avraham com outra "semente" o que certamente causaria muitos problemas, pois os cananeus tinham costumes que são totalmente reprovados pela Torá. Só para se ter uma idéia S'dom e Amora (Sodoma e Gomorra) eram cidades cananeias. Canaã era filho de Ham (Cão) e neto de Noach (Noé) e sabemos o que Ham fez ao seu pai quando este estava privado dos sentidos. Portanto, não é a toa que Avraham fez seu servo jurar sob pena de maldição [pois no verso 41 o termo empregado é "mealati" que vem de Alá que também significa maldição, ou seja, se o juramento não fosse cumprido ele estaria amaldiçoado. Algo distinto de Shevuá (voto)] que não buscaria entre os cananeus, uma noiva para seu filho Yits'chak.

Mais adiante, a Torá revela com muita clareza os porques de não se contrair núpcias com pessoas que cultivam outras crenças:

"Quando o Senhor, teu Elohim, te tiver introduzido na terra que vais possuir, e tiver despojado em teu favor muitas nações, os heteus, os gergeseus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus, sete nações maiores e mais poderosas do que tu; quando o Senhor, teu Elohim, as tiver entregado e tu as tiveres vencido, então as votarás ao interdito; não farás pacto algum com elas, nem as tratarás com misericórdia. Não contrairás com elas matrimônios: não darás tua filha a seus filhos, e não tomarás de suas filhas para teu filho,pois elas afastariam do Senhor o teu filho, que serviria a outros deuses; a cólera do Senhor se inflamaria contra ele e não tardaria a exterminar-vos." (D'varim 7.1 ao 4)

Que possamos ter o discernimento e a paciência para não fazermos alianças com quem nos desviará dos caminhos do Senhor, lembrando sempre dos conselhos dos emissários de Yeshua:

"Não vos deixeis enganar: Más companhias corrompem bons costumes." (Curintayah alef 15.33)

O critério do servo de Avraham
É interessante relatarmos qual foi o critério utilizado pelo servo de Avraham para escolher a noiva de Yits'chak. Ele não priorizou a beleza física, a aparência da moça, mas as virtudes das quais podemos destacar a bondade, a caridade e a hospitalidade.
Compare isso com o que disse Sh'lomo ha melech (Salomão o rei) em Mishlei 31.30:

"Enganosa é a graça, e vã é a formosura; mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada."

A Postura de Yits'chak ante ao casamento
Outra coisa que nos salta aos olhos, é o fato de Yits'chak estar meditando no campo momentos antes de conhecer sua esposa, princípio que muitos de nós têm abandonado, não buscando momentos de meditação e reflexão antes de tomarem decisões que podem afetar nossas vidas para sempre ! O jovem Patriarca estava começando uma nova etapa de sua da melhor maneira, elevando seus pensamentos ao Criador. Compare isso com o que disse Sha'ul ha sh'liach:

"Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de YHWH pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de YHWH, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Yeshua HaMashiach." (Filip. 4.6 e 7)


Um sutil paralelo com o Retorno de Efraim e uma curiosidade
Neste lindo episódio, encontramos alguns elementos que nos remetem ao processo de restauração das duas Casas de Israel (Yehudah e Efraim).
Nós sabemos que Israel é a noiva do Mashiach (ler o artigo Israel a verdadeira noiva do Messias). Porém, atualmente ela encontra-se dispersa entre as nações, as dez tribos do norte (Efraim) se misturou com as nações (ver Oshea 7.8) estas 10 tribos são conhecidas historicamente como as "ovelhas perdidas da casa de Israel" as quais o próprio Elohim viria para resgatá-las (ver Yechezkel 34.11 ao 16 c/c Matitiyahu 15.24).
Com isso em mente, leiamos Yirmeyahu 16.10 ao 17:

