sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Midrash Vaera




 Elohim envia Moshê para avisar os judeus que serão libertados
 
Moshê perguntou a Elohim: "Por que me mandaste aos judeus se apenas piorei as coisas? Antes de ir falar com o faraó, os egípcios proporcionaram palha aos judeus para fazer tijolos. Mas depois que me enviaste ao seu palácio, o faraó ordenou aos judeus que juntassem sua própria palha." Elohim se aborreceu com Moshê e respondeu: "Não me critiques! Tenho boas razões para tudo que estou fazendo."

Os judeus foram obrigados a trabalhar até o limites de suas forças para satisfazer as exigências do faraó. Porém, não se concentraram em seus próprios problemas, porque recordaram que cada judeu estava passando pela mesma situação. Ao terminar o dia, quando o corpo estava tão exausto que mal podia mover-se, um judeu que havia terminado o trabalho ainda ajudava o outro que a terminar sua tarefa. Elohim viu como os judeus mostravam compaixão uns pelos outros. De modo que, também, mostrou compaixão por eles e ordenou a Moshê: "Vá a todos os lugares onde trabalha o Povo de Israel e diz: ‘logo Elohim os tirará daqui!’ Escutei suas tefilot (preces) e tenho visto como ajudam-se uns aos outros! Assim como vocês se mostram compassivos entre vós, Elohim mostrará compaixão também!"

Moshê se encaminhou aos lugares onde os judeus trabalhavam e anunciou:
" Escuta, Bnê Yisrael! Logo estareis livres e Elohim os levará a Eretz Yisrael!"
Mas os judeus tinham tanto medo dos supervisores do faraó que não deixaram de trabalhar nem um minuto para escutar a Moshê.


Moshê e Aharon mostram sinais ao faraó

 
Elohim disse a Moshê e Aharon. "Agora volta ao faraó e diz: "Elohim te ordena: Deixa os judeus irem embora."

"Se o faraó pede um sinal de que sou Eu que o envia, que Aharon pronuncie as palavras: "Cajado – transforme-se em serpente." Então transformarei o bastão de Aharon em serpente."

Com efeito, aconteceu que quando Moshê e Aharon foram ver o faraó, este lhes pediu um sinal. Aharon jogou o cajado ao solo e pronunciou essas palavras. E o cajado se transformou em serpente.
O faraó começou a rir. "Acham que me deixarei impressionar por este truque? Não sabeis que nós, os egípcios, somos todos mágicos? Também podemos fazer o mesmo truque!"

O faraó chamou seus magos. Estes jogaram os cajados ao solo e cada um se converteu em serpente! Logo todos os magos voltaram a converter as serpentes em cajados. Então Elohim fez um milagre que os egípcios não puderam copiar:

A serpente de Aharon voltou a transformar-se em cajado e engoliu a todos os outros cajados! O faraó sabia que acabara de presenciar um milagre, algo que nenhum mago poderia fazer. Mas era perverso e teimoso. Disse: "Não escutarei a Moshê e Aharon apesar disso!"

Por que o cajado de Aharon se converteu em serpente

Por que Elohim converteu o cajado de Aharon em serpente e não qualquer outra coisa?

  Elohim deu a entender ao faraó: "Tu pronunciaste palavras más, tal como a serpente no Gan Éden (o paraíso) quando disseste: "Não sei quem é Elohim." Por isso, serás castigado como a serpente o foi."


As Dez Pragas

Quando Moshê e Aharon saíram do palácio do faraó, Elohim disse a Moshê: "Vá novamente ver o faraó amanhã cedo. Irás encontrá-lo junto ao rio por onde passeia todas as manhãs. Adverte-o de que disse: "Não sei quem é Elohim." Mas se não escutas a Elohim logo começarás a saber quem é, pois Ele trará um terrível castigo! Transformará a água do Nilo em sangue."

Moshê advertiu o faraó, mas este não se importou. Elohim mandou a primeira praga: sangue.

A ordem das dez pragas

Esta é a ordem das prgas que Elohim enviou ao Egito:

  • Sangue
  • Rãs
  • Piolhos
  • Animais selvagens
  • Morte dos animais (peste)
  • Sarna
  • Granizo
  • Gafanhotos
  • Trevas
  • Morte dos primogênitos
Por que Elohim enviou as pragas nesta ordem em particular: primeiro o sangue, depois rãs, piolhos, etc.? Uma resposta é que Elohim atuou como general que vai a uma guerra contra seu inimigo.

Sangue:
Antes de entrar na cidade inimiga, o general e seu exército envenenam os poços de água dos inimigos para que não tenham mais água potável. Do mesmo modo, Elohim primeiro cortou os suprimentos de água dos egípcios.

Rãs:
Logo o general ordena aos tocadores de trombeta e tambores que toquem os instrumentos tão forte que o barulho assuste o inimigo.
De maneira análoga, Elohim trouxe as rãs, cujo coaxar incomodou terrivelmente os egípcios.

Piolhos:
O general ordena que os soldados disparem flechas sobre os inimigos para matar os soldados e assustar o restante deles.Do mesmo modo, Elohim castigou aos egípcios com piolhos que os picaram como flechas.

Animais selvagens: Antes do ataque, o general convoca outros exércitos para que se unam na luta. Igualmente, Elohim chama os animais selvagens para que se reúnam e lutem contra os egípcios.

Morte dos animais (peste):
Antes da batalha, o general envia mensageiros especiais que encontram formas de destruir os animais do inimigo. Elohim trouxe uma praga especial: a peste, que atacou os animais dos egípcios e lhes causou a morte.

Sarna: O general busca formas de destruir soldados no campo inimigo, para que restem menos guerreiros para lutar. Igualmente, Elohim causou a doença dos egípcios, fazendo com que tivessem sarna.

Granizo: O general bombardeia a cidade com armas e mísseis. Elohim enviou tempestades de granizo sobre os egípcios.

Gafanhotos: Por último, o general e seu exército entram na cidade inimiga e a destroem. Da mesma forma, os gafanhotos destruíram todos os campos que restaram depois da praga do granizo.

Trevas:
O general joga muitos dos seus inimigos na prisão. Elohim causou uma escuridão tão grande que aprisionou os egípcios, pois os impediu de moverem-se.

Morte do primogênito: O general mata os líderes do inimigo que se julgam imortais e superiores, Elohim com isto envia um recado de Quem realmente manda.


Por que os egípcios mereceram as pragas

Todos os castigos de Elohim são justos. Ele castigou o povo egípcio com as dez por terem sido extremamente cruéis. Cada uma das pragas tinha um motivo que correspondia a cada um dos tratamentos que os egípcios deram ao Povo de Israel.

Sangue: Os egípcios obrigavam os judeus a trazer-lhes água do rio; assim, Elohim transformou a água em sangue. Outra razão pela qual Elohim fez que o primeiro castigo fosse relacionado ao rio Nilo foi porque os egípcios pensavam que o Nilo era um "deus". Ao converter a água em sangue, Elohim mostrou-lhes que Ele tinha poder sobre o rio.

Rãs: Os egípcios ordenavam aos judeus: "Tragam-nos rãs, caracóis e insetos. Queremos divertir-nos com estes animais." Ao obrigar os judeus a trazerem rãs, Elohim castigou os egípcios com estes animais.

Piolhos: os egípcios costumavam ordenar aos egípcios: "Varram os pisos de nossas casas e ruas, e arem os nossos campos". Elohim transformou todo o pó do Egito em piolhos, para que os judeus não tivessem mais que varrer!

Animais selvagens: Os egípcios também diziam aos judeus: "Precisamos de leões, tigres e ursos para nossos zoológicos e circos. Capturem estes animais para nós!" Era apenas uma desculpa cruel para enviar os judeus ao deserto e aos bosques, mantendo-os afastados de suas famílias e correndo alto risco de vida. Elohim castigou os egípcios por este ato, fazendo que desabasse sobre eles animais selvagens.

Peste: Os egípcios também obrigaram os judeus a serem pastores do gado para enviá-los a campos distantes e mantê-los afastados das famílias. Como castigo, Elohim matou os animais dos egípcios com uma peste.