"Assim que tiveres levado ao povo essa mensagem e te perguntarem: Por que decretou o Senhor contra nós todos esses flagelos? Qual é o pecado, qual o crime que cometemos contra o Senhor, nosso Elohim?
Tu lhe dirás: é porque vossos pais me abandonaram - oráculo do Senhor -, para correr atrás de outros deuses, rendendo-lhes um culto e ante eles se prosternando, porque me abandonaram e deixaram de observar a minha lei; e porque vós mesmos fizestes pior que vossos pais, cada qual, sem me ouvir, obstinando-se em seguir as más tendências de seus corações.
Assim, expulsar-vos-ei desta terra para vos lançar numa terra que não conhecestes, nem vós nem vossos pais. Lá, dia e noite, rendereis culto aos deuses estranhos, porque eu não vos perdoarei.
Eis por que virão dias - oráculo do Senhor - em que não mais se dirá: Viva YHWH, que tirou do Egito os israelitas!
Mas sim: Viva YHWH, que fez com que regressassem os israelitas do norte e de todos os países pelos quais os havia dispersado! Fá-los-ei regressar à terra que dei a seus pais.
Vou mandar - oráculo do Senhor - pescadores em grande número para que pesquem. Depois enviarei numerosos caçadores para que cacem pelas montanhas e colinas e até nas cavidades dos rochedos.
Porquanto, sob o meu olhar tenho seus atos que não me são ocultos, e suas iniqüidades não se podem esquivar a meus olhares."

Vamos aos paralelos e curiosidades:
* Avraham envia seu servo para encontrar uma noiva para seu filho.
   Conforme profetizado por Yirmeyahu, Yeshua envia seus Talmidim (discípulos) para resgatar os israelitas

*Assim como o servo de Avraham levou 10 camelos consigo, 10 homens (tribos) pegarão no tsitsit (franjas do Talit) de um Judeu, Yeshua (ver Zac.8.23) Ele é Shiloh, aquele que quando viesse, atrairia os povos (ver Bereshit 49.11), pois Yeshua veio para buscar as ovelhas  perdidas da casa de Israel (Efraim)

*o valor numérico de "assarah gemalim" (dez camelos) é 698. o mesmo valor encontrado na frase "vehi zekartani"  (e faze-me lembrado), ou seja estaria a Torá dizendo que Yeshua estaria fazendo com que Efraim lembrasse de sua identidade ? Pois Efraim (10 tribos), ficaria tanto tempo distante que estranharia a própria Torá (Ver Os. 7.9 e 8.12).

Que nossa identidade seja restaurada e assumida, para que enfim, possamos estar preparados para nosso noivo.

Shabat Shalom a Todos e...até a próxima !!!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mensagem da Sedrá da semana

Shabat Shalom a todos !

Após um tempo ausente, retornamos às atividades no blog trazendo a todos os leitores uma reflexão sobre o estudo da Torá deste Shabat, que se encontra no sefer bereshit (Livro de Gênesis) perek (capítulo) 23...Boa leitura !

                                                          A MORTE DE SARAH

Por Yochanan ben Avraham

Introdução:
Antes de abordarmos o assunto desta semana, gostariamos de trazer a memória de nossos prezados leitores que, o real objetivo da Torá é trazer santidade ao povo de YHWH.
Através da observância de seus preceitos, podemos alcançar uma vida mais elevada pois ela está repleta de orientações de caráter ético e moral que podem, (se observados), tornar o mundo um lugar melhor para se viver.
Não ignoramos o aspecto espiritual da Torá e suas derivações, no entanto, nós entendemos que Torá é prática e não elucubrações, suposições místicas do que pode ser ou não ser e etc. Pois foi o Próprio Criador que revelou em D'varim (Deuteronômio) 29.29 o seguinte:

"As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Elohim, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta Lei."

Corroborando com esse raciocínio, vejamos algumas declarações de um israelita do Caminho do primeiro século:

"Porque os que ouvem a Lei não são justos diante de YHWH, mas os que praticam a Lei hão de ser justificados." (Sha'ul ha Sh'liach)

E ainda:

"O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos;
Aos quais YHWH quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é o Mashiach em vós, esperança da glória...
Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Mashiach;
Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade...
Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão. E não ligado à cabeça (Mashiach), da qual todo o corpo (Israel), provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de YHWH."
                                                                                                                                   (Sha'ul ha Sh'liach)
Diante destas coisas, finalmente vamos a mensagem desta semana:

Avraham estava em um momento muito sensível de sua jornada, pois ele estava se despedindo de sua companheira, Sarah encerrava sua jornada e como último ato de carinho àquela que o acompanhou por vales e montes, campos e desertos, Avraham procurava um lugar digno para sepultá-la...

1 - Um príncipe de Elohim.
A primeira lição que podemos exrair deste texto, encontra-se no passuk (versículo) 6:
Neste trecho, Avraham é chamado (ou reconhecido) como "Nassi Elohim"  (príncipe de Elohim). É interessante notarmos que, apesar deste reconhecimento popular, Avraham não mudou sua conduta, não teve seu ego inflado por causa de um "título de honra" que lhe atribuiram, manteve-se humilde, chegando a se curvar perante o povo da terra de Chet !! Compare isso com a mensagem da bessorah (boa nova) de Matitiyahu (Mateus) 20. 27 e 28:

"E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo;
Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos."

Chaverim (amigos), creio que a mensagem que a Torá está transmitindo aqui é clara:

"Não devemos, por conta de um título ou reconhecimento, julgarmo-nos superiores aos outros" e tirar proveito da situação para beneficiarmo-nos de alguma forma...Pensemos nisso!

2 - Efron x Avraham, um contraste de caráteres.
Outra lição a ser aprendida, encontra-se nos passukim (versículos) 10 ao 16, vejamos:
Tanto Efron quanto Avraham, têm como letra central o "Resh", cujo valor numérico é 200 e se somarmos ambas, chegaremos ao valor pago por nosso patriarca, ou seja, 400...Outro aspecto interessante nesta particularidade entre Efron e Avraham na Letra "Resh", é o fato desta ser a letra para a palavra "Rosh" (literalmente cabeça), termo utilizado para designar liderança. Mas o que isso quer dizer qual seria o "contraste" entre eles ? Bem chaverim...entendemos que ambos gozavam das mesmas possibilidades, mas o caráter de cada um se revelou quando o "lucro" ou a "perda" passaram a ser uma realidade, vejamos:
No capítulo 18 de Bereshit, vemos Avraham oferecendo aos "homens" água e pão (versos 4 e 5). No entanto, serviu-lhes um banquete ! (versos 6,7 e 8) Ou seja, superou as expectativas...Enquanto Efron, anunciou que daria a terra de graça (Bereshit 23.11) mas no final, "cobrou" 400 siclos de prata ! Você pode notar o contraste ?

Agora compare isto com a mensagem da bessorah (boa nova) de Matitiyahu (Mateus) 5.40 e 41:

"E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas."

 A lição aqui é :

"Supere as boas expectativas que as pessoas possam ter sobre você !" 

3 - Não deva nada a ninguém !
Poderiamos também sugerir, que Avraham não queria "dever" nada a ninguém...por isso fez questão de pagar a Efron a quantia mencionada por este. De fato, este princípio acompanhou os talmidim (discípulos) de Yeshua, vejamos:

"Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.
A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a Lei."
                                                    (Ruhomayah 13.7 e 8)

Numa sociedade capitalista, onde o consumismo é pregado de forma massiva, quem de nós nunca perdeu o sono por causa de dívidas ? Quantas vezes compramos sem dinheiro, aquilo que poderia esperar um pouco para obtermos e ficamos "enrrolados" ? Pois bem, se seguirmos este conselho, certamente teremos uma vida mais tranquila...
Infelizmente, muitas pessoas já perderam a "vergonha" e não se importam mais em estar "devendo" aos outros, não se importam mais se estão causando prejuizo ao próximo.

Que possamos ter esta consciência, e desenvolvermos domínio próprio (que é fruto da Ruach haKodesh)...

YHWH abençoe a todos...

SHABAT SHALOM !!!

domingo, 12 de junho de 2011

Impactos da Teshuvá

Por Yochanan ben Avraham

Shalom chaverim (amigos)!

 Desejo expor um pensamento que na verdade não deixa de ser uma espécie de preocupação com todos aqueles que adentraram o estreito caminho da Teshuvá.

É inegável as consequências que a Teshuvá exerceu (e exerce !) em nossas vidas trazendo mudanças nos nossos conceitos, estilos de vida e etc. O que também é flagrante na Teshuvá, é a conscientização de que há uma urgente necessidade de restauração da Fé verdadeira e/ou primitiva.

Esta necessidade gera uma espécie de repúdio a tudo aquilo que tínhamos como "verdade" mas, na realidade, não era!! E no afã de realizarmos uma "faxina doutrinária", corremos o risco de perdermos,
ou mesmo, "jogarmos fora" coisas preciosas para nossa edificação e fortalecimento como cidadãos do Reinos de YHWH e mesmo como Kehilah.