Sarna: Outra cruel idéia dos egípcios era dar ordens confusas aos judeus nas casas de banhos: "Aqueça-me a água! Traga-me água fria!" De modo que Elohim afligiu os egípcios com bolhas de sarna que doíam tanto que já não podiam tomar banhos, quentes ou frios! Outra razão pela qual os egípcios foram castigados com horríveis bolhas foi porque consideravam os judeus uma classe social inferior. Um egípcio nunca comia junto a um judeu. Assim, Elohim castigou os egípcios com bolhas dolorosas com aspecto tão desagradável que ninguém queria aproximar-se deles.

Granizo: Outro ato de maldade dos egípcios consistia em ordenar aos judeus: "Planta-me um jardim! Planta-me algumas árvores!" Elohim destruiu, pois, os jardins e bosques dos egípcios com granizo.
Gafanhotos: os egípcios também ordenavam aos judeus: "Colham grãos para nós, favas e plantas", por isso estes foram comidos pelos gafanhotos.

Trevas: Os egípcios também ordenavam aos judeus levar velas e tochas por eles, nas ruas escuras. Também encerravam os judeus em cárceres escuros. Por este motivo Elohim também causou a escuridão. Além disto entre os judeus havia reshaim (malvados), que não mereciam ser libertados do
Egito. Esses judeus perversos morreram durante a praga das trevas, de maneiras que os egípcios não pudessem vê-los e exclamar com alegria: "Vejam, os judeus também estão sendo castigados, como nós!"

Morte do primogênito: Elohim castigou os egípcios matando os filhos primogênitos, pois o Faraó havia dado a ordem: "Matem a todos os primogênitos varões judeus!" Os egípcios também eram cruéis com o povo judeu que era chamado de "primogênito de Elohim". Por isso, Elohim matou seus filhos mais velhos. 


A intransigência do faraó

Sangue

Perante o faraó e seus servos, Aharon estendeu o cajado sobre o rio Nilo. Neste instante, o rio e toda a água do Egito se transformaram em sangue!

Nos tempos antigos, muitas nações bebiam sangue. Talvez os egípcios também tivessem bebido, se Elohim não tivesse causado a morte de todos os peixes do Rio Nilo. Isto fez com que o rio cheirasse tão mal que os egípcios não puderam beber o sangue. Não apenas o rio se transformou em sangue, mas toda a água da terra do Egito. Se alguém fosse à casa de banhos, não encontraria água para banhar-se, somente sangue. Mesmo nos lugares secos havia sangue. De repente, havia poças sobre as camas e cadeiras. Quando em egípcio se sentava, ficava empapado de sangue. Levantava-se rapidamente, mas sua roupa já estava estragada. Os egípcios começaram a sentir muita sede porque não se encontrava água em lugar nenhum. Como podiam aplacar a sede?

Na terra de Goshen, onde viviam os judeus, a água estava normal. Os egípcios para lá viajaram, e ordenaram aos judeus que lhes dessem de beber. Mas sabem o que acontecia, assim que um judeu dava água a um egípcio e este tentava bebê-la? Transformava-se em sangue!

Então alguns egípcios disseram aos judeus: "Bebamos do mesmo copo!" Mas isso também não adiantou, pois o líquido que saía do copo para o judeu era água, e para o egípcio… sangue!
Alguns egípcios disseram aos judeus: "Queremos comprar água." Quando estes pagavam a água com dinheiro, esta não se transformava em sangue. Assim que os egípcios perceberam isso, começaram a comprar água. Os judeus ganharam muito dinheiro durante sete dias, até que Elohim pôs fim à praga.

O faraó perguntou aos magos: "Vocês também podem transformar água em sangue? "Sim", responderam os magos, e assim o fizeram. "Neste caso, não darei ouvidos a Moshê," decidiu o faraó.

Rãs


 Elohim disse a Moshê: "Vá e torne a advertir o faraó que liberte os judeus. Se não escutar, enviarei uma praga de rãs."

Moshê avisou o faraó, mas este não lhe deu atenção. Elohim, pois, fez sair do rio Nilo uma rã gigantesca. Os egípcios não gostaram do enorme e horrível animal, e o golpearam com pedras. "Matemos essa rã monstruosa!’ gritaram.

Mas o que aconteceu foi que ao invés de morrer, a rã cuspia pequenas rãs, a cada vez que a golpeavam. Era terrível! Mais e mais rãs saíam do rio, e logo o Egito se encheu de rãs. Quando um egípcio queria falar, seus amigos não podiam ouvir o que dizia, pois coaxavam sem parar. O barulho era muito forte. "Vamos a um lugar tranquilo!" Os egípcios desistiram de falar entre si, porque ninguém podia escutar uma palavra do que o outro dizia. A noite as pessoas não podiam conciliar o sono por muito tempo, de tão forte era o coaxar que se ecoava por toda parte.

As rãs entraram em todos os lugares. Quando uma mulher egípcia assava pão, as rãs se metiam no forno. Era cozida junto com o pão, de maneira que o gosto era de rã assada. Tinha sabor tão desagradável que os egípcios perderam o apetite. Se um egípcio bebia água, o copo fervilhava de rãs. Não se podia evitar de engolir algumas. Todos os quartos dos locais egípcios estavam cheios de rãs. Quando um egípcio ia banhar-se, as rãs saltavam e o mordiam. O faraó odiava as rãs. Seu palácio estava cheio delas. Havia rãs na cozinha, no banheiro, saltando por toda a parte. O faraó chamou Moshê e Aharon.

"Estas rãs, saltando e coaxando, estão me deixando louco! Deixarei os judeus irem embora, se fizeres desaparecer as rãs!"

Moshê implorou a Elohim: "Por favor, faça desaparecer as rãs!"

As rãs morreram. Logo que o faraó viu isso, seu coração endureceu. "Por que haveria de escutar Moshê e Aharon?" disse. E decidiu: "Não libertarei os judeus!"

Piolhos
  Elohim disse a Moshê: "Causarei outra praga. Desta vez, não avises ao faraó. Já o advertiste duas vezes e ele não te escutou."

Aharon estendeu o cajado à frente do faraó e sua corte. Nesse instante, o pó da terra se transformou em piolhos. Somente os judeus não foram afetados por esta praga. O faraó chamou os magos e perguntou: "Conseguem produzir piolhos?"

"Sentimos muito, majestade," responderam. "Não podemos criar piolhos. Deveis crer que esta praga não é magia. Elohim fez um milagre, ao trazer os piolhos."

Porém, o faraó se negou a escutar os magos.

Sete dias mais tarde, Elohim pôs fim à praga.

Animais selvagens
Elohim disse a Moshê: "Volta a falar com o faraó! A menos que liberte Meu povo, trarei animais selvagens ao Egito, exceto a Goshen, onde vivem os judeus."

O faraó não fez caso dessa advertência. Em consequência, começou a nova praga. Foi aterradora! Vindos do deserto, chegaram leões, ursos e panteras. Invadiram os campos e vinhedos, e até mesmo as casas dos egípcios! Enormes pássaros os acompanhavam, agitando as asas e fazendo um barulho amedrontador! Os egípcios puseram ferrolhos nas portas e janelas para impedir a entrada dos animais. Elohim, porém, mandara alguns animais antes de outros para que abrissem as portas e janelas. Somente os judeus não foram atacados por bestas selvagens. O faraó estava absolutamente apavorado. Chamou Moshê e Aharon e prometeu-lhes: "Os judeus já não são escravos. Todos os judeus estão livres para servir a Elohim e oferecer-lhe sacrifícios aqui no Egito."

"Não é isso que desejamos", respondeu Moshê. "Queremos sair do Egito e ir para o deserto." "Está bem,", replicou o faraó, "apenas peça a Elohim que leve todos estes animais selvagens."

Moshê rezou a Elohim. Suplicou que fizesse desaparecer até o último animal, inclusive os mortos.
Pois como haviam restado animais mortos, os egípcios estavam aproveitando as peles, fabricando casacos e calçados, tendo já comido sua carne. Elohim aceitou as preces e fez desaparecer até o último animal.

Mal foi interrompida a praga, o faraó mudou de idéia. "Não deixarei os judeus livres", afirmou desafiadoramente.

Peste

Elohim ordenou a Moshê que advertisse o faraó: "Se persistires em não escutar a Elohim, todos os animais dos campos morrerão através de uma peste!"