Por fazermos algumas "associações equivocadas" como por exemplo: oração espontânea, jejum, vigílias, vigilância na conduta, linguajar e posturas sadias sem "palavrões" e "obscenidades
corporais", como se fossem propriedades ou particularidades do cristianismo, mas são de quem quer servir ao Eterno!!  Compreendemos que pode haver uma reação psicológica por causa deste equívoco de
associação, mas isso não justifica o abandono destas práticas que, repito, não são propriedade do cristianismo, mas de quem quer servir a HaShem.

Não creio que eu esteja exagerando ao postar tal pensamento, pois sou testemunha de que alguns daqueles que estão retornando a Torá, saindo do cristianismo, perderam (ou abandonaram) a prática da oração, jejum e etc. E se afundaram em crises, das quais muitos, infelizmente, ainda não saíram.

 Alguns reduziram sua prática de oração a "leitura" das amidot (orações formatadas praticadas no judaísmo) mecanicamente. Não estou dizendo aqui que não devemos rezar as Amidot, mas que devemos oferecer mais do que cerimônias e rituais, não podemos esquecer o que o Eterno, Ha Kadosh Baruch Hu (O Sagrado Bendito Seja Ele), falou por meio de Yeshayahu (Isaías) 29.13:

"...seu temor para comigo, não passa de "ritualismo"
                                                       (obviamente estou parafraseando).

Enfim, quero concluir dizendo que a realidade do Caminho não é simples, pois somos questionados e mesmo odiados por judeus, cristão, ateus e etc. Portanto, não devemos desprezar os conselhos dos primeiros talmidim (discípulos), como o de Sha'ul HaShaliach (Sha'ul o emissário/ apóstolo Paulo) em Efessaiah (Efésios) 6. Pois somente com um revestimento espiritual poderemos resistir a todas estas "pressões" sem retrocedermos nas nossas convicções.

Que YHWH Tsevaot nos ajude...

Shavua tov !!!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O cristianismo e o "Paquequer".

Por Yochanan ben Avraham

Introdução

Para quem não sabe, "Paquequer" é o nome do principal rio de minha cidade, Teresópolis (RJ), cuja nascente fica localizada na Serra dos Orgãos. Assim como muitos outros rios brasileiros, a realidade atual do Paquequer não é nada agradável...pois a falta de consciência ecológica da população tem causado diversos danos a saúde do rio e, porque não dizer, de toda a natureza às suas margens.

Você pode estar se perguntando: "Mas qual a relação entre o Paquequer e o cristianismo ?" Infelizmente, a realidade atual do Paquequer, reflete a realidade do cristianismo e quando fazemos um exame histórico-doutrinário deste seguimento religioso de maneira análoga com o Rio Paquequer, fica uma evidente proposta de revisão de conceitos e práticas.

Acostumados a "sujeira".

Por mais que seja vergonhoso para mim, devo confessar que ao me deparar com as condições do rio Paquequer, não fico escandalizado e nem perco o sono com o quadro degradante de poluição apresentado pelo rio, a quantidade de lixo, o cheiro fétido que suas águas exalam, o numero de ratazanas em suas margens e a quantidade de tubos que lançam esgoto 'in natura' não me causam crises...Isto ocorre porque, infelizmente, desde que me entendo por "gente" vejo este rio assim, ou seja, cresci acostumado com a sujeira do Paquequer... Porém, quando comecei a ter acesso a fotografias do passado do Paquequer e a relatos de gerações anteriores a minha sobre como era este rio, não há como não se sensibilizar e lamentar tudo o que vemos.
No Passado, podia-se tomar banho, navegar e pescar sem nenhuma preocupação ! Hoje, é praticamente impossível encontrar alguém que tenha coragem de "molhar os pés" nele...

Da mesma forma, muitas pessoas hoje não se escandalizam e nem perdem o sono com o que se 'prega' e se faz nas igrejas, pois desde que nasceram, vivem num ambiente apóstata e herege, sem saber o quão longe da verdade bíblica estão.
Não se escandalizam com a substituição do Shabat (Sábado) pelo domingo, porque nunca lhes ensinaram que essa mudança ocorreu em 7 de março de 321 EC (era comum) por ordem de Constantino, contradizendo as Sagradas Escrituras, que afirmam que o Shabat é um sinal perpétuo entre o Eterno e seu povo (Israelitas e estrangeiros enxertados por meio do Messias Yeshua) como pode ser verificado em Shemot (Êxodo) 31.13-17 e Yeshayahu (Isaías) 56. 4-8. Não se preocupam com o fato de se estar celebrando o Natal, festa essa que é um inegável sincretismo com festividades pagãs e idolatras como a saturnália, o que demonstra um total desprezo as advertências bíblicas contidas em D'varim (Deuteronômio) 7. 1-6 e Galutyah (Gálatas) 4.8-10. Não perdem o sono por celebrarem o Pessach (Páscoa) em uma data diferente da ordenada por YHWH e ainda por cima acrescentarem elementos idolatras em algo tão sagrado, esquecem ou não sabem que YHWH determinou quando e como devemos celebrar esta Festa em Shemot (Êxodo) capítulo 12, no entanto, preferem seguir o que o concílio de Nicéia (325 EC) determinou em detrimento das escrituras uma nova data para esta celebração. Sem falar da implementação de elementos estranhos ao mandamento como ovos, chocolate, colombas e etc. simbolismos de culto a divindades incorporadas em algo que devia expressar santidade ao Único e verdadeiro Elohim, YHWH.
Acreditam em engodos sem suspeitarem de que estão sendo enganados, como por exemplo, crer e pregar um arrebatamento pré tribulacionista numa "vinda invisível" de Yeshua, doutrina que começou a ser difundida a partir de 1830 (EC), baseada em interpretações de textos isolados e "visões" de uma jovem de 15 anos que era esquizofrênica...
Nada disso assusta, porque os proponentes destes ensinos, nasceram, cresceram e morreram acreditando que as coisas sempre foram desta forma...mas não imaginam ou imaginavam que as coisas poderiam ser diferentes. Porém, se buscarem conhecer a origem das práticas cristãs, serão obrigados a rever muitas de suas práticas e crenças.

Sede, doenças e morte.

O corpo humano é composto por 70% de água e o ser humano pode ficar até quatro dias sem água ou até sete dias em tempo frio - dependendo, claro, das condições físicas de cada um. Com isso, podemos ter uma noção do quanto a água é importante para nós.
Não são raros os casos de pessoas que, numa situação extrema como estar parcialmente soterrado, ou em meio a escombros, perdidos num deserto ou náufrago em alto mar, terem bebido, para poder sobreviver, a própria urina ou próprio sangue...sede extrema nos leva a uma atitude extrema ! Por isso, não duvido que, se estivermos numa situação assim, não hesitaríamos em beber das águas do "Paquequer", mesmo estando imundas...no entanto, não morreríamos de sede, mas certamente contrairíamos alguma doença (como a cólera por exemplo) que nos mataria aos poucos e de maneira bem angustiante...

Comparemos o que foi dito acima com o que diz Amós 8.11:

"Eis que vêm dias, diz o Senhor YHWH, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras de YHWH.
E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra de YHWH, mas não a acharão.
Naquele dia as virgens formosas e os jovens desmaiarão de sede.".

As escrituras prevê uma fome e uma sede que levarão os homens a percorrerem grandes distâncias para saciarem suas necessidades, fome e sede de ouvir a Palavra do Senhor.
Por causa desta sede anunciada, muitos têm bebido de fontes que jorram águas turvas e a grande tragédia se configura no fato de que ao invés de morrerem  de sede, morrerão em decorrência das doenças causadas pelas "bactérias" existentes nestas "águas" onde a pior delas é a ANOMIA (negação da Torá)

Como escapar, onde encontrar água limpa ?

Mesmo hoje, em pleno Século XXI, onde a poluição é crescente mesmo com o esforço para conscientizar a população, é possível encontrarmos água potável no Paquequer. Se percorrermos o sentido contrário das correntezas do rio, inevitavelmente chegaremos na nascente deste rio, onde poderemos encontrar água limpa e saudável que refrigerará nosso corpo...
A mesma coisa acontecerá espiritualmente se decidirmos encontrar a nascente da Fé, ou seja, onde tudo começou.
Ao contrário do que muitos dizem, este tudo, não começou no Evangelho de Mateus mas muito, muito antes disso. E nestes dias onde celebramos Shavuot (Festa das Semanas, conhecida como Pentecostes), nada mais apropriado do que dizer que a fonte de água limpa e viva, começou a jorrar para nós no Monte Sinai quando o "Memra" (Verbo/Essência) de YHWH nos deu sua santa Lei /Torá.

Voltemos à pureza das escrituras, vamos nos esforçar contra a correnteza deste rio fétido e imundo para chegarmos a nascente da Vida.

Shavua Tov a todos !