A peste matou todos os animais nos campos. Os cavalos, burros, camelos, ovelhas, todos morreram. Na terra de Goshen, onde viviam os judeus, nenhum animal morreu. No caso de rebanhos misturados, alguns pertencentes aos judeus e outros aos egípcios, apenas morriam os dos egípcios.

Alguns egípcios tentaram o seguinte truque: Diziam a um judeu: "Venderei a você meus animais durante a praga. Logo voltarão a ser meus." Mas Elohim não pode ser enganado e esses animais morreram mesmo assim.

O faraó voltou a endurecer o coração sem reconsiderar a atitude que deveria ter tomado desde o início: libertar o povo judeu da escravidão. Como o faraó não dera atenção à mensagem transmitida pelas cinco pragas, agora era muito mais difícil reconsiderar seus atos. Elohim sabia que sua fala e atitudes não eram sinceras, assim, Elohim endureceu seu coração. Isto deu ao faraó mais forças para resistir às advertências de Moshê. Foi um castigo para o faraó, por ter-se negado a escutar.

Sarna

A praga da sarna seguiu-se à morte dos animais. Elohim anunciou a Moshê: "Causarei uma enfermidade terrível na pele dos egípcios e seus animais, cujos corpos se cobrirão de bolhas dolorosas que os incomodarão muito."

  Elohim estendeu a doença entre os egípcios da seguinte forma milagrosa:

Ordenou a Moshê e Aharon que pegassem dois punhados de cinza de carvão cada um. Logo Moshê pegou com uma das mãos os quatro punhados de cinza (por milagre todos entraram na mão de Moshê) e os jogou com força ao céu. Elohim espalhou a cinza por todo o Egito, e esta se depositou sobre a pele dos egípcios e seus animais causando bolhas pela sarna que eram terrivelmente dolorosas.

Por que D’us trouxe esta praga por meio da cinza?

  Elohim disse: "Os judeus merecem que se faça um milagre para eles por meio da cinza de carvão de um forno. Por que? Porque morreram por mim em fornos. Avraham se deixou jogar num forno aceso em Ur Kasdim, por acreditar em mim. No futuro também, três tsadikim, (justos) Chanania, Mishael e Azaria, serão atirados em um forno pelo rei babilônico Nabucodonosor, por se negarem a inclinar-se perante uma imagem. Também por esta razão, os egípcios merecem ser castigados através da cinza: por escravizar e destruir uma nação que está disposta a morrer por Mim."

O faraó sentiu-se tão doente por causa das bolhas de sarna que teve que ficar na cama. Os magos também se sentiram doentes e abandonaram o palácio do faraó, humilhados e envergonhados, para nunca mais retornar.

Granizo
 

Elohim disse a Moshê: "Diga ao faraó que a próxima praga será tão terrível como todas as outras pragas juntas. Cairão grandes pedras e muitos egípcios morrerão."

O faraó não se importou. Por isso, Elohim disse a Moshê no dia seguinte: "Estende tua mão ao céu. Então começará uma tempestade de granizo."

Nenhum egípcio jamais havia visto tal tormenta! Os trovões eram tão fortes que muitos morreram de susto. Quando soou um trovão especialmente forte, o faraó caiu no chão. Mas Elohim lhe deu forças para pôr-se de pé, de maneira que este rashá (malvado) continuasse com vida para ser castigado com as outras pragas.

Muitos egípcios foram atingidos por bolas de granizo e pereceram. Este granizo continha não somente gelo, como também fogo. (Isto foi um milagre. O comum é que o fogo consuma o gelo e este extinga o fogo). Alguns egípcios foram queimados pelo fogo.

O faraó chamou Moshê e Aharon. "Eu pequei," admitiu. "Elohim é é perfeito. Por favor, suplica a Elohim que ponha fim a essa terrível praga. Prometo que desta vez estão livres para deixar o Egito." O faraó manteve sua promessa? Não. Assim que a tempestade de granizo terminou, sentiu-se tão poderoso quanto antes e decidiu não libertar o povo de Israel.

Então sucessivamente Elohim enviou as três últimas pragas, gafanhotos, trevas e morte dos primogênitos egípcios, até que na última, o faraó não suportou mais e permitiu que o povo partisse.
Mas não sem mandar seus exércitos logo em seguida atrás, pois não queria ter cedido ao pedido.

Embora o faraó não tivesse se arrependido, ele admitiu: "Elohim é perfeito". Por ter admitido a grandeza de Elohim, todos os egípcios também o fizeram. Elohim, em Sua infinita bondade fez com que após os egípcios terem se jogado no Yam Suf (Mar Vermelho), Elohim ordenou ao mar que os transportasse à terra firme, e ordenou à terra que cobrisse seus corpos. Por terem admitido: "Elohim é perfeito", mereceram ser sepultados.


Uma lição para todos nós

Lembram-se de quem estendeu o cajado para atrair a praga do sangue? Foi Aharon. E quem causou a segunda praga? Novamente Aharon. E a praga seguinte, piolhos? Outra vez Aharon. Não foi Moshê. Este causou algumas das pragas seguintes, mas não as três primeiras.

 Elohim não permitiu Moshê de realizar as três primeiras porque teria que golpear o rio e a areia. O rio havia protegido Moshê, fazendo-o flutuar na caixa em que sua mãe o havia colocado quando bebê, e a terra havia coberto o corpo do malvado supervisor egípcio que Moshê havia matado. Como o rio e a terra haviam sido bondosos com Moshê, Elohim não quis ofendê-los com golpes para trazer essas pragas. A Torá nos ensina que devemos estar agradecidos por todos os favores que recebemos.
 Elohim mostrou a Moshê que havia agido com consideração até mesmo com a água e o solo, que não têm sentimentos, para nos ensinar a sermos agradecidos com nossos amigos e nossos pais; e mais ainda, com Elohim!

Sobre o cumprimento das promessas


Todos os perversos agem como o faraó. Quando Elohim lhes envia um castigo, prometem melhorar. Mas assim que termina o sofrimento, esquecem por completo a decisão de serem bons e se arrependerem.

Esta é a lição do faraó: como não devemos agir.

Se estamos em dificuldades e nos propusemos a atuar de maneira melhor no futuro, mantenhamos firme nossa decisão, mesmo depois de superar nossas dificuldades


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Midrash Shemot





Por que Moshê merecia converter-se no líder de Bnei Israel

Apesar de ter-se criado no Egito, Moshê se aproximou de seus irmãos e compartilhou de sua dor.
Quando viu que um escravo judeu era golpeado, quase assassinado pelo capataz egípcio, matou o egípcio para salvar seu irmão judeu, pois amava a todos de seu povo.

Mais tarde, Moshê viu um judeu a ponto de golpear outro; repreendeu o rashá (malvado), dizendo-lhe: "Como se atreve a golpear seu irmão?" Salvou-o, pois realmente se importava com cada um deles.

Ao chegar ao poço de Midian, Moshê viu que as filhas de Yitrô eram empurradas na água pelos pastores malvados. Essas moças foram resgatadas por Moshê que realmente se preocupava com todas as pessoas criadas por Elohim.

E quando cuidou das ovelhas de Yitrô, um cordeiro sedento se aproximou em busca de água. Ao vê-lo, Moshê disse: "Sem dúvida, deves estar cansado". Levou-o até o rebanho para pô-lo a salvo, pois realmente se preocupava com todas as criaturas de Elohim.

  Elohim disse: "Moshê, porque te preocupas com todas as criaturas que fiz e tratas a todas tão bem, quero que sejas o pastor de meu povo, o líder do Povo de Israel."


Elohim põe à prova o povo judeu no Egito

Vocês se lembram que Yaacov, junto com a família, viajou para o Egito, onde Yossef governava. Mesmo depois da morte de Yossef, seus irmãos e os filhos e netos desses permaneceram no Egito.
Ali ficaram por muitos anos mais. O povo de Israel esteve pelo total de duzentos anos no Egito.

Esperavam pelo mensageiro especial de Elohim, porque Yossef lhes havia ordenado que não saíssem do Egito até que Elohim enviasse seu mensageiro para tirá-los de lá.

O plano de Elohim era fazer com que os judeus permanecessem no Egito por muito tempo. Desse modo, Elohim cumpriu as palavras ditas a Avraham: "Teus filhos serão estranhos numa terra que não é a deles. Serão convertidos em escravos e ali sofrerão por muitos anos."

  Elohim tinha muitas razões para fazer com que os judeus permanecessem no Egito por um longo tempo. Uma delas era colocar os judeus à prova, das seguintes formas:

Continuariam sendo tsadikim (homens justos) e continuariam servindo a Elohim, embora seus vizinhos egípcios venerassem ídolos?

Os homens judeus tomariam egípcias por esposas, e as mulheres judias aceitariam homens egípcios por esposos, ou negar-se-iam a contrair matrimônio com não judeus?

Os judeus falariam hebraico entre eles, dando aos filhos nomes judaicos, ou começariam a falar egípcio e dariam nomes egípcios aos filhos?

E quando Elohim enviasse Moshê para libertá-los, os judeus aceitariam segui-lo a Terra de Israel ou prefeririam ficar no Egito por se sentirem bem ali?

  Elohim pôs o povo de Israel à prova de todas essas formas. Os judeus que não passaram por elas morreram no Egito. Somente aqueles que mereciam receber a Torá foram libertados do Egito.

O Midrash explica: Uma razão pela qual Elohim exilou o Povo de Israel no Egito

Nosso antepassado Yaacov tinha quatro esposas. Duas delas, Bil-ha e Zilpa, eram servas das outras duas, Rachel e Léa. Quando Yaacov casou-se com Bil-ha e Zilpa, deu-lhes a liberdade.
Os filhos de Léa, sem pena, desprezavam os filhos de Bil-ha e Zilpa. Zombavam deles, dizendo: "Vocês são filhos de escravas!"

  Elohim disse: "Levarei todos os filhos de Yaacov a uma terra estrangeira, o Egito. Os egípcios sentirão aversão pelos judeus e os escravizarão. Então, todos os judeus serão iguais e amigos entre si."
E assim aconteceu. Como os egípcios depreciavam todos os judeus, estes se tornaram amigos entre si. Quando saíram do Egito, todos os judeus se sentiam irmãos. Nem um só deles se acreditava melhor que qualquer outro judeu por descender de Rachel ou Léa, nem de Bil-ha ou Zilpa
.
Como o Povo de Israel suportou a prova do exílio egípcio

Os descendentes de Yaacov, o Povo de Israel, não prosperaram muito entre os egípcios depois da morte de Yossef e seus irmãos.

Enquanto Yossef vivia e governava o país, havia ordenado ao Povo de Israel: "Fiquem no distrito de Goshen, longe dos egípcios!" Yossef sabia que os judeus não se misturariam com os egípcios e desta forma não venerariam ídolos como eles.

Quando Yossef morreu, seus irmãos continuaram advertindo os filhos e netos sobre preservar a herança do povo judeu.

Porém, depois da morte de todos os irmãos de Yossef, os judeus somente tinham a tribo de Levi para adverti-los de que não deveriam mesclar-se aos egípcios. Muitos judeus se afastaram de Goshen e se fixaram em outras partes do Egito. Logo aprenderam a inclinar-se perante o deus principal do Egito, a ovelha, e perante outros deuses animais egípcios. A maioria dos judeus começou a venerar ídolos, como seus vizinhos egípcios.

Porém, nenhum judeu contraiu matrimônio com mulher não judia, e nenhuma moça judia consentiu em casar-se com um egípcio. Os judeus não falavam egípcio entre si; somente falavam lashon hakodesh, hebraico. Também não deram nomes egípcios a seus filhos.

Porém, Elohim não estava satisfeito com os judeus. Queria que todos eles continuassem servindo somente a Ele. Quando preferiam misturar-se aos egípcios e agir como eles, Elohim fazia com que os egípcios odiassem os judeus. Queria que os judeus compreendessem que deviam fazer teshuvá (arrependimento), e deixassem de servir aos deuses egípcios.

Os egípcios ficam descontentes pelo grande número de filhos dos judeus

  Elohim havia prometido a Avraham que seus descendentes seriam tão numerosos como as estrelas. Começou a dar cumprimento a essa promessa aumentando a família de Yaacov. Ao chegar ao Egito, a família de Yaacov tinha somente setenta membros. Mas logo teve centenas, depois milhares, e logo centenas de milhares de judeus. Milhões de judeus. Como isso aconteceu?
  Elohim fez um milagre e as mães judias deram à luz não a um filho só, mas seis ao mesmo tempo! Logo existiam muitas famílias judias que tinham cinquenta ou sessenta filhos. E outras famílias tinham sessenta filhos homens e igual número de filhas. Imaginem o barulho, a emoção, e a diversão para as crianças, com tantos irmãos e irmãs!

Os egípcios comentavam furiosos, cada vez mais indignados. Esperavam uma oportunidade para ferir e destruir essas crianças


O Faraó obriga os judeus a tornarem-se seus escravos

O Faraó, o rei egípcio que vivia nessa época, era um homem malvado. Decidiu ser cruel com o povo judeu. Resolveu "esquecer" que um judeu, Yossef, havia certa vez salvado todo o Egito da morte por inanição, quando juntou o cereal necessário para alimentar todo o povo egípcio, e havia governado o país por oitenta anos.

O faraó disse aos conselheiros: "Devemos criar um plano para evitar que as judias tenham tantos filhos! Se as famílias continuarem crescendo da forma que estão fazendo agora, logo haverá mais judeus que egípcios, e os judeus poderão aliar-se a nossos inimigos e assumir o controle do país!"
O faraó e os ministros urdiram um terrível plano: transformariam os judeus em escravos que trabalhariam para eles noite e dia. Separariam os pais das famílias e os deixariam tão fracos que poucas crianças nasceriam.

Mas como o faraó faria para converter os judeus em escravos? Ele e os conselheiros tiveram uma idéia maligna.

Proclamaram o seguinte anúncio: "O faraó precisa construir novos edifícios para armazenamento de cereal. Necessita de grande número de trabalhadores para as obras. Espera que todos os cidadãos responsáveis se unam para ajudar! Todos os trabalhadores serão pagos."

Os egípcios disseram ao povo de Israel: "O que vocês, judeus, estão fazendo para ajudar nosso país? Também devem ajudar!"

Assim, os judeus começaram a trabalhar na construção de novos armazéns para o faraó.
Para estimular as pessoas a trabalharem, o próprio faraó se apresentou na obra no primeiro dia, pá na mão. Logo correu a notícia de que até o rei havia pessoalmente ajudado nas tarefas da construção. Animadas, mais e mais pessoas se apresentaram, entre essas todos os homens judeus, com exceção daqueles da tribo de Levi.

Os homens do faraó foram aos homens da tribo de Levi e perguntaram: "Não nos ajudarão na construção?" Mas eles se negaram. Responderam: "Somos os rabinos do povo judeu. Devemos estudar e ensiná-los. Não temos tempo para nenhum outro trabalho."

Quando os homens do faraó escutaram isso, não mais incomodaram os homens da tribo de Levi.
A princípio, o faraó pagava aos trabalhadores judeus. Ao cabo de certo tempo, porém, deixou de fazê-lo. Quando os judeus protestaram, os supervisores disseram: "O rei ordena que todos os judeus continuem construindo, mesmo sem salário!" Alguns judeus não se apresentaram mais para trabalhar, mas os supervisores conheciam o nome e endereço de cada um deles. Os policiais egípcios eram informados sobre todo judeu que faltava ao trabalho, e este era levado à força.
Os supervisores egípcios eram exploradores cruéis e desalmados. Obrigaram todos os judeus a trabalhar rapidamente e sem descanso. Se um judeu demorava porque estava cansado, era açoitado com um chicote e obrigado a trabalhar ainda mais rápido.

O faraó também designou policiais entre os judeus, cujo trabalho era conseguir que os judeus trabalhassem ao máximo de sua capacidade. Os policiais judeus tinham ordens de açoitar todo judeu que fosse lento no trabalho, mas se negaram a castigar seus irmãos judeus. Quando os supervisores egípcios viram que a polícia judaica se apiedava dos demais judeus e permitia-lhes fazer o trabalho mais lentamente, começaram então a açoitar os policiais judeus. Porém, estes judeus preferiam o chicote a golpear seus irmãos judeus.

Mais tarde, Elohim premiou estes heroicos policiais judeus. Chamou-os zekenim, anciãos do povo judaico.

O faraó dá permissão aos egípcios para empregar judeus como escravos


O faraó esperava escutar a notícia de que o Povo de Israel tinha cada vez menor número de filhos. Mas para sua desilusão, foi informado que o número de filhos era cada vez maior!

"Os judeus não trabalham com empenho suficiente!" concluiu o faraó. "Aí é que está o problema."
Por isso, o faraó fez um novo anúncio. "Todo egípcio pode levar os judeus que quiser, a fim de que trabalhem na sua casa ou na lavoura."

Os egípcios ficaram muito satisfeitos com essa nova ordem, pois agora podiam ter todos os escravos que quisessem para fazer seu trabalho.

Um egípcio podia simplesmente dizer a um judeu: "Preciso de alguém para tirar as pedras do meu jardim", ou "necessito plantar meu jardim, venha comigo!" e o pobre e exausto judeu deveria trabalhar para o egípcio à noite, quando terminasse o trabalho para o faraó.

Porém, a esperança do faraó de que cada vez houvessem menos filhos para os judeus não se cumpriu. As famílias judias continuaram crescendo. De tal modo cresceram que o faraó aprovou um novo decreto. A princípio, os homens do faraó forneciam aos judeus os tijolos para a construção.
Agora o faraó queria que os judeus fabricassem seus próprios tijolos. Deviam reunir o material para fabricar os tijolos, exceto a palha, que seria fornecida pelo faraó. Esta nova exigência tornou o trabalho dos pobres escravos judeus muito mais difícil.

Mas os planos do faraó não tinham êxito. As famílias judias se multiplicavam cada vez mais.
Quando o faraó se deu conta disso, urdiu um plano novo e terrível. De agora em diante, tomaria os cuidados para que todos os varões judeus recém-nascidos fossem assassinados secretamente!


O faraó ordena às parteiras que matem em segredo os judeus recém-nascidos

O faraó ordenou que trouxessem ao palácio as duas mulheres judias encarregadas de ajudar as mães a ter os bebês. Chamavam-se Shifra e Puá.

Ordenou-lhes: "Shifra e Puá, façam com que não nasçam mais meninos judeus vivos! Quando forem chamadas à casa de uma judia prestes a dar à luz e for um menino, asfixiem-no e digam à mãe: "Sentimos muito, mas seu filho nasceu morto!"

O faraó pensou: "Pronto, não haverá mais meninos judeus."

Por que o faraó ordenou a morte somente dos varões? Poderia ter ordenado a morte de meninas! Mas os sábios feiticeiros o haviam avisado: "vemos nas estrelas, Majestade, que está para nascer um menino que libertará todos os escravos judeus e os tirará do Egito." Por isso, o faraó decidiu matar todos os meninos judeus, na esperança de que o futuro líder se encontrasse entre eles. Não ocorreu ao faraó que as parteiras pudessem desobedecer-lhe. Afinal, bem se sabia no Egito que todo aquele que se atrevesse a desobedecer o poderoso faraó seria condenado à morte.
Acontece que Shifra e Puá decidiram ignorar a ordem, pois eram tsadikaniot, mulheres de bem. Afirmaram: "Estamos dispostas a morrer antes de matar meninos judeus, Elohim nos livre!"

Quando o faraó ficou sabendo que nenhum menino judeu estava nascendo morto, chamou Shifra e Puá para repreendê-las: "Por que estão deixando viver os meninos judeus?"

Elas responderam: "Não é nossa culpa, Majestade. Nunca somos chamadas a tempo. As mulheres judias fazem Tefilá (rezam) para que seus filhos nasçam rapidamente e em paz. Quando nos chamam já é demasiado tarde; os bebês já nasceram!"

 Elohim recompensou Shifra e Puá com bênçãos pela sua coragem em desobedecer as ordens do faraó. Seus descendentes se converteram nos líderes do povo judeu: cohanim, leviyim e reis.

Os meninos judeus são arremessados ao Rio Nilo


O faraó e seus assessores compreenderam que não podiam mandar matar os meninos judeus em segredo, de modo que decidiram assassiná-los abertamente.

O rei proclamou: "De agora em diante, todos os varões judeus serão jogados ao Nilo!"

Como o faraó imaginou que as mães judias esconderiam seus filhos recém-nascidos, ordenou aos egípcios que se mudassem para casas vizinhas às dos judeus para espioná-los e saber quando uma mulher judia estava prestes a dar à luz. Então deviam informar à polícia egípcia, e a casa judaica era registrada assim que nascesse o bebê. Se fosse menino, levariam-no e o afogariam no rio. Os egípcios ajudaram o faraó, vigiando os judeus. Diziam aos filhos: "sigam as mulheres judias para todos os lados, assim saberão quando estão prestes a dar à luz."

As egípcias também ajudaram o faraó da seguinte maneira: quando um policial egípcio ia procurar um menino judeu num lugar assinalado e não o encontrava, as mulheres egípcias levavam seu próprio filho ao lugar. Beliscavam a criança para que chorasse, e quando o menino judeu escutava o choro, também começava a chorar. Assim, era descoberto e levado para ser jogado ao Rio Nilo.

Como Elohim salvou os meninos judeus


 Elohim fez um milagre para o povo judeu. Os meninos jogados ao rio não se afogavam. Ao contrário, o rio os arrastava até umas cavernas perto de uns campos, longe das cidades egípcias. Ali, Elohim se ocupava com os meninos. Colocou duas pedras junto à boca dos pequenos. De uma delas fluía leite, e da outra mel. Os meninos cresciam, alimentados por Elohim, e logo regressavam às casas de suas famílias.

Outro Midrash explica que Elohim salvava os meninos mantendo-os vivos milagrosamente no Rio Nilo. Elohim permitia que pudessem respirar na água como peixes, e tiravam o sustento do rio. Assim, quando o faraó cancelou o decreto, os meninos saíram vivos do rio.

Desse modo, os malvados planos do faraó não tiveram êxito.


Nasce Moshê

Um dos líderes do povo judeu nesse momento era o tsadic (justo) Amram, da tribo de Levi. Era tão justo que não havia jamais cometido um só pecado na vida. Sua esposa Yocheved era também uma grande tsadeket (justa). Tinham uma filha de seis anos, Miriam, e um filho de três, Aharon.

No dia em que Yocheved estava para dar à luz a outro menino, os astrólogos e sábios do faraó o advertiram: "Lemos nas estrelas que hoje nascerá o menino que tirará os judeus do Egito." Porém, os egípcios nunca puderam descobrir o filho de Amram e Yocheved. Esta o escondeu em casa por três meses. Porém, temerosa de que os egípcios tivessem visto algo, buscou outro esconderijo.

Yocheved pensou: "Talvez, se ocultar meu filho no rio, os astrólogos do faraó vejam nas estrelas que o menino que os preocupa foi jogado ao rio. Talvez assim o faraó cancele a ordem de atirar os meninos judeus no rio."

Moshê no Rio Nilo

A mãe de Moshê arrumou uma caixa de madeira e colocou uma tampa. Para impermeabilizá-la, cobriu-a com breu por fora e com argila por dentro. Pôs a caixa no Rio Nilo entre os juncos que cresciam às margens, onde poderia ser vista pela gente que passava perto do rio.

A irmã de Moshê, Miriam, decidiu permanecer perto da margem do rio para ver o que aconteceria ao irmãozinho. Passaram-se vinte minutos e ninguém notou a caixa que flutuava no rio.

Mas quem se aproximava agora? Miriam viu que se tratava de uma dama egípcia da alta nobreza, seguida pelas criadas. Quem poderia ser? Quando se aproximou, Miriam viu que era a filha do faraó, a princesa Batia, que vinha banhar-se no Nilo. Podem imaginar como bateu o coraçãozinho de Miriam, quando viu que Batia mergulhava no rio, não muito distante da caixa com seu irmãozinho dentro?

Miriam observou ansiosamente, para ver se Batia descobriria o menino. Pois não é que descobriu?
"Que será isso que flutua entre os juncos?" exclamou a princesa.

Ordenou às criadas: "Tragam-me essa caixa! Como se negassem, Batia estendeu o braço para alcançá-la. Era impossível para Batia alcançar a caixa, que estava fora de seu alcance, mas ela tentou de todas as maneiras. Elohim fez um milagre: seu braço se esticou até alcançar a caixa, e Batia pôde abri-la. Surpreendeu-se ao encontrar um menino dentro.

Que lindo bebê! Batia ficou encantada, e não sabia o que fazer com ele. Elohim enviou o anjo Gabriel para que desse uma palmada no menino, que começou a chorar; Batia sentiu pena dele. "Rápido, corram!!" ordenou às criadas. "Este menino deve ser um judeu, e está morrendo de fome. Tragam uma ama de leite para que o amamente!"

As moças regressaram com uma ama egípcia, mas para surpresa de todos, o bebê fechava a boca com força e não quis mamar do seu peito. Batia ordenou quer trouxessem outra ama egípcia para amamentar o nenê, porém uma vez mais ele cerrou a boca e se negou a mamar. Miriam estava observando a cena desde o começo. Neste momento, perguntou: "Trago uma ama judia? Talvez o menino aceite seu leite."

Quando a princesa consentiu, Miriam correu para casa e trouxe a sua própria mãe, Yocheved. Naturalmente, o pequeno mamou o leite de sua mãe!

Moshê no palácio do faraó

Você acaba de saber quem era o menino. Não era outro senão Moshê. Na verdade, este nome foi-lhe dado pela princesa Batia. Chamou-o assim porque a palavra Moshê significa "tirei-o da água", e Batia o havia encontrado no rio.

Batia disse à mãe de Moshê: "Fique com o menino em sua casa e o amamente até que eu vá buscá-lo para levar ao palácio, e te pagarei por isso."

Dois anos depois, a princesa reconheceu Moshê e o levou ao palácio do faraó. Cuidava muito bem dele. Amava o menino como se fosse seu próprio filho. Seu pai, o faraó, também se encantou com o bebê e sempre brincava com ele.

Moshê tira a coroa do faraó

Certa vez, o pequeno Moshê estava sentado sobre os joelhos do faraó. De repente, esticou a mãozinha, tirou a coroa do faraó, e a colocou sobre a própria cabeça.

Podem imaginar o alvoroço que se produziu na corte? Um ministro advertiu o faraó: "Majestade, este menino, embora pequeno, já está lhe tirando a coroa! Quando crescer, tirará todo o reino! Talvez seja este o menino que os feiticeiros diziam que levaria os judeus do Egito. Mate-o agora mesmo e não se converterá num inimigo poderoso para o senhor!

Outro ministro interpôs-se: :Majestade, é um exagero dar tanta atenção aos atos de uma criança. Todos os pequeninos gostam de brincar com objetos brilhantes. Ele tomou sua coroa simplesmente porque pensou que era um objeto agradável e brilhante para brincar."

Para por fim à discussão entre os ministros, decidiram por o pequeno Moshê à prova, e descobrir porque havia tirado a coroa do faraó. Compreendia ele a importância da coroa ou estava só brincando? Se a prova mostrasse que Moshê havia tomado a coroa do faraó com um propósito determinado, seria morto.

Colocaram diante de Moshê duas vasilhas: uma cheia de moedas de ouro e outra de carvões acesos e resplandecentes. Escolheria Moshê o ouro ou os carvões ardentes? Se escolhesse as moedas de ouro, demonstraria que tinha inteligência suficiente para compreender que o ouro era mais valioso que o carvão. Se era tão inteligente, isso queria dizer que compreendia o valor da coroa e que a havia colocado sobre a própria cabeça de propósito. Porém, se escolhesse o carvão por causa de seu esplendor, demonstraria ser apenas uma criança que se sentia atraída pelo brilho da coroa.
Moshê era um menino muito esperto. Sabia que o ouro era muito mais valioso que o carvão, e estendeu a mãozinha para o ouro. Mas Elohim enviou o anjo Gabriel para que empurrasse a mão de Moshê até o recipiente cheio de carvões ardentes. Moshê pegou um, e, vendo que estava muito quente para segurá-lo, levou-o à boca. O carvão ardente queimou-lhe a língua, e desde esse dia Moshê teve dificuldades para falar.

Moshê cresce

Moshê cresceu no palácio do faraó. Embora fosse tratado como um príncipe e pudesse desfrutar de todos os prazeres da corte egípcia, Moshê estava sempre triste, tão triste que chorava sem parar. Havia descoberto que era judeu, e sentia-se consternado ao ver como o faraó tratava cruelmente a seus irmãos, os judeus. Moshê se negou a desfrutar dos prazeres do palácio enquanto outros judeus sofriam e trabalhavam duramente.

Então, Moshê pediu ao faraó que o deixasse supervisionar os escravos judeus, e a cada vez que visitava um lugar onde via os judeus trabalhando, ajudava-os secretamente no que fosse possível. Com o pretexto de ajudar o faraó, Moshê os ajudava a carregar fardos ou a terminar um trabalho. Angustiava-se terrivelmente ao ver que os judeus sofriam tanto.

Os planos de Moshê para dar aos judeus um dia de descanso


Moshê estava constantemente pensando na forma de aliviar o trabalho dos judeus, e finalmente elaborou um plano.

Foi ver o faraó e lhe disse: "Tenho observado os judeus trabalhando e devo informar-lhe que estão a ponto de sofrer um colapso. Aí, não terão mais utilidade, pois o senhor os obriga a trabalhar sem descanso. Nenhum escravo pode trabalhar semana após semana, mês após mês."

"Tens alguma sugestão para evitar que sofram um colapso?" perguntou-lhe o faraó.

"Creio que se lhes permitisse descansar um dia por semana", sugeriu Moshê, "lhes daria a oportunidade de reunir força suficiente para trabalhar melhor o restante do tempo."

O faraó aceitou o plano de Moshê. Quando permitiu a Moshê escolher um dia da semana,que dia acham que escolheu? Sim, foi o Shabat. Embora a Torá ainda não tivesse sido outorgada, Moshê sabia que o Shabat era um dia santo. Sabia que Avraham, Yitschac, Yaacov e Yossef descansavam no Shabat.

Segundo outro Midrash, o faraó descobriu que qualquer edifício que os judeus levantavam no Shabat, caía imediatamente.

O faraó perguntou desconfiado: "Por que os edifícios construídos no sétimo dia não duram?"
Moshê explicou ao faraó: "Porque não lhes permite descansar neste dia!"

Desde então, o faraó liberou o Povo de Israel de trabalhar no Shabat.


Moshê mata um egípcio

Certo dia, quando Moshê tinha vinte anos, chegou ao lugar onde trabalhavam os judeus e se deparou com um espetáculo pavoroso! Um supervisor egípcio estava chicoteando selvagemente um judeu!
Moshê sabia que precisava detê-lo rapidamente ou ele mataria o judeu. Decidiu que o malvado egípcio não merecia viver, mas pensou que poderia ter filhos ou netos que fossem bons. Embora Moshê fosse jovem, era um grande tsadic (justo) que tinha um poderoso ruach hacodesh, um dom de Elohim que lhe permitia ver o futuro de uma pessoa. Moshê previu que este egípcio era um malvado da pior espécie, e que seus filhos e descendentes que pudesse ter seriam reshaim (malvados).

Moshê conhecia o segredo de matar uma pessoa invocando o nome de Elohim, pois Elohim havia enviado um anjo para que o ensinasse. Pronunciou um dos nomes santos de Elohim, com 42 letras, e o egípcio caiu morto.

Moisés rapidamente sepultou o egípcio na areia e advertiu os judeus que haviam presenciado a cena: "Não digam uma palavra do que viram aqui."

No dia seguinte, Moshê voltou a esse lugar. Havia problemas novamente. Dois homens estavam lutando, e um havia levantado a mão para golpear o outro. Quando Moshê se aproximou, viu que eram judeus. Eram dois reshaim (malvados) chamados Datan e Aviram.

"Parem!" ordenou Moshê a Datan, o judeu que levantava a mão contra o outro. Por que faz isso? Nenhum judeu pode golpear outro!"

Datan replicou com insolência: "És muito jovem para me dar ordens! E mesmo que fosses mais velho, quem te nomeou juiz sobre nós? Ou talvez queres matar-me como fez ontem com o egípcio!"
Quando Moshê escutou essas palavras, sentiu-se desolado. Datan mencionara em voz alta o fato de que matara o egípcio. Por acaso Moshê não advertira os judeus a guardar segredo e não falar lashon hará (palavras maliciosas) sobre ele? Moshê temia que Elohim não iria tirar os judeus do Egito por pecar, falando lashon hará!

Os dois reshaim (malvados), Datan e Aviram, ficaram tão furiosos porque Moshê apartara sua briga, que se apressaram em ir ao palácio e informar ao faraó; "Moshê assassinou um supervisor egípcio!"
O faraó deu ordens para deterem Moshê e o condenou à morte. O carrasco quis brandir sua poderosa espada no pescoço de Moshê, mas Elohim fez um milagre: seu pescoço ficou duro como uma pedra, e a espada voltou-se para trás, matando o carrasco. Então Elohim deixou o faraó mudo, para que não pudesse falar e dar ordens de matar Moshê, e deixou as pessoas cegas, para que não vissem sua fuga.


Moshê se refugia na casa de Yitrô

Moshê saiu da terra do Egito, porque o faraó era poderoso e tinha espiões em toda parte. Viajou a países distantes por muitos anos, até que chegou à terra de Midyan. Enquanto descansava junto a um poço, viu sete irmãs com um rebanho de ovelhas que se aproximavam do poço. Uns pastores que estavam por perto não permitiram que as moças dessem de beber às ovelhas, e jogaram as irmãs dentro do poço.

Quando Moshê viu o ocorrido, tirou as moças do poço e deu água às suas ovelhas. Também ajudou os pastores a dar de beber aos animais. As irmãs agradeceram e foram para casa. Ao chegarem, o pai, Yitrô, lhes perguntou: "Por que chegaram tão cedo hoje? Sempre chegam tarde, pois os pastores as tratam mal e não as deixam dar água às ovelhas."

"Hoje um estranho, um egípcio, nos ajudou," explicaram elas. "Tirou-nos do poço e deu de beber às ovelhas."

"Trata-se, sem dúvida, de um homem muito bondoso", disse Yitrô. Vão buscá-lo e convidem-no a jantar conosco."

Moshê foi à casa de Yitrô.

"Quem és, e o que fazes em Midyan?" perguntou-lhe Yitrô.

Quando Moshê explicou que estava fugindo do faraó porque este queria matá-lo, Yitrô se assustou porque temia que o faraó o castigasse por dar abrigo a Moshê. Assim, Yitrô ordenou aos serventes que colocaram Moshê em um poço perto da casa, e o mantiveram ali por dez anos. Todos os dias, Tsiporá, uma das filhas de Yitrô, levava-lhe comida, e assim Moshê pôde sobreviver. Finalmente, dez anos depois, Yitrô o libertou.

O maravilhoso cajado de Moshê

Quando Elohim criou os céus e a terra e tudo que há neles, criou também um maravilhoso bastão de safira, que deu a Adam, o primeiro homem, que viveu por 930 anos. Adam o entregou a seu tataraneto, o tsadic Chanoch, que havia nascido quando Adam tinha 622 anos. Chanoch o deu a Metushelach, que por sua vez o deu a Noâch. Noâch o deu a Avraham, que o deu a Yitschac, que o deu a Yaacov, que o deu a Yossef. Quando Yossef morreu, Yitrô, que era conselheiro na corte do faraó, o tomou porque percebeu o quão importante era. Yitrô o cravou na terra de seu jardim, no fundo da casa. Porém, quando o bastão foi plantado ali, ninguém, por mais forte que fosse, não conseguia tirá-lo. Yitrô proclamou: Se algum homem conseguir tirar o bastão da terra, dar-lhe-ei uma de minhas filhas por esposa!" Mas ninguém conseguia. Quando Moshê saiu do cárcere de Yitrô, tirou o cajado. Guardou-o com ele.

Moshê se casa com Tsiporá

Yitrô deu a Moshê a mais especial de suas filhas, Tsiporá, que era uma grande tsadeket (justa). Esta deu à luz um filho, a quem Moshê chamou Gershon, e logo outro, Eliezer.

Moshê ficou vivendo com Yitrô e se ocupou em cuidar das ovelhas


Elohim fala com Moshê de um arbusto ardente

Os pastores só levam as ovelhas e cabras a pastarem o mais perto possível de casa. Moshê, ao contrário, não fazia assim. Todos os dias levava as ovelhas de Yitrô muito longe, longe das cidades povoadas, pois temia que os animais comessem pasto de alguma outra pessoa, e isso seria roubar. Moshê somente ia com o rebanho em campo aberto, onde a terra não pertencia a ninguém.

Estava chegando a hora de liberar o Povo de Israel do Egito. Apenas Elohim sabia quando chegaria este momento. Pois como Moshê era um tsadic (justo) tão especial, Elohim decidiu elegê-lo líder dos judeus.

Certa vez Moshê conduzia as ovelhas por um campo deserto, e viu um fato inusitado: numa colina havia um arbusto espinhoso que estava se incendiando, sem que os ramos fossem destruídos pelo fogo. Moshê olhou com mais atenção e viu um segundo milagre: apenas parte do arbusto estava se incendiando, e o fogo não tocava a outra parte de jeito nenhum.

Moshê ficou admirado pelo maravilhoso espetáculo. Havia outros pastores junto a Moshê, mas apenas o tsadic (justo) Moshê podia ver o maravilhoso arbusto, e somente ele escutou um anjo de Elohim que o chamava para que se aproximasse do arbusto.

Quando Moshê chegou perto, Elohim lhe ordenou: "Não chegue muito perto! Tire os sapatos, pois estás parado em terra santa!."

A colina era santa pois a shechiná (Divindade) de Elohim estava sobre ela. Voltaria a ser sagrada no ano seguinte quando Elohim entregaria os Dez Mandamentos ao Povo de Israel sobre esta colina. (Pois a colina onde Moshê vira o arbusto ardente não era outra senão o Har Sinai -Monte Sinai).
 Elohim disse a Moshê: "Escutei o Povo de Israel chorando por causa do duro trabalho no Egito. Vi que fizeram teshuvá (arrependimento) em seus corações. Vou libertá-los. Vá ao faraó e ordene-lhe: "Deixe partirem os judeus. Você os guiará para fora do Egito."

"Sou uma pessoa muito insignificante," protestou Moshê. "Por que haverias Tu, Elohim, de eleger-me o líder que tirará os judeus do Egito? Elege um homem mais importante! Quem sou eu para que o faraó me escute e me permita sair para a terra Santa? Pode estar furioso comigo por ter matado um egípcio – pode até prender-me ou executar-me!"

"Não temas!" tranquilizou Elohim a Moshê. "Estarei a teu lado para assegurar teu êxito em liberar o Povo de Israel do Egito. Prometo que o faraó não te fará mal. Esta é uma das razões por que te mostrei a sarça ardente. Foi um sinal: assim como o arbusto não sofreu dano por causa do fogo, não serás prejudicado pelo faraó."

Moshê fez outra pergunta: "Se eu disser ao Povo de Israel que me ordenastes tirá-los do Egito, não me acreditarão. Dirão: Elohim nunca apareceu para você! Não acreditamos em você!’"

 Elohim ficou irado com Moshê por não confiar nos judeus; por pensar que não lhe dariam crédito. Elohim esperava que Moshê compreendesse que os judeus eram um povo santo que confiaria nele, pois haviam aprendido de seu antepassado Yaacov e de Yossef, sobre o redentor que Elohim enviaria.’
"Como temes que o Povo de Israel não confie em ti, dar-te-ei três sinais", disse Elohim a Moshê.
"Estas serão as provas para o Povo de Israel de que foste enviado por Mim."

O primeiro sinal

  Elohim perguntou a Moshê: "Que levas nas mãos?"

"Um cajado," disse Moshê.

"Joga-o no solo!"

Quando Moshê jogou o cajado, este se transformou em uma serpente. Moshê se assustou tanto com a perigosa serpente que se movia em sua direção que começou a correr.

Mas Elohim ordenou-lhe: "Pega a serpente pela cabeça!"

Quando Moshê fez o que Elohim lhe ordenava, a serpente transformou-se em cajado novamente. Era sem dúvida um sinal maravilhoso que convenceria os judeus de que deveriam crer nas palavras de Moshê. Porém, Elohim havia também escolhido este sinal para demonstrar a Moshê que estava aborrecido com ele, por haver falado mal de Bnei Israel ao dizer: "Não crerão em mim!" Desse modo, Moshê havia agido como a serpente no Gan Eden (paraíso) que havia falado lashon hará (calúnias) sobre Elohim a Chava. Para que Moshê tomasse consciência de seu erro, Elohim utilizou uma serpente como primeiro sinal.

O segundo sinal

  Elohim ordenou a Moshê: "Põe tua mão sobre o peito!"

Moshê pôs a mão dentro da túnica. Quando a retirou, estava branca como a neve. Estava coberta da doença cutânea conhecida como tsara’at. Quando uma pessoa contraí essa doença, a pele fica toda branca.

Logo D’us ordenou a Moshê: "Coloca novamente tua mão dentro da túnica."

Desta vez, quando Moshê a tirou, a mão estava com sua cor normal novamente.
  Elohim disse: "O sinal de tua mão doente será o sinal que mostrarás ao Povo de Israel."

Este sinal era uma nova prova de que Moshê não deveria ter falado sobre Bnei Israel; "Não me acreditarão!" Como Moshê havia falado mal dos judeus, Elohim o havia castigado com uma enfermidade com que Elohim castiga as pessoas que falam calúnias.

O terceiro sinal


  Elohim deu a Moshê outro sinal para que mostrasse ao Povo de Israel. Disse-lhe: "Toma um pouco de água do Rio Nilo e joga-a sobre o solo e se transformará em sangue."

Mesmo depois de receber estes três sinais do próprio Elohim, Moshê não estava pronto para ir até o faraó.

"Meu irmão Aharon sentir-se-á mal se eu me transformar no líder do povo judeu, e não ele! Ele é um navi (profeta) a quem Tu tens falado e enviado mensagens ao povo judaico. Não sou digno de comparecer perante o faraó, pois tenho dificuldades para falar."

Mas Elohim insistiu que Moshê fosse o líder de Bnei Israel. "Teu irmão Aharon te acompanhará na visita ao faraó e ao povo de Israel," disse-lhe. "Ele falará diretamente com o faraó. Tu falarás lashon hakôdesh (hebraico) e ele traduzirá tuas palavras para o egípcio.Leva contigo o cajado, pois com ele farás milagres!


Moshê é castigado por demorar a fazer o brit milá (circuncisão) de seu filho

Moshê disse à esposa: "Elohim me ordenou regressar ao Egito."

Moshê pegou a esposa e o filho, Gershon, junto com o bebê recém-nascido, de oito dias de idade, e os sentou sobre uma mula. Todos empreenderam viagem ao Egito.

Na verdade chegara o momento de fazer a circuncisão do menino recém-nascido, Eliezer. Mas Moshê pensou: "Se eu fizer o brit milá agora, será perigoso que viaje em seguida. E Elohim me ordenou viajar ao Egito. Primeiro devo obedecer a ordem de Elohim e fazer logo a circuncisão do menino."

Quando Moshê e Tsiporá estavam para chegar ao Egito, Moshê preparou um lugar para a família passar a noite.

Mas Elohim esperava que Moshê, agora que a família estava perto do Egito, fizesse a circuncisão antes de qualquer outra coisa. Moshê deveria ter preparado um lugar para dormir somente depois de cumprir com a mitsvá de milá.

Por causa disso, Elohim enviou um anjo para que castigasse Moshê. Uma serpente, começou a enroscar-se em Moshê. Quando Tsiporá entendeu o que isto significava, rapidamente tomou um instrumento afiado e fez a circuncisão no filho. Imediatamente, o anjo libertou Moshê.

Esta história contém duas lições;

  1. Vemos que grande tsadic (justo) era Moshê. Elohim foi tão severo com ele por demorar a cumprir uma mitsvá, simplesmente pela estatura de Moshê, um grande homem.
  2. Aprendemos desta passagem a importância da milá. Assim como o castigo por não cumprir a mitsvá é severo, o zechut (mérito) por cumpri-la é enorme. A mitsvá da milá é, em alguns modos, tão importante como todas as outras mitsvot da Torá juntas!
Aharon vai ao encontro de Moshê e sua família
 

Elohim disse ao irmão de Moshê, Aharon: "Moshê está chegando ao Egito. Vá ao seu encontro."
Aharon foi ao encontro do irmão. Beijou Moshê, feliz por este ter se tornado o líder do povo judeu. Embora Aharon fosse mais velho, não invejou a alta posição de seu irmão mais jovem. Quando Aharon viu a esposa e os filhos de Moshê, disse: "Por que os trazes ao Egito? Os judeus ali sofrem muito por causa da crueldade do faraó. Seria melhor que voltassem a Midyan."

Moshê escutou o conselho do irmão. Algum tempo depois, levou a família de volta a Midyan e logo regressou ao Egito sozinho.

Moshê e Aharon falam com Bnei Israel

Moshê e Aharon reuniram os zekenim, os líderes do Povo de Israel. Aharon lhes falou. Explicou a eles que Elohim havia enviado Moshê para tirar os judeus do Egito. Os zekenim transmitiram a mensagem a todos os judeus. Todos acreditaram. Inclinaram-se para agradecer a Elohim que em breve os libertaria.

Logo Moshê e Aharon foram ao palácio do faraó para ordenar ao rei, em nome de Elohim, que pusesse o Povo de Israel em liberdade. 


Os milagres que aconteceram quando Moshê e Aharon entraram no palácio

A entrada do palácio era guardada por animais selvagens: ursos ferozes e leões. Estes destroçavam todo aquele que entrava sem permissão. Mas quando Moshê e Aharon entraram, os animais ficaram dóceis como ovelhas. Agacharam a cabeça e seguiram docilmente a Moshê e Aharon por toda a parte.

Antes de entrar na sala do trono, os visitantes tinham que atravessar uma porta baixa. Em frente à porta havia um ídolo egípcio. Quando o visitante inclinava a cabeça para passar pela porta, automaticamente se inclinavam para o ídolo.

Mas para Moshê e Aharon a entrada se tornou milagrosamente mais alta. Embora eles fossem muito altos, puderam entrar na sala sem inclinar-se. O mesmo milagre também aconteceu em tempos anteriores, quando Yaacov fora visitar o faraó. Para ele, também, a porta ficara mais alta.

O faraó se nega a escutar

Moshê e Aharon ordenaram ao faraó em nome de Elohim: "Deixa o Povo de Israel sair do Egito". Mas o faraó zombou de suas palavras.

"Quem é Elohim? Não o conheço! O nome desse deus não está em nenhum de meus livros."
Moshê e Aharon explicaram ao faraó: "Elohim é o Elohim do povo judeu. Criou o mundo e o governa! Será melhor para ti que O escutes!"

Mas o faraó se negou a obedecer. Pelo contrário, tornou-se ainda mais cruel. Ordenou aos guardas: "Estes judeus estão ficando folgados, pois acreditam que logo sairão do país. Devemos, pois, fazer com que trabalhem mais ainda! Até agora lhes paguei para misturar o cimento e fabricar os tijolos. De agora em diante, cada judeu deverá conseguir sua própria palha! E diga-lhes que não podem fazer menos tijolos que antes!"

Esta foi, sem dúvida, uma ordem cruel. Os judeus se dispersaram por todo o Egito em busca de palha. Mas, naturalmente, isto levou tempo, e o tempo de que dispunham para fazer tijolos era menor. Os supervisores do faraó os açoitaram por obterem menos resultados. Ordenou aos policiais judeus que golpeassem todo judeu que fosse lento no trabalho. Porém, eles não obedeceram Quando os supervisores do faraó viram isso, açoitaram os policiais judeus, mas não conseguiram que batessem nos outros judeus.

Moshê ficou triste ao ver que os judeus sofriam ainda mais depois que ele havia falado com o faraó. Lamentou-se a Elohim:"Por que me enviaste ao Egito? Agora o faraó tornou-se ainda mais cruel com o Povo de Israel!"

  Elohim respondeu: "Em breve enviarei pragas sobre o faraó, e então o trabalho de Bnei Israel se tornará mais fácil. Finalmente, o faraó os fará sair do Egito com tal pressa que não terão tempo de assar pão para levar na viagem!"


Shabat Shalom!!!